Segundo pesquisa, racismo gera diferença salarial de 31%

Daniele Andrade
Jornalista formada pela Universidade Positivo, pós-graduada em Mídias Digitais. Atualmente cursa bacharel em História. Gosta de produzir reportagens sobre política tanto nacional quanto internacional, economia e tecnologia.
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Crédito: Reprodução / Geledés

Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, quando comparado os salários entre brancos e negros, a diferença é de 31%. Em entrevista a Folha de São Paulo, o presidente do instituto, Renato Meirelles comentou os números: “Trata-se de uma desigualdade persistente, que só pode ser explicada pelo racismo estrutural. Por um lado, ele se expressa no preconceito racial. Por outro, no maior capital social dos brancos: o famoso ‘quem indica’ de um branco é outro branco, que está em um cargo alto.”

A pesquisa foi realizada em 43 cidades brasileiras, cerca de 1.170 responderam demonstrando a grande diferença salarial. De cada dez respostas, cinco (55%) relataram que pessoas brancas têm mais possibilidades de estudo, e também mais possibilidade sobre a questão de trabalho (65%).

Entre as empresas dispostas a mudar o cenário e gerar mais empregos ajudando a diversidade está a Natura. Segundo o índice feito pelo Refinitv do grupo Reuters, de Diversidade e Inclusão, a Natura é a única brasileira na lista.

Em entrevista a Folha, a Natura comentou que no último ano o percentual de negros em cargos gerenciais subiu para 6%. E, como resultado nos cargos de diretoria, saiu do zero para o 2%. Segundo a pesquisadora, Cida Bento, esse tipo de dado não é tratado com transparência. O que impede que as outras empresas divulguem seus números.

Representatividade

Cida comenta na reportagem a Folha sobre a diferença salarial, em que o percentual de negros trabalhadores nunca é proporcional a sua representatividade enquanto população brasileira. As opções de trabalho ofertadas para os negros geralmente ficam entre estágio e trainee.

“Este tipo de profissional costuma ficar de um a dois anos na empresa. E, se contratado, levará de 10 a 15 anos para desenvolver uma carreira. Faltam referências para o jovem negro, que não se vê representado no alto comando das organizações”, completa Cida Bento.