Selic deve ser mantida em 2% pelo Copom, apontam analistas

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Flickr

Começa hoje e segue até amanhã (16) a 233ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.

A expectativa majoritária no mercado é de que o Copom mantenha a taxa de juros básica (Selic) em 2%, depois do corte de 0,25 ponto porcentual realizado no início de agosto.

Mas, além da definição da taxa, interessa aos investidores o comunicado que acompanhará a decisão de política monetária.

“Queremos saber se tem possibilidade de novos cortes ou até quando a Selic fica neste patamar. Se o Copom encerrar o ciclo, o mercado já passa, automaticamente, a procurar sinais de quando a Selic começa a subir”, explica Paulo Filipe de Souza, assessor e sócio daEQI Investimentos.

O corte da taxa de juros significa que os rendimentos da renda fixa, especialmente os vinculados à Selic, deixam de ser tão atrativos.

Neste contexto, o mercado de ações ganha destaque, assim como os fundos imobiliários e o Tesouro Direto – especialmente os indexados à inflação.

Em sentido contrário, quando a Selic sobe, a renda fixa volta a ficar atraente.

E se houver novo corte?

Um novo corte da Selic não é provável, mas se ocorrer, será bem pequeno. “De 70% a 75% do mercado está apostando na manutenção da Selic em 2%. Há um pequeno espaço para queda de 0,25 ponto porcentual”, afirma Pedro Brugger, assessor de investimentos e sócios da EQI Investimentos.

Em sua avaliação, Selic a 2% ou a 1,75% não mudará muita coisa no cenário atual.

“Nós apostamos na manutenção, o que para nós faz mais sentido. Mas, se houver este pequeno corte adicional, não muda nada em questão de crescimento ou de inflação. Se houver corte, será apenas para fazer uma sinalização ao mercado”, complementa.

Última reunião levou Selic ao piso histórico

O último corte da Selic, de 2,25% para 2%, realizado na reunião de agosto, foi o nono sequencial e reduziu a taxa ao seu piso histórico (confira no gráfico a trajetória).

Em termos comparativos, em agosto de 2016, a taxa básica era de 14,25%. Mas já chegou a 45%, em março de 1999.

Selic

Pandemia segue preocupando

No anúncio feito em agosto, o Copom reforçou que a pandemia de coronavírus continua provocando a maior retração global desde a Grande Depressão (de 1929).

E que os indicadores econômicos apontam para uma recuperação parcial, mas que o cenário continua incerto. Também já havia sugerido que, se novos cortes fossem anunciados, seriam pequenos.

“O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”, afirmou.

Focus projeta Selic a 2% há 11 semanas

Mas há outros sinais que apontam para a manutenção da Selic em 2%. O Boletim Focus, coletado semanalmente pelo Banco Central junto às instituições financeiras, projeta há onze semanas a Selic a 2% no final do ano.

Para 2021, a projeção da Selic é de 2,50%. Era de 2,88% há uma semana. O que indica que o mercado espera uma taxa baixa até pelo menos o final do ano que vem. Para 2022, a projeção é de 5,50%.

Em outra demonstração de manutenção da Selic, o diretor de política monetária do Banco Central, Fabio Kanczuk, afirmou, em live do Valor, que a Selic não deve sofrer alteração no curto prazo. “Alta de juros está fora. Pode ter queda de juros? Pode. É provável? Não”, sentenciou.

O que é a Selic?

A Selic, taxa básica de juros, é usada como referência para todo empréstimo ou financiamento no país. Ela é também o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. E isto incentiva a produção e o consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Então, a alta atual da inflação deve impactar a Selic?

Nos últimos dias, a inflação voltou ao noticiário, com o arroz se destacando entre os maiores aumentos.

Para analistas, a alta era o argumento que faltava para as apostas se firmarem pela manutenção da Selic em 2%. Para eles, um novo corte seria desfavorável em um momento de alta do preço dos alimentos.

“As preocupações com a escalada da inflação após prévias do IGP-M, apesar do IPCA de agosto em linha com esperado, ancoraram as expectativas de manutenção da Selic em 2%”, afirma o Bradesco BBI em relatório.

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