Saiba mais sobre o nível seguro de criptoativos para o seu portfólio

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.

Crédito: Créditos: Getty Images

De acordo com o colunista da Money Times, João Marcos Braga da Cunha, há um nível seguro de investimentos em criptoativos com a criação de um portfólio bem estruturado. Ainda que o mercado de criptomoedas apresente as suas oscilações características, é possível se aproveitar dos retornos potencialmente altos dele sem ter o ônus de estar exposto a um risco desnecessário.

Em primeiro lugar, os criptoativos, geralmente, são pouco correlacionados aos demais ativos dos mercados. Logo, pode-se investir nessa classe até uma determinada proporção de uma carteira sem aumentar sua volatilidade total, por conta do chamado efeito diversificação.

Deste modo, a provocação que fica em mente é a seguinte: qual é a medida de segurança necessária para investir em criptomoedas em nível minimamente seguro?

Segundo Braga da Cunha, para responder essa provocação é necessário explicar de modo empírico.

Ao simular diversas carteiras de investimentos compostas por diferentes proporções de benchmarks das principais classes de ativos locais que são: a renda fixa (CDI e IMA-B), multimercados (IHFA) e renda variável (Ibovespa). Tendo como base o Hashdex Digital Assets Index (HDAI), publicado pela Nasdaq, como um índice representativo do mercado de criptoativos (convertido em Reais), podemos determinar diretamente o máximo percentual em cripto que não aumenta a volatilidade total de cada carteira simulada, assumindo que os outros benchmarks serão diluídos de forma a manter proporções originais entre eles. O gráfico abaixo mostra os resultados obtidos:

Cada ponto é determinado pela combinação dos quatro benchmarks locais. No eixo horizontal, temos a volatilidade anualizada dos retornos das carteiras nos últimos três anos. Enquanto que na vertical, há a parcela de HDAI que manteria o inalterado nível de volatilidade nesse período. Podemos perceber que existe uma relação positiva entre a volatilidade do portfólio e tolerância a criptoativos.

Com a análise da função, é possível observar uma relação parabólica bem definida. Com este cenário, surge mais uma provocação: há uma regra simples em associar, de forma aproximada, a volatilidade da carteira e o nível seguro de criptomoedas? Conforme Braga da Cunha, sim, pois o percentual é dado pelo quadrado da volatilidade dividido por 40.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Se uma carteira, por exemplo, ter uma volatilidade de 10%, ela consegue suportar até 2,5% de critptomoedas. A linha contínua no gráfico é a “regra de bolso” que garante uma maior segurança em investir nas criptomoedas. Além disso, é importante notar que a grande maioria dos pontos está a cima da linha, o que indica que a tolerância observada nos últimos três anos teria sido ainda maior na prática.

A “regra de bolso” pode ser derivada algebricamente com base em três premissas:

  • os retornos da carteira são pouco correlacionados aos do índice de cripto,
  • a volatilidade dos retornos do índice é de 90% ao ano,
  • a volatilidade dos retornos da carteira é substancialmente menor que a do índice.

Quanto mais próximos de satisfazer essas premissas, mais apurada será a aproximação dada pela regra. Isso independe de quais ativos e classes de compõem a carteira ou da moeda na qual ela cotada.