SP terá flexibilização gradual da economia; ações de shoppings sobem

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / YouTube / Governo de São Paulo

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (27) a prorrogação da quarentena no estado por 15 dias, a partir de 1º de junho. Além disso, divulgou o Plano São Paulo, que propõe flexibilização progressiva das atividades econômicas, dependendo dos avanços de cada região e município no combate ao novo coronavírus.

“A partir do dia 1º de junho, por 15 dias, manteremos a quarentena, porém, com uma retomada consciente de algumas atividades econômicas no estado de São Paulo”, anunciou o governador João Doria (PSDB), na diária coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

O anúncio do governo paulista fez ações de administradoras de shoppings subirem. Iguatemi (IGT3) avança 2,38% (R$ 34,47); Multiplan (MULT3) +0,18% (R$ 21,82); BrMalls (BRML3), +0,30% (R$ 10,02). Aliansce Sonae (ALSO3) recua 0,86% (R$ 26,60).

O governador vem sendo pressionado por uma minoria barulhenta nas ruas, com carreatas, e caminhoneiros fechando vias pedindo o fim do isolamento social, como deseja o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Nos bastidores, o governo também recebe pressões de empresários e entidades para a reabertura.

“Até o dia 31 de maio, a quarentena em São Paulo vai salvar 65 mil vidas. Abrimos sete hospitais de campanha, aumentamos em 60% o número de leitos em hospitais públicos, já temos 600 novos respiradores em operação”, afirmou o governador.

“A fase denominada retomada consciente seguirá a orientação da ciência, com dados técnicos para permitir a gradual e segura retomada”, acrescentou Doria.

Plano São Paulo

O anunciado Plano São Paulo é uma proposta que prevê cinco etapas, casa fase com uma cor, atribuída à região e ao município, de acordo com seu enfrentamento à pandemia.

Os critérios definidos pela secretaria estadual de Saúde levam em conta disponibilidade de leitos em hospitais públicos a cada 100 mil habitantes, redução “consistente” do número de casos da doença, distanciamento social em ambientes públicos, uso obrigatório de máscaras.

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O governo, entretanto, não especifica como critérios como distanciamento social em ambientes públicos e uso de máscaras serão fiscalizados.

A cada sete dias o município e a região será reavaliados. Caso os critérios positivos se mantenham, a cada 14 dias, a região ou município poderá avançar para fases menos restritivas.

  • Fase 1 (vermelha): a mais restritiva, com funcionamento somente de serviços essenciais
  • Fase 2 (laranja): libera apenas atividades imobiliárias, concessionárias, escritórios, comércio e shopping centers, “com restrições”
  • Fase 3 (amarela): libera as atividades acima sem restrições, exceto comércio e shopping centers, que têm funcionamento com restrições, e inclui a abertura restritiva de bares, restaurantes e similares e salões de beleza
  • Fase 4 (verde): a mesma da Fase 3, com adição de academias, que podem abrir “com restrições”
  • Fase 5 (azul): tudo funcionando, exceto cinemas, teatros e eventos que gerem aglomerações, como shows, esportes profissionais com público etc.; “mas mantendo medidas de distanciamento e higiene”

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Em todos os 645 municípios, a indústria e a construção civil seguem funcionando normalmente.

A escala será aplicada a 17 regiões distintas do território paulista, de acordo com a abrangência dos Departamentos Regionais de Saúde (DRSs), que são subordinados à secretaria de saúde. São os DRSs que determinam a capacidade de atendimento, transferências de pacientes e remanejamento de vagas de enfermaria e UTIs nos municípios.

Nenhuma das 17 regiões do estado está na Fase 5.

Capital paulista

Segundo informa o governo, a capital paulista, o maior centro financeiro e comercial do país, está inserido na Fase 2, a laranja.

Os setores que desejarem a reabertura precisam apresentar à prefeitura os planos para se enquadrar nos protocolos definidos. É a gestão municipal quem vai decidir quem pode e quem não pode retomar as atividades.

Mais uma vez, não foi definida a fiscalização de quem conseguir reabrir.

Curva achatada

O governo defendeu a estratégia adotada desde o início.

“A nossa curva é 10 vezes menor exatamente pelas medidas adotadas e por esse controle que está sendo feito. E também estamos verificando uma desaceleração do crescimento da epidemia. Estamos, sim, na etapa de crescimento, mas num crescimento de ritmo menor”, afirmou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, na entrevista coletiva.

O ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, que ganhou notoriedade na gestão de Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), juntou-se ao Comitê de Contingência para o Coronavírus de São Paulo.

Ele refutou que “as pessoas que dizem que as medidas que foram tomadas pelos governadores, pelos prefeitos não surtiram efeito no achatamento da curva. Isso não é verdade e isso precisa ser contestado com muita veemência”.

“Na verdade, deveríamos dizer que, apesar de todas as medidas, o número de óbitos é muito menor do que se não tivéssemos tomado todas essas medidas”, defendeu.

Megaferiados em São Paulo

Com relação à semana de “megaferiados”, que anteciparam datas festivas para semana que passou, Doria defendeu a atitude, dizendo que as datas ajudaram a aumentar o isolamento social no estado.

“Tivemos êxito por esse esforço coletivo, como o dos feriados prolongados. Foram seis dias, graças à iniciativa do prefeitura e do governo do estado. Nos feriados prolongados conseguimos um isolamento que, na média, subiu 2%. Pode parecer pouco, mas não é. Significa que 880 mil pessoas que ficaram em suas casas”, disse.

O estado antecipou os feriados municipais de Corpus Christi (13 de julho) e Dia da Consciência Negra (20 de novembro), para, respectivamente, 20 e 21 de maio, e de 9 de julho, estadual, para 25 de maio.

Nessas datas, o isolamento ficou em 49%, em 20 e 21 de maio, e 51%, dia 25. Na semana anterior, dia 13 de maio teve 47%; dia 14, 48%; e dia 18, 49%.

A meta de isolamento ideal defendida pela secretaria estadual de saúde é de 70%, mas a pasta tem aceitado como nota de corte 55% de isolamento, inclusive comno medida para que a região ou município possa se enquadrar na reabertura.

Impacto na rede

Até a terça-feira (26), o estado de São Paulo tinha 73,3% da capacidade de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupada. Em enfermaria, a ocupação chega a 56,6%.

Na região metropolitana de São Paulo, a ocupação de UTI é de 86,7% e de enfermaria, 77,1%.