Sem impacto do Covid-19, varejo surpreende e cresce em fevereiro

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Foto: Sem impacto do Covid-19, varejo cresce em fevereiro

As vendas do comércio varejista cresceram 1,2% em fevereiro ante janeiro. No período anualizado, a alta foi de 4,7%. Os números vieram sem impacto do coronavírus.

Trata-se do melhor resultado para o mês de fevereiro desde 2014 e constam da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já a taxa de janeiro deste ano, revisada, caiu de menos 1% para menos 1,4%, principalmente, por conta de inclusões de dados primários no setor de combustíveis e lubrificantes.

Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira (7).

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De acordo com o IBGE, no acumulado do primeiro bimestre de 2020 frente a igual período de 2019, o varejo avançou 3%.

Analista da pesquisa Cristiano Santos disse que o bimestre positivo em relação ao ano passado é uma continuidade à trajetória de recuperação, com taxa de crescimento em patamares similares aos últimos três bimestres de 2019, sendo 2,8%, 3,3% e 2,8%, respectivamente.

“Esses números podem estar ligados à expansão do crédito e às quedas de taxas de juros que acontecem desde o segundo semestre de 2019”, explicou.

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As atividades

Conforme o Instituto, dentre as oito atividades pesquisadas, cinco contribuíram para a alta, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,5%), móveis e eletrodomésticos (1,6%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,6%).

Tecidos, vestuário e calçados (1,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,5%) foram as outras atividades que apresentaram aumento frente a janeiro.

Já livros, jornais, revistas e papelaria (-3,8%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,1%) e combustíveis e lubrificantes (-0,6%) tiveram queda em comparação com janeiro, impedindo um crescimento maior.

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Âmbito regional

No âmbito regional, houve predomínio de resultados positivos em 21 das 27 unidades da federação. Tocantins (15,1%), Amazonas (3,5%) e Minas Gerais (2,7%) foram os destaques positivos. Já Amapá (-3,8%) e Ceará (-1,7%) foram os estados que mais mostraram queda nas vendas do comércio varejista.

Para Cristiano, o resultado de fevereiro não apresenta influência da pandemia do novo coronavírus, pois ainda não havia um indicativo real de que a doença atingiria seriamente o país.

“Não acredito que tenha sido um fator de impacto aparente no aumento de receitas dos supermercados, por exemplo. O preço do dólar e a queda do petróleo contribuem, mas o fator coronavírus só deve começar a ser sentido a partir de março”, disse.

Com o resultado, o setor está 4,5% abaixo do ponto mais alto, atingido em outubro de 2014. E distante do patamar de novembro de 2019 (-3,9%), o menor desde o pico.

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Varejo ampliado

Conforme o levantamento, o varejo ampliado, que contempla veículos e material de construção, teve aumento de 0,7% em relação a janeiro de 2020, o segundo mês consecutivo de variação positiva.

Frente a fevereiro de 2019, o setor avançou 3,3%, décimo primeiro aumento seguido. Assim, o varejo ampliado apresentou crescimento de 3,4% para o primeiro bimestre de 2020.

Na esfera regionalizada, houve predomínio de resultados positivos no comércio varejista ampliado em 17 das 27 unidades da federação, com destaque para Mato Grosso (5,6%), Tocantins (5,1%) e Minas Gerais (2,8%).

Tá, e Aí?

Estrategista-chefe do banco Modalmais, Felipe Sichel afirma que o dado coloca o nível de entrada da economia brasileira na crise em um patamar melhor do que o antecipado.

“Mas isso não ajuda a amenizar o cenário fortemente contracionista que deveremos observar nos próximos meses ante a retração da oferta e da demanda em consequência das medidas de isolamento social adotadas ao longo do mês de março”, frisou.

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Ele ressalta que as vendas no varejo tiveram desempenho melhor do que o esperado em fevereiro, tanto na variação mensal como na interanual nas leituras restrita e ampliada.

Projeções comparadas

Conforme Sichel, a leitura restrita indicava recuo de 0,4% ante projeção anterior de menos 1.0%. Trata-se do comparativo mensal, ou seja, fevereiro contra janeiro.

Já na leitura restrita e anual, o mercado esperava 2,3% de crescimento ante 1,3%. Isso marcando fevereiro deste ano contra igual mês do ano passado.

E disse mais: “na leitura ampliada mês a mês, a projeção indicava 0,4% de crescimento ante 0,6%, sendo fevereiro contra janeiro.”

Por fim, na leitura ampliada anualizada, o mercado previa 3,0% contra 3,5%, sendo fevereiro desse ano contra igual período de 2019.

Conforme Sichel, as vendas em hipermercado avançaram 0,7% (MoM), o ritmo mais acelerado na leitura mensal desde julho do ano passado.

O avanço também foi registrado na parte de móveis e eletrodomésticos e artigos farmacêuticos. Já materiais de construção registraram a primeira leitura positiva após três meses de variação negativa, ainda que o ritmo tenha ficado acanhado em 0,10%.

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Ainda há oportunidades

Sócia-Diretora da FB Wealth, Daniela Casabona explica que esse cenário indica que o Brasil estava seguindo um crescimento antes da crise e recuperando lentamente a economia.

Essa elevação que vinha se registrando, disse, era puxada pelas medidas feitas no ano passado com queda da taxa de juro, liberação do FGTS e reformas.

“O Brasil se inclinava para um poder de compra maior. Porém, o cenário ainda não reflete a crise que estourou após o carnaval e retraiu o país em níveis bastante preocupantes”, disse.

E acrescentou: “por isso, para o investidor é importante entender que existe uma expectativa promissora, mas que vai ficar para longo prazo após o rompimento do crescimento.”

Para manter posição segura nesse cenário, ressaltou, é importante olhar para longo prazo e esperar que a turbulência pare antes de dar qualquer passo. “O ideal nesse momento é fortalecer o caixa, e entrar em algumas oportunidades na renda variável”, concluiu.