Como está a saúde financeira do setor aéreo na bolsa de valores?

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Foto: Agência Brasil

Na bolsa de valores do Brasil, a B3 (B3SA3), temos listadas duas empresas do segmento de transporte aéreo: a Azul, com o código AZUL4, e a Gol Linhas Aéreas Inteligentes, representada pelo ticker GOLL4.

Nesta análise, vamos buscar avaliar como está a saúde financeira destas companhias, após a crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus e as desvalorizações acumuladas ao longo de 2020.

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Utilizaremos indicadores contábeis e de mercado para corroborar esta análise, mas, antes disso, veremos de modo geral como o setor aéreo foi afetado pela pandemia do novo coronavírus.,

Como a pandemia da Covid-19 afetou o setor aéreo?

Com o referido acontecimento mundial, as companhias áreas estiveram no epicentro da crise, sendo um dos principais segmentos afetados, por conta dos cancelamentos de viagens, por parte dos passageiros, tanto em voos domésticos quanto internacionais, diante da imposição de regras de distanciamento social.

Com o agravamento da pandemia no Brasil, em março, conforme a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), houve uma forte retração na demanda de voos domésticos, num primeiro momento, de 92% e para pousos e decolagens internacionais de 100%. Antes de março, o setor aéreo tinha uma média diária de 2.700 voos domésticos – número que recuou a 180 voos diários no mês de abril (pior momento).

Valor de mercado das áereas

Com isso, o valor de mercado das companhias aéreas foi seriamente afetado. De acordo com a Economática, em 21 de fevereiro de 2020, as principais companhias aéreas do mundo valiam aproximadamente US$ 174 bilhões em bolsa. Já em 11 de março, este valor recuou para US$ 124 bilhões.

No Brasil, somando o valor de mercado de Gol e de Azul (listadas em bolsa), esta cifra recuou, no período, de aproximadamente US$ 8,2 bilhões a, impressionantes, US$ 1,2 bilhões.

Desvalorização do real

Outro fator que agravou a situação financeira das companhias foi a desvalorização do real frente ao dólar.

Devido à corrida dos investidores por ativos de maior segurança como o dólar, houve uma perda extrema de valor da moeda brasileira, o que impactou diretamente o setor.

Percentualmente, 51% das despesas das companhias aéreas estão em dólar, sendo 1/3 do custo delas com querosene e 18% com leasing. Por isso, a valorização da moeda americana afetou muito a saúde financeira das empresas.

Diante de tudo isso, ficou evidente a preocupação em relação ao crescimento e à sobrevivência delas, gerando problemas de desabastecimento de linhas e ofertas de voos, o que agravou ainda mais a logística do País.

Diante disso, o Governo Federal agiu para minimizar os efeitos da crise às empresas. Entre as principais propostas e projetos estiveram o diferimento das tarifas aeroportuárias e a postergação do prazo para devolução de valores aos passageiros que tiverem seus voos cancelados.

Retorno da demanda das aéreas

Para o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, espera-se um retorno de demanda igual ao do período anterior à crise no prazo médio de três anos, com uma recuperação para voos domésticos de curta distância mais rápida e para voos internacionais de forma mais lenta.

Bem compreendida toda essa dinâmica e os efeitos que o setor aéreo vem sofrendo diante da pandemia do novo coronavírus, vamos analisar os indicadores financeiros de Azul e de Gol, que estão listadas na B3.

Indicadores contábeis e de mercado de Azul e Gol

Referente à Azul, os resultados obtidos estão com base no último trimestre divulgado ao mercado no dia 16/11/2020 e os relacionado à Gol Linhas Aéreas Inteligentes nos informados em 04/11/2020.

Para consolidação dos dados e aplicação dos respectivos cálculos, os resultados foram obtidos no site Fundamentus.com.br no dia 21/11/2020:

Azul

P/VP: -0,85;
P/L: -0,91;
VPA: -40,53;
LPA: -37,85;
PSR: 1,63;
ROIC: -37,3%;
Margem líquida: -178,3%

Gol

P/VP: -0,53;
P/L: -1,39;
VPA: -41,48;
LPA: -15,89;
PSR: 0,95;
ROIC: -2,7%;
Margem líquida:-66,6%

Análise dos números

Adicionalmente, gostaríamos de aplicar outro indicador muito utilizado em estudo analítico de uma empresa: o Dividend yield. No entanto, não empregamos como base de comparação porque as empresas não distribuem dividendos.

Muito antes de seu IPO, a Azul não fez pagamento de nenhum dividendo, já a Gol, a outra aérea, está há nove anos sem fazer a remuneração aos acionistas. Portanto, um ponto importante de atenção ao investidor que prospecta investir nessas empresas é que possivelmente não receberá nenhum dividendo. Isso porque ambas não estão apresentando lucro.

Fator determinante

Perante os indicadores apresentados, existe um ponto principal e de extrema relevância, toda empresa, desde que não filantrópica, deve ter em seu DNA a busca incessante por lucro. Uma companhia que não sustenta lucros ao longo de sua vida útil, tende a não se perpetuar no mercado.

Diante disso, destacamos com preocupação os lucros líquidos das empresas do setor aéreo, que normalmente possuem uma margem de lucro muito pequena e como vimos no caso da Azul e Gol, essa margem chega a ser negativa ao longo da vida útil.

Com essa negatividade do lucro na média de vida da companhia, o investidor dificilmente irá decidir ser sócio desta companhia, exceto para especuladores que podem aproveitar oscilações bruscas no mercado para investir no curto prazo.

Conclusão

Vimos os efeitos da pandemia do novo coronavírus no setor aéreo, que agravaram uma saúde financeira fragilizada. Em suma, o investidor que optar por investir nessas empresas deve se atentar ao cenário econômico atual, projetado e ainda mais na atualização dos indicadores aqui estudados, se apontam alguma melhora.

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