Biden ganha mais com a saída de Warren do que Sanders, diz pesquisa

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Getty Images

Logo após a Super Terça, que aconteceu no último dia 3 de março, a senadora por Massachusetts Elizabeth Warren desistiu da corrida pela indicação do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos. Ela é considerada mais à esquerda do partido, como o ainda concorrente senador Bernie Sanders. Mas, ao contrário do poderia se imaginar, sua desistência beneficia mais Joe Biden, mais ao centro, do que Sanders.

Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pela Reuters/Ipsos, divulgada na segunda-feira (9). O estudo tem confiabilidade de 95%.

No levantamento, 47% dos democratas e independentes disseram que votariam em Biden se as primárias fossem realizada hoje e sem a participação de Warren. Isso representa um aumento de 7 pontos percentuais revelada por outra pesquisa semelhante realizada antes de Warren suspender sua campanha.

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Sanders, senador de Vermont, receberia 30% dos votos dela, quadro inalterado em relação à pesquisa anterior.

Biden segue favorito

Warren não foi a única a transferir, mesmo que involuntariamente, seus votos a Biden, em tese. Dois outros desistentes da corrida, Amy Klobuchar e Pete Buttigieg, declaram apoio a Biden.

O caso de Buttigieg é tão impactante quanto o de Warren, embora a senadora não tenha declarado apoio ao ex-vice-presidente. Isso porque Buttigieg, casado com um professor de ensino médio, teve votos mais favoráveis no Congresso norte-americano por parte de Sanders, nas questões de direitos civis homoafetivos, do que de Biden.

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Biden saiu-se amplamente vitorioso na Super Terça e tem angariado mais e mais apoios importantes, como do também desistente ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, da senadora californiana Kamala Harris, da ex-candidata Hillary Clinton, entre outros.

No cômputo atual, Biden tem 670 delegados prometidos, contra 574 de Sanders. Mas só cerca de 33% foram declarados. Ainda há muito voto para ser depositado.

Importante apoio a Sanders

“Bernie Sanders representa a via mais progressista”, diz o ativista Jesse Jackson, que declarou um entusiasmado apoio ao senador.

Jackson é uma figura muito respeitada na comunidade afro-americana, um eleitorado-chave nas urnas em novembro, que inclusive foi responsável em boa parte da vitória de Biden na Super Terça, especialmente nos estados ao Sul.

Maus lençóis

Segundo informa a Reuters, “a pesquisa também descobriu que cerca de 6 em cada 10 apoiadores de Sanders disseram que votariam em Biden se ele acabasse ganhando a nomeação do partido” para enfrentar o presidente republicano Donald Trump nas eleições de 3 de novembro.

Curiosamente, “3 em cada 10 disseram que não votariam, e sim em um candidato de um terceiro partido ou ainda não sabiam o que fariam”. Já 10% dos apoiadores de Sanders votaria em Trump se Biden fosse indicado.

Isso pode indicar que Sanders está em maus lençóis.

Ainda de acordo com a Reuter, tal percentual “é semelhante à proporção de apoiadores de Sanders que os cientistas políticos acreditam ter votado em Trump em 2016, embora os acadêmicos discordem sobre o impacto que teve na virada vitória de Trump sobre a democrata Hillary Clinton”.

Nesse dia 10 de março, acontecem mais seis primárias, nos estados da Dakota do Norte, Idaho, Michigan, Mississipi, Missouri e Washington. Esse último pode ser a maior incógnita, já que é o mais afetado pelo surto do novo coronavírus e deve apresentar alta abstenção dos eleitores.

São 352 delegados prometidos em disputa no pleito dessa terça (10). Michigan é o maior prêmio, com 125 delegados.

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