Segmento de portos voltando à normalidade; Itapoá está no radar

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: DCIM102MEDIADJI_0096.JPG

Levantamento da XP Investimentos indica que o segmento portuário no Brasil está se normalizando. O país ainda não entrou no pós-covid, mas já vislumbra um sinal positivo.

Conforme a gestora, nos dois primeiros meses do ano, e até meados de março, os volumes estavam fortes e, naquele ritmo, o trimestre seria bom de forma geral.

Entretanto, a redução de volumes partindo da Ásia teve impactos no Brasil, mas a percepção geral é que a situação está se normalizando.

“O foco agora está na dinâmica de portos nos EUA e na Europa, regiões em que o vírus chegou depois. E também em entender se existe possibilidade de fechamento dos portos no Brasil”, avaliou.

Isso porque cerca de 30% das viagens vindas da China foram canceladas. No entanto, cancelamentos e fechamentos de portos aconteceram em um momento inicial do surto de Covid-19, levando à necessidade de se tomar medidas mais drásticas.

“Hoje, a atenção está mais voltada à possibilidade de outros portos serem fechados nessas regiões que ao número de navios que embarcam da Ásia”, informou.

Porém, a XP diz acreditar que de forma geral, não se acredita que os portos no Brasil serão fechados considerando as informações obtidas até o momento.

A gestora se baseia em terminais localizados no EUA e Europa, regiões que atualmente estão lidando com um número mais alto de casos de Covid-19 e, ainda assim, operam normalmente.

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Anec

Para a XP, as últimas notícias têm apontado para o funcionamento normal dos portos no Brasil.

De acordo com a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), todos os terminais operam normalmente, adotando medidas de segurança estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar dos avanços nos últimos anos, segundo gestora, a infraestrutura logística no Brasil ainda enfrenta série de desafios.

“Se comparada com outros países do mundo, nossas malhas terrestres, portuárias e aéreas são ainda pouco desenvolvidas de forma geral”, frisou.

Índice de Desempenho Logístico

O Índice de Desempenho Logístico (LPI, da sigla em inglês) ajuda a ilustrar como o Brasil se compara com outros países.

O LPI é um índice calculado pelo Banco Mundial que visa medir o desempenho logístico de diversos países com base em uma metodologia única, permitindo, assim, maior comparabilidade.

“Ele é baseado em combinação de parâmetros quantitativos e qualitativos, os últimos por meio de uma pesquisa com operadores logísticos dos diversos países”, explicou.

Conforme o índice, em 2018, o Brasil ocupava o 56º lugar no ranking global do LPI, com uma nota geral de 2,99 e nota de 2,93 no quesito infraestrutura.

Isso se compara com índices de 3,61 e 3,75 na China (26ª colocação), 3,89 e 4,05 nos Estados Unidos (14ª colocação), 4,2 e 4,37 na Alemanha (1ª colocação) e 4,03 e 4,25 no Japão (5ª posição).

Conjuntura do setor

Para a XP, no setor portuário, a conjuntura não é diferente. O segmento tem se desenvolvido nos últimos anos, mas ainda apresenta grande potencial de aprimoramento.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o Brasil possui uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis, e, em 2019, movimentou 1,1 bilhão de toneladas entre exportações e importações das mais diversas naturezas.

Ainda assim, a movimentação de contêineres é proporcionalmente baixa. Em 2018, o Brasil foi a 9° maior economia do mundo, mas só movimentou 1,3% do tráfego mundial portuário de contêineres, sendo o 19° maior do mundo.

“Quando comparamos a movimentação de contêineres pela extensão litorânea brasileira com outros países, é possível ver a divergência para outros países”, disse a XP.

Volume de contêineres

Para a gestora, essa subpenetração também é notável quando se olha olhamos o volume de contêineres por habitantes.

O Brasil possui uma penetração de apenas 48/1000hab, menos da metade da média mundial de 100/1000hab.

Isso se compara com 158/1000hab nos Estados Unidos, 235/1000/hab na Alemanha e 173/1000hab no Japão, por exemplo.

Governo federal

Conforme a XP, o Governo Federal tem se empenhado em conduzir uma agenda robusta de projetos de infraestrutura, além de dar ênfase grande ao aprimoramento do arcabouço regulatório relacionado ao segmento. E o setor portuário é um dos beneficiários dessa agenda.

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O Programa de Parcerias de Investimentos, PPI, foi criado pelo Governo Federal em 2016 com o intuito de ampliar e fortalecer a interação entre o Estado e a iniciativa privada por meio de contratos de parceria e outras medidas de desestatização.

