Selic a 4,25%: quais as ações que mais sentem a mudança?

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Na quarta-feira (16), o Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central aumentou a taxa Selic em  0,75 ponto percentual, chegando a 4,25% ao ano.

Este aumento feito pelo Comitê de Política Monetária (Copom) já era algo previsto pelo mercado. E causa impactos em títulos de renda fixa.

Já na renda variável, a princípio, tenderiam a beneficiar dos juros mais altos bancos e seguradoras. Negativamente, o setor imobiliário sairia perdendo mais.

No entanto, mesmo com esse aumento, a Selic ainda está em um patamar baixo. Considerando-se que o Brasil tem um histórico de juros extremamente elevado, que chegava a dois dígitos.

Selic: mercado imobiliário tem maior impacto

Fabrício Stagliano, analista de investimentos e trader, disse que apesar da alta, o mercado de ações já estava precificado, incluindo as ações que mais saíram perdendo com a elevação da taxa. Ele explica que, ao ir em linha com o mercado, o Copom retirou o elemento surpresa – que poderia impactar mais profundamente os papéis.

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Stagliano diz ainda que o setor imobiliário poderia sofrer um impacto, podendo até ocorrer um desaquecimento. No entanto, os juros de forma histórica ainda são baixos. Então, é possível que a bolsa tenha uma performance positiva, o que pode ajudar a manter um cenário de mercado aquecido.

“A não ser que haja uma surpresa, com um aumento maior que o consenso na próxima reunião do Copom. Aí sim pode gerar um desconforto para quem tem dívidas em CDI”, complementou.

E isto não está descartado na próxima reunião. Ele calcula que a autoridade monetária pode promover mais uma elevação de 0,75 ponto percentual na taxa. Além disso, Stagliano adiantou que o Banco Central deixou sinalizado que pode promover uma elevação de até 1 ponto percentual.

“As empresas que possuem dívidas em CDI podem ser impactadas negativamente. Porém, vivemos um momento em que o mercado está aquecido. Há espaço para altas maiores. A nossa bolsa está desvalorizada, se comparada com os pares mundiais. Então, há espaço ainda para subir”, avaliou.

Entrada capital internacional

Com esse cenário, o analista disse também que é esperado um aumento da entrada de capital internacional no mercado, com a elevação da taxa. Isto porque o mercado aquecido e outros fatores paralelos à elevação da Selic ajudam a derrubar o dólar.

“Com a bolsa aquecendo, o dólar cai. Se tudo ocorrer dentro da normalidade, termos bolsa subindo, dólar caindo e maior ingresso de capital estrangeiro”, disse.

Ele calcula que, mantido esse cenário, o dólar pode chegar a R$ 4,70 ao fim do ano e R$ 4,50 para o ano que vem.

Bancos e seguradoras saem ganhando

Além das aplicações com dívidas em CDI, há outros impactos no mercado de ações. Quem sai ganhando mais com a elevação são seguradoras e bancos. Estas devem ter impacto positivo.

Isto porque, no caso dos bancos, os juros forçam um aumento do spread bancário. Este fator ajudaria a ampliar a margem financeira das instituições bancárias.

Já no caso das seguradoras, estas são beneficiadas porque o resultado financeiro delas é influenciado diretamente, principalmente, por aplicações financeiras. Estas aplicações são feitas, em sua maioria, em CDI.

Bruno Lima, analista de ações do BTG Pacutal (BPAC11), acrescenta que o setor bancário também deve se beneficiar das elevações nos juros nos Estados Unidos, em 2023. Esta sinalização foi dada pelo Federal Reserve (FED) também na quarta-feira (16).

“O setor de bancos se favorece muito com a alta de juros. Aí cabe a discussão dos ativos que sejam mais interessantes em termos de valuation”, disse ele.

Ações de bancos em alta

Retrato disso, é a performance das ações dos bancos na B3, que lideram as altas do Ibovespa, um dia após a definição da taxa de juros. O Banco Inter (BIDI11) registra alta de 4,18% nesta quinta-feira (17). Ele é seguido por Itaú (ITUB4), com alta de 2,82%; Itaúsa (ITSA4), tem elevação de 2,35%; e Santander (SANB11) sobe 2,23%.