São Paulo: fila de espera de testes para Covid-19 é de 30 mil

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução Valter Campanato/Agência Brasil

O estado de São Paulo é a unidade federativa mais afetada pela pandemia do novo coronavírus no Brasil. São 7.480 casos confirmados e 496 mortos, uma taxa de mortalidade de 6,63%. Mas pode piorar. O Instituto Adolfo Lutz, responsável pelas análises, acumula uma fila de cerca de 30 mil exames para investigação.

O governador João Doria (PSDB) chegou a anunciar uma força-tarefa para acelerar os testes, mas a fila segue aumentando. As informações estão em boletim epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, divulgado até o dia 8 de abril.

Se fosse um país, São Paulo seria o 20º em todo o mundo em número de infectados. Estaria a frente de populações como da Índia (6.725 casos e 226 mortos), Irlanda (6.574 e 263), Noruega (6.162 e 108) e Austrália (6.104 e 51). O Brasil é o 14º.

Fila só aumenta em São Paulo

São 42.895 amostras recebidas para análise. Dessas, 6.374 estão em triagem, 1.976, em encaminhamento e outras 21.661 encontram-se em análise, totalizando 30.011 testes ainda sem resultado.

Para se ter uma ideia da demora do processo, há nesse montante testes realizados em fevereiro.

Segundo informa o jornal O Estado de S. Paulo, “o número atual de exames na fila é 150% superior ao registrado no dia 30 de março, três dias antes de o governador anunciar a força-tarefa. Na ocasião, eram 12 mil testes à espera de avaliação, de acordo com o governo”.

“Além das amostras que aguardam resultado, há ainda 392 testes cancelados e 1.969 não realizados (o motivo não foi informado). Do total de exames recebidos para Covid-19 desde fevereiro, só 10.523 tiveram resultados liberados, o que equivale a apenas 24,5% do total”, segue o jornal.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Importância da rapidez

Além da subnotificação por casos assintomáticos e afins, outro problema é essa demora para o resultado. Isso impede não só que o número real de infectados e mortos seja conhecido, como angustia pessoas e familiares.

Mais do que isso, infectados podem estar infectando outras pessoas sem saber.

A médica sanitarista Ana Freitas Ribeiro, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, disse ao jornal paulista que “essa demora dificulta o monitoramento da epidemia e o acompanhamento do impacto das medidas de controle. Fica difícil saber se estamos conseguindo desacelerar a transmissão. Precisaria de modelos para estimar, mas eles podem ser frágeis, dependendo da metodologia e da informação empregada”, diz a especialista”.

A subnotificação, que pode chegar a 17%, segundo estudos, revela que os números da crise podem ser muito maiores do que os divulgados.

Em São Paulo, a direção do Cemitério da Vila Formosa, o maior da América Latina, na zona leste da cidade, reconheceu que muitos enterros foram feitos paralelamente ao aumento da pandemia na capital paulista, enquanto que as simples suspeitas, sem confirmações por falta de serem testados, fizeram os funcionários enterrar os corpos com caixões lacrados e bolsas especiais, impedindo inclusive o ato humanitário e social de despedida dos familiares.

O epidemiologista Eliseu Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), destacou para o Estadão a importância do diagnóstico rápido também para o manejo correto dos pacientes: “principalmente entre os que estão internados, o ideal é que você os mantenha separados de outros doentes para evitar a contaminação. Isso protege também o profissional de saúde. Sem os testes, podem ficar misturados pacientes com problemas respiratórios causados por uma influenza e aqueles com Covid-19”.

Rede de laboratórios

O Instituto Adolfo Lutz diz que o governo estadual mobilizou uma rede de 45 laboratórios, públicos e privados, para tentar zerar a fila de testes. Tal rede teria capacidade de processar 8 mil testes por dia.

Dessa rede, porém, 11 laboratórios ainda aguardam o credenciamento para poderem processar.

O Instituto Butantã diz que São Paulo já conta com 99 mil kits para teste e que outros 725 mil foram importados e devem estar disponíveis até domingo (12).

LEIA MAIS
Covid-19 avança: país tem 17.857 casos e 941 mortes

Pandemia de coronavírus começa a afetar arrecadação dos Estados