O programa compreende mais de 30 bilhões de dólares em investimentos em rodovias, 2,6 bilhões de dólares em aeroportos, 1 bilhão de dólares em portos e 15 bilhões de dólares em ferrovias.

O escoamento mais eficiente do interior do país para o litoral representa uma avenida de crescimento importante para o setor, que se beneficia diretamente de acessos mais amplos e ágeis aos portos.

O Porto de Itapoá

Segundo a XP, o Porto de Itapoá é um terminal portuário de contêineres localizado na cidade de Itapoá, em Santa Catarina, lançado em 2011 com capacidade de 500 mil TEUs.

Em 2015, o porto já havia atingido 100% de ocupação e, em 2018, concluiu sua expansão, levando a capacidade instalada do porto para 1,2 milhão TEUs.

Hoje, sua infraestrutura conta com dois berços totalizando 800 metros, seis portainers (guindastes utilizados para carga ou descarga em navios porta contêineres) e área primária de armazenagem de 250 mil metros quadrados.

Com o projeto de ampliação, a fase final do Porto Itapoá terá três berços, somando um píer de 1.200 metros, e uma área de armazenamento de aproximadamente dois milhões de TEUs, ou seja, quatro vezes maior que sua área inicial.

O terminal conta com capilaridade global, tendo linhas de navegação para a Europa, Ásia, Mediterrâneo, Golfo do México e América do Norte com frequência semanal.

Além de contar com uma capilaridade global, o terminal oferece uma ampla gama de serviços, como cross-docking, logística porta a porta, serviços aduaneiros, consolidação e desconsolidação de cargas, armazenagem de cargas refrigeradas, entre outros.

A ampla oferta de serviços e capilaridade global permitem que o Porto de Itapoá tenha um portfólio de clientes pulverizado, atendendo diversas indústrias e segmentos, entre eles o setor alimentício, madeireiro e de Papel e Celulose, além de outras indústrias.

Crescimento e longevidade

De acordo com a XP, além da ampla gama de serviços prestados e da capilaridade global, o Porto de Itapoá possui diferenciais não replicáveis, que suportam o crescimento e longevidade do terminal.

Devido a sua localização privilegiada, possui excelentes acessos rodoviários e marítimos, sem conflitos com áreas urbanas e próximo de grandes centros como Joinville.

O porto também conta com uma retroárea de 12 milhões de metros quadrados garantidas pelo Plano Diretor de Itapoá, que deverá ser destinada a novas instalações industriais, logísticas, etc.

O Estado

Segundo a gestora, o estado de Santa Catarina é um dos mais prósperos economicamente do país, com intensa atividade industrial na região litorânea, facilitando o escoamento até o porto.

Santa Catarina tem uma renda média mensal de R$ 1.597 por habitante, 28% acima da média brasileira de R$ 1.242.

“Se focarmos no Cluster Sul de Portos, formado pelos portos de Paranaguá, TCP, Porto de Itajaí e Porto de Navegantes, o Porto de Itapoá se destaca pelo crescimento no volume de contêineres movimentados e aumento da participação de mercado, chegando hoje a deter 25% de participação de mercado dentro desse Cluster”, informou.

Com isso, o porto apresentou crescimento anual médio de Ebitda no período em 2012 e 2018 de 53%.

No mesmo período, o crescimento anual médio da Receita Líquida foi de 27%. Em relação à alavancagem, o porto opera com um indicador de 2,2x Div. Líquida/EBITDA.

Log-In Logística

Riscos

Para a XP, entre os principais riscos, vale mencionar a redução das atividades ou até mesmo fechamento dos portos, o que poderia reduzir materialmente a movimentação nos portos.

Também a variação brusca nos preços de commodities, que pode influenciar o comércio, a competição com outros portos, a desaceleração mais forte que a esperada no nível de atividade global.

BRZ Investimentos

A XP diz acreditar no potencial da BRZ Investimentos, que lançou seu primeiro fundo de Infraestrutura negociado em Bolsa, o BRZ Infra Portos FIP-IE.

O time dedicado ao setor de Infraestrutura já realizou 10 investimentos, dos quais três foram direcionados ao setor portuário.

Fundada em 2005, a BRZ Investimentos é uma das maiores gestoras brasileiras independentes atuantes em ativos alternativos.

A atuação compreende duas linhas de investimentos: a área de Private Equity, realizando a gestão de fundos que investem em empresas de capital fechado e a área de Crédito, que faz a gestão de fundos de crédito privado.

Atualmente, a gestora conta com mais de R$ 3,3 bilhões sob gestão.