Selic pode cair mais e cortes serão pequenos, diz presidente do BC

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Foto: Selic pode cair ainda mais, mas não muito, diz presidente do BC

Presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto disse nesta quinta (2) que a Selic pode cair ainda mais, mas não muito.

“Em nosso último comunicado, explicitamos que a taxa é bastante estimulativa e qualquer queda adicional seria pequena, ou seja, tem espaço, mas não muito mais.”

Ele participou de uma live promovida pelo Correio Braziliense na tarde desta quinta-feira (2) e sua fala foi em resposta a uma pergunta enviada.

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A Selic

Taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic está, atualmente, em 2,25% a.a. Ela estava em 3%, mas foi reduzida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em 17 de junho.

Segundo Campos Neto, se a taxa for reduzida continuamente, ela pode gerar efeitos indesejados.

“A gente tem taxa imobiliária hoje no Brasil em 7%. Isso nunca foi visto antes”, frisou.

Entretanto, em comparação às taxas praticadas pelo mercado, a diferença se dá, afirmou, por conta das garantias oferecidas pelo tomador de empréstimos.

“Quanto pior forem as garantias, maiores serão as taxas”, destacou, acrescentando que isso implica no spread bancário em comparação a outras economias.

Significa dizer que se o tomador de empréstimos não tiver um bom histórico de pagamentos, ele irá pagar mais caro pelo custo do dinheiro que pretende captar.

Já o spread é a diferença entre o preço de compra e venda de uma ação, título ou transação monetária.

Quando o banco empresta dinheiro a alguém, cobra uma taxa pelo empréstimo, sendo esta, via de regra, superior à taxa de captação. A diferença entre as duas taxas é o spread bancário.

Ancorada pelo jornalista Vicente Nunes, a live do Correio contou com a participação do presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney.

O senador Eduardo Gomes também participou.

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R$ 1 tri em créditos

Presidente da Febraban, Isaac Sidney disse que o sistema financeiro concedeu R$ 1,1 trilhão em crédito às empresas.

A fala do executivo foi para justificar que “não há empoçamento de dinheiro por parte dos bancos”, conforme questionado.

“Além disso, o setor bancário já renegociou quase 12 milhões em contratos e aliviamos parcelas ao conceder postergação de pagamentos”, declarou.

Mas fez uma ressalva: “somos um país com emaranhado de leis, muitas normas, muita burocracia que em nada ajuda a vida dos empreendedores.”

Isso porque para ele há necessidade urgente de reformas. “Nosso sistema tributário é caótico, há muitas distorções”, elencou.

Para Sidney, é preciso fazer ajuste fiscal e administrativo, pois “o Estado é pesado e inchado, tudo gera custos e nós temos que enfrentar isso”, frisou.

Quanto a atual taxa Selic, ele afirmou que o país terá juros baixos por um bom tempo tanto no Brasil quanto no mundo.

“Trata-se de uma enorme janela de oportunidades que também aliviam o comprometimento de renda. É um novo mundo que se abre para nós”, disse.

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R$ 250 bi em auxilio emergencial

O senador Eduardo Gomes destacou na live o montante de R$ 250 bilhões repassados por meio do auxilio emergencial.

“Foi uma oferta de crédito que nós votamos aqui [no congresso] e este recurso foi direcionado às PMEs”, disse, em relação às Pequenas e Micro Empresas.

Questionado quanto à morosidade para com as reformas, bem como outras ações de cunho emergencial, ele frisou que “nem sempre o caminho mais fácil é o caminho que encontra o ambiente para ser executado.”

E disse mais: “existem reparos a serem feitos com relação à oferta de credito. Só tem uma coisa pior que crédito caro, e é o crédito regulado.”