Seguro-desemprego: 200 mil pessoas aguardam por benefício no Brasil

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Marcello Casal Jr | Agência Brasil

Dados divulgados nesta terça-feira (28) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia mostram que houve um recuo de 7,4% nas solicitações de seguro-desemprego no acumulado do ano, até a 1ª quinzena de abril, na comparação com o mesmo período de 2019.

Entretanto, a pandemia do novo coronavírus fez os postos do Sistema Nacional de Empregos (Sine) fecharem, levando ao represamento de 200 mil pedidos.

A informação foi divulgada pelo secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco: “Temos uma pequena fila, que estamos dando conta rapidamente. Essa demanda reprimida não passa de 200 mil em março e abril”.

Levando-se em conta os dados divulgados hoje, esse represamento elevaria os pedidos de seguro-desemprego no  período a 150 mil a mais do que o mesmo período de 2019.

Os trabalhadores ainda têm a opção de fazer a solicitação pela Internet. Essa ferramenta representou na 1ª quinzena de abril 90,2% dos pedidos.

Seguro-desemprego: dados oficiais

A pandemia que fez os postos do Sine fechar acabou maquiando involuntariamente os números reais do desemprego no período.

O governo, como disse o secretário especial Bianco, está correndo para acertar os números, mas por enquanto os dados informam que, até a 1ª quinzena de abril de 2020, foram realizados 1.856.291 pedidos de seguro-desemprego, contra 2.003.715 do mesmo período de 2019. A queda é de 7,4%.

Na comparação só com a 1ª quinzena de abril, em 2020 foram 267.693 pedidos do benefício, contra 310.509 em 2019, uma queda de 13,8%. Entretanto, sem os 200 mil pedidos represados, essa número chegaria a 467 mil, o que dá os 150 mil a mais especulados pelo secretário especial.

Na comparação com a 2ª quinzena de março, houve um aumento de 13,8% nas solicitações, o que dá uma ideia um pouco mais apurada do impacto da pandemia no emprego: a curva é para cima.

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Otimismo

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governo tem tratado esses números como algo positivo. Para os técnicos do ministério da Economia, mesmo com o represamento, essa alta dos pedidos não é expressiva.

“Seria, principalmente, um sinal de que o programa de preservação de empregos funciona: cortes de jornadas e salários, propostos pelo governo por meio de MP (medida provisória) estariam preservando postos de trabalho”, analisa o jornal.

A MP autizada durante a pandemia, como forma de proteger empregos e empresas ao mesmo tempo, já fez mais de 4 milhões de trabalhadores negociarem a suspensão do contrato de trabalho ou redução de jornada e salários.

“Claro que temos, sim, um aumento de desemprego, vamos ter aumento, mas o Brasil está conseguindo preservar muitos empregos”, disse Bianco.

Sem dados precisos

A principal fonte de informação sobre o emprego no país, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apresentando os números sobre trabalhadores formais, foi suspenso pelo governo e não há dados nesse sentido.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede a informalidade, ainda não saiu durante esse período pandêmico. Os últimos dados são de fevereiro deste ano.

Assim, o Brasil vive no escuro, sem saber exatamente como a crise sanitária está afetando o mercado de trabalho.

Dados são importantes para nortear políticas públicas. É exatamente o que fazem os europeus e os Estados Unidos. No Brasil, esses dados divulgados hoje são os únicos até aqui, durante a crise.

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