Alta dos juros: você sabe quais investimentos são atrelados à Selic e ao CDI?

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.
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Crédito: Divulgação/BC

O movimento de alta dos juros, ou da Selic, iniciado pelo Banco Central em março deste ano aumentou  a procura dos investidores pela renda fixa. 

Desde o fim de 2019, a procura por esses investimentos havia caído, isso pelo fato de a maioria dos contratos e títulos ter ficado com uma rentabilidade ruim, para não falar negativa (pagando menos do que a desvalorização causada pela inflação). A alta da Selic, porém, muda este cenário.

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O investidor interessado em renda fixa, entretanto, tem de ficar atento e também estudar antes de fazer esses aportes. Comprar esses contratos e títulos sempre foi algo muito buscado pelo brasileiro justamente por ser algo mais prático na comparação com a renda variável (ações, por exemplo), mas esse tipo de investimento também tem suas particularidades.

Algo que nem todos sabem, é que, por exemplo, não são todos os títulos de renda fixa que se beneficiarão da alta da Selic – alguns, pelo contrário, devem ver suas rentabilidades caindo por conta das decisões do Banco Central. 

Títulos atrelados a índices da inflação devem ver suas rentabilidades recuando no futuro, uma vez que a alta do juros vem, justamente, para barrar a alta dos preços.

Confira os investimentos que devem se beneficiar da alta da Selic: 

Certificados de Depósito Bancário (CDBs) 

Os Certificados de Depósito Bancário são títulos emitidos por instituições financeiras. Trata-se, então, de uma aplicação de renda fixa privada.

“Os CDBs são emitidos por bancos e o principal objetivo de uma instituição ao fazer isso é financiar suas atividades. Ou seja, o investidor disponibiliza dinheiro para que as instituições financeiras realizem empréstimos, financiamentos e outros procedimentos que geram lucro”, explica a Guide Investimentos. 

Em compensação pelo empréstimo, o banco paga a rentabilidade prometida – podendo esta ser prefixada (definia antes a compra), pós-fixada (definida no vencimento do título) ou indexada (flutuante) – ao investidor. 

Ao aportar em CDBs, o investidor estará praticamente livre de riscos. Além de já ter a rentabilidade garantida, estes investimentos contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que devolve o dinheiro no caso de a instituição emissora do CDB decretar falência.

No caso de CDBs prefixados, porém, há a questão da marcação a mercado, que pode fazer um título desse desvalorizar. 

É necessário mencionar que a maioria dos CDBs não são atrelados à Selic, mas sim ao CDI. As duas taxas, porém, performam de maneira muito parecida.  “O CDI se refere a uma operação feita entre os bancos. Dela, é gerada uma taxa, cujo valor costuma ser muito próximo ao da Selic”, explica a Guide.

Há alguns CDBs que são atrelados a outros índices – como por exemplo os que são indexados ao IPCA. Neste caso, como já mencionado, é necessário atenção. 

Tesouro Selic

Diferentemente do CDB, que é um título privado, o Tesouro Selic é um título público, emitido pelo próprio governo brasileiro. 

“O Tesouro Selic tem rentabilidade pós-fixada que acompanha a variação da taxa Selic. Sendo assim, o dinheiro que é recebido no momento no resgate depende da variação da taxa no período da aplicação”, explica o BTG Pactual. 

Por ser pós-fixado, esse ativo ainda é uma boa opção para quem deseja uma reserva de emergência. “O motivo para isso é que, em relação aos outros títulos do tipo, ele possui menor risco em caso de resgate antecipado”, explica o BTG Pactual. O Tesouro Selic 

É fácil entender a dinâmica: títulos pré-fixados, no caso de a Selic avançar no futuro, tendem a se desvalorizar, simplesmente pelo surgimento de melhores oportunidades. 

Letras de Crédito Imobiliário (LCIs)

Por fim, o último principal tipo de investimento em renda fixa atrelado à Selic são as letras de crédito imobiliário. 

Estas são muito procuradas por investidores por serem isentas do imposto de renda – isso porque adquirir um papel do tipo, de certa forma, é investir no setor imobiliário. 

“Os emissores costumam ser instituições financeiras, como os bancos, e os títulos são distribuídos por corretoras. A emissão serve para que a instituição capte recursos que serão usados para financiar projetos e iniciativas imobiliárias”, explica a Guide Investimentos. 

As LCIs também podem ser prefixadas ou pós-fixadas – no caso do primeiro, também há o risco de mercado: uma queda da Selic e, consequentemente, do CDI, pode diminuir a rentabilidade.

Assim como os CDBs, esses investimentos são, geralmente, associados ao CDI e também possuem garantia do FGC.

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