São Paulo prorroga quarentena até 31 de maio

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / YouTube / Governo de São paulo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou na manhã desta sexta-feira (8) que a quarentena no estado está prorrogada até o dia 31 de maio.

A previsão é de que ela se encerrasse em 10 de maio, mas os números cada vez maiores de casos e mortes, além dos baixos índices de isolamento social, fizeram o governo adiar a decisão de relaxar as medidas restritivas.

“Os dados mostram um crescimento desde o início da quarentena até aqui, e com um agravamento nos últimos 15 dias em que, coincidentemente, se observou uma maior movimentação de pessoas e caiu a taxa de isolamento para 50%, 49%, 47%. Isso causou, provavelmente, estas condições que nós estamos vendo aqui hoje”, disse o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, durante a coletiva diária, em que foi anunciada a prorrogação da quarentena.

Ocupação de leitos em São Paulo

A ocupação de leitos chega a 90% na Grande São Paulo e o governo diz que se isolamento não aumentar, certamente haverá problema para atender todos os pacientes.

“Nós estamos prorrogando o período de quarentena, mas eu gostaria de ressaltar que a prorrogação tem que estar acompanhada também de uma melhora da nossa taxa de isolamento. Taxa de isolamento que tem que estar aproximadamente entre 55% e 60%. Se não conseguirmos isso, nós teremos problemas para o atendimento dos pacientes”, acrescentou Germann.

Ele informou que a taxa de ocupação de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) no interior do estado é de 70% e de enfermaria, 51,7%. Na Grande São Paulo, o quadro é mais grave: a ocupação de UTI é de 89,6% e de enfermaria, 74%.

“Nós podemos chegar entre 9 mil e 11 mil mortos, considerando 55% de afastamento social. Se for menor, obviamente que esses números serão piores. Essa curva tem que ser analisada diariamente. O que não pode acontecer é essa taxa de contágio subir, e subirá inevitavelmente se a taxa de redução da mobilidade social cair. Se estivesse em torno de 30%, a curva teria uma inclinação íngreme e nós estaríamos diante de uma situação muito difícil de ser enfrentada”, afirmou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.

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Ale afirma que até o fim do novo período da quarentena, com o cenário que está colocado hoje, a previsão é de 90 a 100 mil casos no estado de São Paulo, com algo entre 9 mil e 11 mil mortos.

Possibilidade de bloqueio total

Com o decreto da quarentena, continuam autorizados a funcionar apenas os chamados serviços essenciais: farmácias, supermercados, açougues, postos de gasolina, serviços de saúde e veterinária, padarias e indústrias em geral. Bares, restaurantes e cafés só podem servir no sistema de delivery.

Sobre a possibilidade do estado adotar o bloqueio total, ou lockdown, Doria afirmou que embora a medida não esteja prevista, ela não está descartada. Hoje, segundo cálculos do estado, 74% da economia paulista está funcionando, o que compromete também o alcance da taxa de isolamento social desejada.

“Não descartamos nenhuma outra medida mais restritiva. Não estamos propondo lockdown, mas ele não está descartado. Esperamos que isso não tenha que ser praticado, mas isso vai depender muito de vocês (cidadãos)”, disse Doria.

“Fique em casa”

O apelo do secretário Germann é claro: “fique em casa”.

“Eu peço a todos que fiquem em casa, salvem-se em casa e usem máscaras. Essas são as armas que os temos hoje para que esses números gradualmente comecem a diminuir”, disse o secretário estadual.

“São Paulo acredita na ciência e quero voltar a reafirmar que São Paulo confia nos médicos que salvam vidas. Pelo amor à vida, às pessoas e por repeito à medicina, nós prorrogamos essa quarentena”, disse Doria.

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