Mansueto: rombo nas contas públicas pode chegar a R$ 700 bi em 2020

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Rombo nas contas públicas pode superar R$ 350 bi, indica Mansueto

O secretário do Tesouro Nacional Mansueto Almeida revelou nesta quarta (14), em videoconferência na Comissão Mista de Acompanhamento das Medidas relacionadas ao Coronavírus, que o rombo nos cofres públicos em 2020 pode chegar aos R$ 700 bilhões.

De acordo com o secretário do Tesouro, a pandemia de coronavírus deverá fazer o déficit primário nas contas do setor público consolidado ficar acima de 90% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Este ano, nossa melhor expectativa é que esse rombo vai crescer para algo como mais ou menos R$ 600 bilhões, 8% do PIB. Eventualmente, será ainda maior e pode chegar a R$ 700 bilhões e passar de 9% do PIB. É um déficit muito grande”, admitiu, em audiência pública da Comissão Mista de Acompanhamento das Medidas relacionadas ao combate à Covid-19.

Segundo o G1, em todo o ano passado, o déficit primário em todo o setor público consolidado foi praticamente dez vezes menor do que o previsto para 2020: R$ 61,872 bilhões – 0,85% do Produto Interno Bruto do ano.

Dúvidas sobre investir? Conheça nosso simulador de investimentos 

Calamidade pública

O aumento exponencial do teto de gastos, que já tinha previsão de R$ 124,1 bilhões antes da pandemia, foi causado após o decreto de calamidade pública, que tem duração prevista até 31 de dezembro de 2020.

Os gastos autorizados em virtude do decreto podem ser tanto na área de saúde quanto para evitar o aumento do desemprego, além de também servir para compensar a perda de arrecadação com impostos, cada vez maior por conta das medidas de isolamento social dos Estados.

Dívida pode superar 90% do PIB

IPC-S

Em entrevista para a Agência Brasil, o secretário do Tesouro repetiu que a dívida pública de 2020 pode chegar a até 90% do PIB e que isso pode afetar a trajetória do endividamento brasileiro para os próximos anos.

“O mercado não consegue enxergar a dívida caindo em relação ao tamanho da economia”, pontuou Mansueto.

“Teremos que conviver com esse desafio, como iremos pagar a conta necessária deste ano? A melhor forma de pagar. Não tem de ser paga imediatamente. Se paga gradualmente, parte poderá ser paga com crescimento. Quando a economia cresce, a relação dívida/PIB melhora. É muito importante, e o que os investidores querem é a certeza que o país vai, ao longo do tempo, conseguir pagar sua dívida”, completou.

Regra do Ouro

O secretário do Tesouro Nacional falou ainda que o Brasil certamente não irá cumprir a chamada Regra do Ouro, que proíbe o Executivo de se endividar para pagar as despesas correntes – como são chamados os gastos da administração pública para manter seus serviços em funcionamento. E não somente em 2020.

“A regra de ouro é boa, mas o gasto e a perda de receita ficaram tão grandes, o buraco fiscal ficou tão grande, que hoje a gente tem que pedir emprestado para pagar despesas correntes essenciais. A gente vai ter que mudar a regra de ouro”, avisou.

Segundo ele, a regra não será cumprida até o fim do atual governo e, possivelmente, “talvez não seja cumprida no início do próximo também”.

“O investimento privado vem”

Para o secretário do Tesouro Nacional, uma das saídas para tirar o País da crise após o término da pandemia de coronavírus está no investimento privado. E ele virá, na visão de Mansueto.

“E investimento privado vem. Olha o caso dos aeroportos no Brasil. A gente se acostumou no Brasil, por mais de 40 anos, que todos os aeroportos fossem públicos. Os aeroportos passaram para investimento privado. O serviço piorou? Não piorou”, argumentou.

“O grande fator de recuperação tem que ser o investimento, em especial o privado. Se tiver marco regulatório, o investimento vem”, emendou Mansueto, citando rodovias e distribuidoras de energia elétrica que foram privatizadas como outros exemplos que deram certo ao serem desestatizados.

Os benefícios de se ter um Assessor de Investimentos