Sem ser consultada, Palestina rejeitará plano de paz de Trump para a região

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Alaa Badarneh / EPA - EFE

Sem ter sido consultado pelo presidente norte-americano Donald Trump, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou nesta terça-feira (28) que não aceitará o plano de paz para o Oriente Médio apresentado pelos Estados Unidos.

Abbas se pronunciou dizendo que os palestinos rejeitam “este acordo desde o início. Nossa posição era correta quando nos negamos a esperar. Não cederemos”.

Os palestinos desistiram de qualquer negociação que tivesse a Casa Branca como mediadora em dezembro de 2017, quando o governo dos EUA reconheceu Jerusalém como a capital de Israel.

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Jerusalém é a cidade sagrada para as três principais religiões, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Israelenses e palestinos reivindicam a cidade como capital, mas Israel mantém suas principais instituições governamentais em Jerusalém. A Palestina mantém sua sede administrativa “temporária”, em Ramala, na Cisjordânia, a 15 quilômetros de Jerusalém. A comunidade internacional, diplomaticamente, não reconhece oficialmente nenhuma das reivindicações.

O plano de Trump

O plano divulgado por Donald Trump nessa terça-feira propõe a anexação por parte de Israel de uma grande área da Cisjordânia ocupada, além do reconhecimento de dois Estados na região, algo sem precedentes para diplomacia americana, e de Jerusalém como “capital indivisível” israelense.

Ainda segundo o plano, os palestinos poderiam estabelecer a capital do novo Estado que seria criado nos arredores de Jerusalém Oriental, a quase 11 quilômetros do centro, e batizá-la de Al-Quds, que é o nome em árabe da cidade e quer dizer, literalmente, “A Santa”.

Abbas chamou o plano de “tapa do século”, uma ironia com “acordo do século”, termo usado pelo presidente americano para batizar a proposta: “Trump e (Benjamin) Netanyahu (primeiro-ministro de Israel) declararam o tapa do século, não o acordo. E nós vamos responder com tapas”.

Apesar da aparente ameaça, a autoridade palestina não revelou que tipo de resposta seria essa.

Eleições

Abbas aproveitou a oportunidade para conclamar que os grupos palestinos se reconciliem e realizem eleições em Gaza e na Cisjordânia. Não é uma ideia longe da realidade, afinal membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), do Hamas e da Jihad Islâmica estiveram presentes no discurso de Abbas, em Ramala.

Todos os líderes concordaram ser impossível endossar o plano norte-americano: “agora que escutamos essas bobagens, dizemos mil vezes não (ao acordo); nenhuma criança palestina, muçulmana ou cristã, irá aceitar tal coisa”, afirmou Abbas.

Para os líderes palestinos, o plano de Trump foi feito “de acordo com a política estabelecida por Israel”.

As ruas também apresentaram uma resposta a Trump, mostrando-se a favor de seus líderes. Até mesmo antes do “acordo do século” ser oficialmente anunciado, milhares de pessoas protestaram na Faixa de Gaza, queimando bandeiras de Israel e dos Estados Unidos. A Faixa de Gaza é o território palestino comandado pelo Hamas.