Santander (SANB11) cita Best Buy ao falar de rivais e diz querer ser uma ‘bantech’

Joana Kurtz
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Crédito: Reprodução / Facebook Santander Brasil

Analistas do mercado que participaram da teleconferência de resultados do Santander (SANB11) nesta manhã não deixaram de perguntar sobre a concorrência. Sabe-se que as fintechs (startups do sistema financeiro) têm tomado espaço dos grandes bancos de varejo do País que, até poucos anos atrás, enfrentavam baixa competição, na comparação com outros países em que o número de instituições financeiras é bem maior.

O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, e o diretor de Relações com Investidores, Angel Santodomingo, responderam que estão atentos às mudanças no mercado e esperam que o Santander se torne uma “bantech”, uma mistura de banco com fintech.

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“Veremos o início de novas plataformas de serviços financeiros e estamos nos preparando para estarmos na liderança, antecipando as tendências futuras”, disse Rial.

Best Buy

Durante a teleconferência, eles fizeram comparações com a varejista americana Best Buy. Diziam que a empresa não aguentaria a competição com a Amazon e iria fechar as portas, lembraram.

Mas a Best Buy conseguiu se adequar aos novos tempos, tornando-se um espaço para qualquer marca e focando na simplicidade com o cliente, disseram. Lembraram que mesmo a Amazon promoveu uma transformação drástica no espaço de e-commerce.

Os executivos ressaltaram que muitas mudanças importantes estão acontecendo no mercado neste ano e pretendem provar que o Santander pode extrair valor de tudo isso, buscando melhorar a experiência do cliente.

O Santander já tenta se reinventar, com, por exemplo, as agências Work/Café, que contam com espaço de coworking, cafeteria, wi-fi gratuito e horário de atendimento estendido. Haverá ainda lojas voltadas apenas para pequenas e médias empresas e outras agências segmentadas, explicaram.

Dividendos

Em 2019, o banco distribuiu R$ 4,010 bilhões na forma de juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 6,790 bilhões na forma de dividendos, totalizando R$ 10,800 bilhões, o que representa uma expansão de 63,6% em relação ao ano anterior.

No quarto trimestre do ano passado, foram definidos os valores de R$ 1,010 bilhão em JCP e R$ 6,790 milhões em dividendos, que serão pagos a partir de 21 de fevereiro deste ano.

Questionados por um analista se seria possível manter o payout (porcentual de pagamento de juros e dividendos sobre o capital) de 50%, responderam que dependerá do crescimento do nível de capital, mas o índice de 50% será a referência do banco. Assim, a expectativa é manter “mais ou menos” o nível atual.

O dividend yield em 2019 foi de 5,9%.

Os resultados do Santander Brasil, unidade que contribuiu com 28% dos resultados do Santander no mundo, foram considerados bons pelos executivos. Rial ressaltou que 2019 foi o quarto ano de crescimento contínuo.

Resultado

O lucro líquido gerencial do Banco Santander em 2019 totalizou R$ 14,550 bilhões, com expansão de 17,4% na comparação com 2018.

no quarto trimestre do ano passado, o lucro líquido gerencial do Santander atingiu R$ 3,726 bilhões , com leve aumento de 0,6% na comparação com o terceiro trimestre. Na comparação com o quarto trimestre de 2018, houve aumento de 9%.

O lucro líquido gerencial corresponde ao lucro líquido societário, com a exclusão do resultado extraordinário e a reversão de 100% da despesa de amortização do ágio, ocorrida no período.

A despesa de amortização do ágio foi de R$ 93 milhões no quarto trimestre de 2019, de R$ 97 milhões no terceiro trimestre de 2019 e R$ 70 milhões no quarto trimestre de 2018.

Margens

A margem financeira bruta somou R$ 12,241 bilhões, no quarto trimestre de 2019, com aumento de 4,7% na relação com o terceiro trimestre de 2019. No ano, foram R$ 46,695 bilhões, com alta de 6,4%.

O spread de crédito observara trajetória de queda contínua desde o segundo trimestre do ano passado, quando atingiu 10%. No quarto trimestre, o spread foi de 9,3%.

A receita de prestação de serviços e tarifas bancárias somou R$ 4,803 bilhões, com leve aumento de 1,5% na comparação com o terceiro trimestre de 2019. No ano, a cifra foi de R$ 18,684 bilhões, com aumento de 8,1%.

Calotes

Os indicadores de calotes sofridos pelo banco melhoraram. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,9% no quarto trimestre de 2019, com recuo de 0,1 ponto porcentual ante os três meses imediatamente anteriores.

