Saraiva (SLED4) acumula prejuízos mesmo após recuperação judicial

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação / Humberto Souza / Saraiva

Nem mesmo com as medidas adotadas para recuperação judicial, as livrarias Saraiva (SLED4) e Cultura evitaram seguir com prejuízos em seus balanços. A crise do mercado editorial brasileiro é mais profunda do que foi escalonado pelas empresas.

Entre as duras medidas implantadas está o enxugamento do operacional, com fechamento de lojas e demissão de funcionários. Desde 2017, as duas empresas já fecharam 54 de suas lojas, o que equivale a 38% do total, e demitiram 2.451 funcionários, quase metade do quadro. Nada disso foi suficiente.

Prejuízos

A Saraiva foi fundada em 1914 por Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva, imigrante português, em São Paulo. A centenária companhia chegou a adquirir a Livraria Siciliano, outra grande do setor, em 2008 e passou a ter 20% do mercado no Brasil.

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Mas, de janeiro a dezembro de 2019, acumulou um prejuízo líquido de R$ 155,4 milhões e uma série de ações trabalhistas na Justiça.

Chegou a ter 112 lojas, em 2017. Com a recuperação judicial, reduziu seu porte para 73, além de responder a 30 ações de despejo na Justiça. No final de 2018, sem conseguir pagar dívidas de R$ 675 milhões, recorreu à recuperação judicial para ter fôlego e tentar evitar a decretação da falência. Os fornecedores exigiram e obtiveram o afastamento do CEO, Jorge Saraiva Neto, bisneto do fundador, tido como principal responsável pelo fracasso da empresa nesses tempos de crise.

A Livraria Cultura também enfrenta dificuldades e está em recuperação desde 2018. Sua dívida é de R$ 285,4 milhões. Mesmo assim, assim como a Saraiva, de janeiro a novembro de 2019, listou um prejuízo líquido de R$ 37,7 milhões.

Perspectiva de melhora da Saraiva

O novo conselho de administração da Saraiva, após afastar Jorge Saraiva Neto, escolheu Luis Mario Bilenky para comandar a empresa. Ele já foi presidente da Blockbuster e diretor de marketing do McDonald’s para a América Latina.

O advogado Ronaldo Vasconcelos, administrador nomeado pela Justiça para acompanhar o processo de recuperação da Saraiva, está otimista com o futuro: “o cenário é de atenção, mas com perspectiva de melhora. Com a profissionalização da gestão, deverá voltar a dar lucro ao longo deste ano”.

De fato, apesar do prejuízo apontado no balanço, é um déficit que vem diminuindo. O último balanço apresentado, de novembro, foi de R$ 13,25 milhões, 54,5% menor na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de R$ 29,14 milhões. A Saraiva tem plano de se desfazer de imóveis que poderia abater uma parte da dívida.

Vácuo

Enquanto as duas empresas seguem tropeçando nos números e nos seus obstáculos, outras empresas vão ocupando o vácuo deixado no mercado livreiro brasileiro: a Travessa, a Mandarina, a Megafauna, e a Livraria da Tarde. Mas a mais importante delas é, sem dúvida, a mineira Livraria Leitura.

Ainda no começo de 2020, a Leitura deve se tornar a maior livraria do país. “A expectativa é que o mercado volte a crescer neste ano”, diz o otimista Marcos Teles, presidente da Leitura.

Já são 72 lojas, com uma nova prestes a ser inaugurada, no Shopping Ibirapuera, um dos mais tradicionais de São Paulo. Com 73 lojas, se iguala ao tamanho da Saraiva, mas com caixa mais saudável, enquanto a centenária luta para se manter em pé. Até o final de 2020, mais sete lojas devem abrir, levando a Leitura a ter 80, a maior do país.

A Livraria Leitura foi criada em 1967.

Com informações da Folha de São Paulo.