Selic mantida em 2%: como ficam os investimentos?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Como esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 2%. O que analistas e investidores anseiam, agora, é por algum sinal do BC de até quando os juros devem seguir neste patamar, que é o mais baixo da história.

O Copom ainda tem mais uma reunião pela frente no ano. Ela acontece em 8 e 9 de dezembro. E a principal aposta até o momento é a de que, ainda neste encontro, a Selic permaneça em 2%.

Mas, já no início de 2021, a projeção é que ela suba. O Focus, que semanalmente traz as projeções de 200 instituições financeiras aponta Selic a 2% até o final deste ano e em 2,75% em 2021.

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

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Neste contexto, de Selic em vias de aumentar, como ficam os investimentos? Confira.

Selic e os seus investimentos: proteja-se da inflação

A primeira recomendação dos especialistas é que o investidor proteja sua carteira da inflação, para não perder o poder de compra.

A rentabilidade dos investimentos deve ser sempre acima da inflação ou atrelada a ela (no caso de títulos e CDBs, por exemplo), aponta Paulo Filipe de Souza, assessor de investimento e sócio da EQI. Caso contrário, toda a rentabilidade será perdida.

Selic e os seus investimentos: evite os títulos prefixados

A segunda recomendação é ter atenção aos títulos públicos, especialmente se a intenção não for carregar os papéis até o vencimento.

Isto porque estes títulos estão sujeitos à marcação a mercado e, caso sejam vendidos antes do prazo, serão impactados negativamente, como já ocorreu com o Tesouro Selic no mês passado.

A recomendação é sempre levar os papéis até o vencimento, para evitar a volatilidade e as possíveis perdas na negociação no mercado secundário.

O educador financeiro André Massaro alerta, principalmente, para prefixados com vencimento maior.

“A melhor coisa agora é tentar ficar longe dos prefixados de prazo maior. O caminho de menor resistência dos juros é para cima. E quando os juros sobem, esses títulos prefixados tendem a sofrer desvalorização antes do tempo”, diz. “Se o investidor precisar fazer caixa, ele pode ter perda”, complementa.

Luis Stuhlberger, sócio da Verde Asset e gestor do renomado Fundo Verde, foi outro a afirmar que o melhor, no momento, dado o cenário de incertezas, é não fazer apostas nos títulos prefixados.

“Se eu cometesse um pequeno delito e um juiz me desse duas penas para escolher: ficar 30 dias na cadeia ou ficar aplicado em títulos do Tesouro prefixados para janeiro de 2022 de hoje até o fim, sem poder mexer, eu escolheria ficar 30 dias na cadeia”, disse em evento online recentemente.

Selic e os seus investimentos: renda variável segue com mais rentabilidade

Com a Selic mantida nos atuais 2%, os investimentos em renda fixa seguem perdendo atratividade e o investidor precisa buscar alternativas para fazer sua carteira de investimentos crescer. E para não ficar à mercê de perder sua rentabilidade para a inflação, como já dito.

Para Massaro, com Selic a 2% não sobra muita alternativa a não ser migrar para a renda variável.

“No momento, a renda fixa atende àquele investidor altamente conservador. A quem realmente só quer proteger o dinheiro e não está muito preocupado com o retorno. Ou, então, àquele que quer montar uma reserva de emergência”, avalia.

Mas, se só o fato de pensar em ações já tira o seu sono, saiba que é possível ser conservador até mesmo na renda variável.

“É preciso perder a visão binária de que renda fixa é para investidor conservador e renda variável para investidor agressivo. Existem nuances de perfis. Tem maneiras de ser conservador ou agressivo na renda variável”, diz Massaro.

Para os mais conservadores, que não possuem familiaridade com a bolsa, ele recomenda um início com cautela. Entre as melhores sugestões, ele elenca as ações, os fundos de ações, os fundos atrelados a índices (ETFs) e os fundos imobiliários.

No entanto, o cenário pode mudar

Apesar de a renda variável ser a mais atrativa em termos de rentabilidade, com o possível aumento da Selic no ano que vem, a renda fixa volta a ficar interessante.

“Pode haver um pequeno ajuste quanto a isso. Mas sempre vale a máxima de nunca colocar todos os ovos na mesma cesta”, recomenda Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro.

Calil se refere à necessidade do investidor balancear os investimentos através da diversificação entre renda fixa e variável, garantindo proteção a riscos e também equilíbrio no desempenho dos ativos.

Por que a Selic afeta os investimentos?

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Para o investidor, a Selic deve ser um norte para montar uma boa carteira de investimento. Com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos.

Neste contexto, o mercado de ações ganha destaque, assim como os fundos imobiliários e o Tesouro Direto.

Em sentido contrário, quando a Selic sobe, a renda fixa volta a ficar mais atraente.

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