O mesmo porcentual foi observado ao longo de 2019, com declínio de 0,2 ponto na relação anual.

O resultado de créditos de liquidação duvidosa ficou negativo em R$ 2,619 bilhões nos últimos três meses de 2019, uma melhora de 7,1% na comparação com os R$ 2,820 bilhões do trimestre imediatamente anterior.

No acumulado de 2019, o resultado de créditos de liquidação duvidosa totalizou R$ 10,861 bilhões, com estabilidade ante 2018.

Carteira de crédito

A carteira de crédito encerrou 2019 com R$ 352,028 bilhões, aumento de 15,2% na comparação anual. Os empréstimos às pessoas físicas foram um dos destaques, com evolução de 17,2%. A menor expansão foi a de grandes empresas, com 11,9%.

O crédito à pessoa física somou R$ 155,338 bilhões no final de dezembro de 2019, crescimento de 17,2% em doze meses, com expansão de duplo dígito em todas as linhas, sendo destaques os produtos de crédito consignado, crédito imobiliário e cartão de crédito. Em três meses, o saldo total de pessoas físicas cresceu 5%.

A carteira de financiamento ao consumo, que é originada fora da rede de agências, somou R$ 58,231 bilhões no final de dezembro de 2019, crescimento de 16,3% em doze meses e de 5,6% em três meses.

Do total dessa carteira, R$ 48,335 bilhões referem-se a financiamentos de veículos para pessoa física, o que representa um aumento de 17,2% em doze meses.

“Diante de um novo perfil do consumidor e concorrência mais acirrada, fomos capazes de expandir nossa base de clientes de forma sustentável e fortalecer os relacionamentos já existentes. Como resultado, nossa carteira de crédito apresentou um crescimento anual de duplo dígito, mantendo os indicadores de qualidade em patamares controlados, decorrente da robustez dos nossos modelos de riscos e gestão ativa. Dessa forma, registramos crescimento anual de receita total em função da expansão tanto da margem financeira quanto de comissões”, diz o release de resultados.

Indicadores de desempenho

O Retorno sobre o patrimônio líquido médio excluindo ágio anualizado ficou em 21,3% em 2019, ante 19,9% em 2018, com melhora de 1,5 ponto. Já o Retorno sobre o ativo total médio excluindo ágio anualizado atingiu 1,8%, em comparação a 1,7% em 2018, com aumento de 0,1 ponto.

O Índice de Eficiência ficou em 39,8% em 2019, recuo de 0,8 ponto na comparação anual. O Índice de Basileia atingiu 15,04%, com relativa estabilidade, na mesma base comparativa.

O banco encerrou o quarto trimestre do ano passado com 47.819 funcionários, 1.663 a menos que o registrado apenas três meses antes.

Tá, e aí?

Em análise sobre o resultado, a XP Investimentos destacou que o Santander Brasil divulgou “bons lucros”, auxiliado por maiores receitas, custos sob controle e melhoras na inadimplência.

“O lucro veio em linha com as nossas estimativas, em R$3,7 bilhões, o que implica em um retorno sob patrimônio líquido de 21,3% (vs. 19,9% no mesmo trimestre do ano anterior).”, destacou o analista do setor financeiro Marcel Campos.

Para o analista da XP, entretanto, a preocupação fica por conta, principalmente, da qualidade das receitas. Segundo ele, as receitas de serviço pararam de crescer, e ainda sim ajudadas por linhas consideradas de pouca sustentabilidade.

“Já a margem financeira foi novamente ajudada por ganhos de tesouraria, enquanto a margem financeira que vêm do crédito tem consistentemente crescido menos do que a carteira devido ao menor spread”, pontuou.

Sinais negativos

A XP considera estes sinais negativos, principalmente levando em conta o cenário traçado pela frente, que é de “maior competição em serviços, principalmente devido a maior competição de fintechs, corretoras independentes e novos entrantes”.

Adicionalmente, os analistas pontuam que a Selic na maior baixa da história e o teto do juro no cheque especial devem “continuar afetando a margem financeira do banco em 2020”.

Sinais positivos

No lado positivo, a XP aponta duas surpresas: “os modelos do Santander continuam provando ser uma grande vantagem comparativa do banco, uma vez que estão conseguindo manter baixa ou mesmo melhorar a inadimplência do banco mesmo em um cenário onde a carteira está se voltando para segmentos mais arriscados, como pessoa física, pequenas e médias empresas”.

Outro ponto que agradou foi o fato de que o banco tem conseguido manter suas despesas sob controle, crescendo abaixo da inflação, e essa eficiência vai ser um indicador importante da rentabilidade futura do banco, concluiu a Campos, no relatório.

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