Sem contabilizar Covid, taxa de desemprego sobe para 12,2%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

A taxa de desemprego no Brasil atingiu 12,2% no primeiro trimestre de 2020. No trimestre finalizado em fevereiro, ela era de 11,6%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, a alta ainda não inclui o desemprego ocasionado pela pandemia de coronavírus e as paralisações de atividades decorrentes das medidas de contenção ao vírus. Os dados foram coletados até março, e as medidas restritivas foram tomadas a partir do final daquele mês.

A PNAD apontou uma alta de 1,3 ponto porcentual na comparação com o último trimestre de 2019. Isto representa 1,2 milhão a mais de desempregados, em um montante que chega a 12,9 milhões de pessoas.

“O crescimento já era esperado, mas não foi dos mais elevados”, pondera a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, em relatório.

Ela observa que, na comparação com o primeiro trimestre de 2019, a taxa de desocupação caiu. Era de 12,7 no primeiro trimestre de 2019. Hoje, é de 12,2%.

Na análise geral, ela avalia, a queda do emprego foi disseminada nas diversas formas de inserção do trabalhador, formal ou informal. “O movimento, contudo, foi mais acentuado entre os trabalhadores informais. Das 2,3 milhões de pessoas que deixaram o contingente de ocupados, 1,9 milhão é de trabalhadores informais”, afirma.

 

desemprego

População ocupada

A população ocupada, que soma 92,2 milhões de pessoas, caiu 2,5% em relação ao trimestre anterior. São 2,3 milhões de pessoas a menos. Ela permaneceu estável em relação ao mesmo trimestre de 2019.

Segundo Beringuy, este foi o maior recuo de toda a série histórica e refletiu nos serviços domésticos (-6,1%), que também apresentou a maior queda da série.

36,8 milhões de trabalhadores informais

A taxa de informalidade teve recuo, atingindo 39,9% da população ocupada. Esta taxa representa um contingente de 36,8 milhões de trabalhadores informais.

No trimestre móvel anterior, essa taxa havia sido 41% e no mesmo trimestre do ano anterior, 40,8%.

Os informais são os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem CNPJ, os conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

População fora da força de trabalho

A população fora da força de trabalho (67,3 milhões de pessoas) foi recorde da série iniciada em 2012, com altas de 2,8% (mais 1,8 milhão de pessoas) em relação ao trimestre anterior. E de 3,1% (mais 2,0 milhões de pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2019.

Esse grupo é composto por pessoas que não procuram trabalho, mas que não se enquadram no desalento.

Subutilização

A taxa composta de subutilização (24,4%) cresceu 1,4 ponto percentuais em relação ao trimestre móvel anterior (23%) e caiu 0,6 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2019 (25%).

A população subutilizada (27,6 milhões de pessoas) teve aumento de 5,6% (mais 1,5 milhão de pessoas) frente ao trimestre móvel anterior (26,2 milhões) e caiu -2,5% (menos 704 mil pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2019 (28,3 milhões).

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População desalentada

A população desalentada (4,8 milhões) ficou estável. O percentual de desalentados em relação à população na força de trabalho ou desalentada (4,3%) teve variação positiva de 0,2 pontos percentuais em relação ao trimestre móvel anterior (4,2%) e permaneceu estável em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Os desalentados são as pessoas que desistiram de procurar emprego, somaram 4,8 milhões, quadro estatisticamente estável em ambas as comparações.

Empregados com carteira

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos), estimado em 33,1 milhões, caiu -1,7% (menos 572 mil pessoas) frente ao trimestre móvel anterior e ficou estável ante o mesmo trimestre de 2019.

Empregados sem carteira

O contingente de empregados sem carteira assinada (11 milhões de pessoas) caiu 7% (menos 832 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior. E permaneceu estável comparado ao mesmo trimestre de 2019.

Trabalhadores por conta própria

O número de trabalhadores por conta própria chegou a 24,2 milhões de pessoas. Isto representa queda (-1,6% ou menos 398 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior e alta de 1,7% (mais 409 mil pessoas) em relação ao mesmo período de 2019.

Rendimento médio

O rendimento médio real habitual (R$ 2.398) no trimestre móvel terminado em março ficou estável nas duas comparações.

Coleta por telefone

Em função da pandemia, o IBGE interrompeu a coleta presencial em 17 de março de 2020. Desde então, a coleta de dados vem sendo realizada por telefone.