Saiba como passar a quarentena sem grandes prejuízos financeiros

Rebeca Torres
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Crédito: Stevepb / Pixabay

Umas das preocupações principais das pessoas nessa época de quarentena forçada, por conta do avanço da epidemia do novo coronavírus, é com a saúde. Mas a questão financeira não pode ser deixada de lado.

Saiba como passar a quarentena sem grandes prejuízos, de acordo com informações da reportagem do portal e-investidor, do jornal O Estado de S.Paulo; Consultamos também a opinião de dois planejadores financeiros CFP da Planejar..

Sobre quais os melhores caminhos a se percorrer para reduzir o impacto em meio à crise gerada pelo coronavírus, o planejador financeiro CFP da Planejar, José Raymundo de Faria Júnior, explica que: “ainda é muito cedo para saber a extensão  do impacto. Em termos econômicos, vai depender de quanto as quarentenas, que estão sendo determinadas por Estados e municípios, irão durar. Quanto mais longo os períodos, maior o impacto”.

Segundo ele: “esse impacto vai depender muito do seu ramo de atuação e da forma de remuneração. O setor de serviço tende a ser o maior prejudicado, afinal, se deixar de contratar um serviço hoje (festa de aniversário, salão de beleza, ida ao cinema), não tem como recontratar no futuro. Da mesma forma, quem é autônomo, que não tem salário e nem rede de proteção social, caso seja demitido (rescisão de contrato de trabalho, FGTS e seguro desemprego). Por isso, se está em casa de quarentena ou fazendo Home Office, aproveite melhor o tempo esses dias para trabalhar nas suas finanças”.

Já na opinião de Eliane Tanabe, também planejadora financeira da Planejar, a premissa é de que: “Isso dependerá do contexto geral de cada pessoa ou família, mas como regra geral, para reduzir os impactos desta crise gerada pelo coronavírus, além de cuidar da saúde e manter o isolamento social, as pessoas precisam analisar detalhadamente os gastos prioritários no orçamento mensal para os próximos meses, buscar cortar ou reduzir tudo o que for possível, priorizando alimentação, saúde e contas essenciais como água, luz, condomínio etc”.

”Também é preciso revisar os investimentos financeiros, priorizando recursos de emergência, ou seja, reforçar o montante aplicado em produtos conservados e de liquidez imediata em caso de necessidade de acessar esses recursos. Para aqueles que possuem dívidas, há a possibilidade de prorrogar 2 parcelas de contratos adimplentes por 60 dias. Também é indicado avaliar como o pagamento das parcelas de outros contratos poderão continuar sendo pagos dentro do previsto”, finalizou ela.

Principais efeitos colaterais da quarentena

Quando questionado sobre os principais efeitos colaterais nas finanças que serão causados pela pandemia do novo coronavírus, José Raymundo explicou: “É muito importante, antes de fazer qualquer investimento:

1 – Ter uma reserva de emergência de pelo menos 6 meses. Esse recurso deve ser aplicado buscando segurança e liquidez. Assim, Tesouro Direto Selic, CDB, poupança e fundos DI simples são alternativas;

2 – Conhecer o perfil de risco e o mais importante, entender o conceito de aversão à perda, aliás, perda é o que mais os investidores estão sofrendo nesse momento;

3 – Selecionar investimentos baseados nos nossos desejos e necessidades. Em outras palavras, investimentos para atingir metas de longo prazo podem ser mais arriscados, mas os investimentos para atingir metas de curto prazo devem ser mais conservadores.

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Tanabe também deu sua versão e disse: “O primeiro impacto tem sido nos investimentos de risco devido às oscilações nas operações no mercado financeiro (bolsa, dólar, juros, etc). Isso requer uma atenção especial, para reforço das estratégias de contingência como o fortalecimento do montante de recursos de emergência. Outro efeito sobre as finanças é a preocupação com a renda, especialmente para aqueles que vivem com renda instável ou dependem de comissões de vendas, por exemplo”.

“Neste caso, será a hora de acionar as reservas de emergência para custear os próximos meses de orçamento familiar. Outro impacto e, desta vez, favorável é a redução imediata de gastos com vestuário, restaurantes, gastos pessoais em geral, dado que o comércio todo está fechando suas portas, mas vale uma atenção. Não cair na tentação das compras online. Agora não é hora de gastos e sim de preservar recursos para categorias prioritárias como alimento e saúde”, concluiu.

Gastos que vou ter nessa época

Muitos são os gastos que podem aparecer com o avanço da pandemia, por isso deve-se ter um cuidado redobrado para não gastarmos mais do que o nosso orçamento permite.

Sobre o assunto, o planejador financeiro esclarece que: “Os maiores gastos estão relacionados às despesas fixas. Deve-se passar um pente fino para tentar reduzi-las. É importante você ter responsabilidade social e, se possível, mantenha o pagamento dos seus funcionários como diaristas, doméstica, babá, passeador de cachorros. É importante!”.

Eliane Tanabe também diz: “Nesse período de isolamento os maiores gastos serão em alimentação (supermercados), saúde (plano de saúde e medicamentos) e educação (escola).

Com o que devo me preocupar mais nessa época

Em contrapartida, também há um certo questionamento sobre qual deve ser a nossa preocupação maior diante de todo esse cenário um tanto quanto pessimista causado pela crise. Na visão de José Raymundo: “A maior preocupação é com a renda. Muitas pessoas podem perder o emprego. Antes de aplicar os recursos no mercado financeiro, revisite o seu orçamento e pense friamente como ficará o seu emprego ou o seu negócio. Pense em se manter e manter a sua família caso um cenário pior aconteça. Precisará de reserva para prosseguir com sua vida”.

Já Tanabe esclareceu: “Deve se preocupar com o fluxo orçamentário para os próximos meses, avaliar gastos prioritários, reforçar a reserva de emergência (ou segurança), rever e monitorar os investimentos e acompanhar as parcelas de dívidas. Nesse último, se for o caso e se possível, negociar”.

Onde investir para sair da quarentena sem prejuízos

Outra questão que vem à mente nessa época, é onde podemos investir nosso dinheiro para que possamos sair dessa quarentena sem grandes prejuízos e maior dor de cabeça.

Para José Raymundo, o principal que devemos levar em conta é: “Nesse momento, salvo se for pouco atingido pela crise, reavalie o seu perfil de investidor (conservador, moderado e agressivo) e reveja como ficaram os seus projetos para depois aplicar. Ter um plano e segui-lo é importante. A busca por ajuda profissional pode ser altamente recomendada. Evite ir para a bolsa somente porque a cotação hoje está em torno de 35% mais baixa do que no início do ano: o cenário mudou”.

Enquanto a opinião de Eliane Tanabe é a seguinte: “Nesse momento de incertezas, prioritariamente manter os recursos em produtos conservadores para reforço de liquidez. Isto, também para que quando o mercado financeiro mostre uma tendência, você possa direcionar melhor para outras estratégias. Já aqueles que têm perfil de investidor mais agressivos, qualquer posição nos mercados de risco, visando aproveitar de momentos de oportunidades, fica o alerta que ainda o cenário é de grande incertezas e volatilidades. Podendo ainda comprometer patrimônios financeiros, talvez até essenciais para a tranquilidade e equilíbrio emocional”.

Que conselho seguir para não termos surpresas negativas

Por fim, ambos os planejadores financeiros, deram dicas de quais conselhos devemos seguir para não termos surpresas negativas em relação às nossas finanças ao final dessa crise.

José Raymundo de Faria Júnior: “Preservar caixa, rever o orçamento e o seu perfil de investidor. Evite ficar muito afoito para aplicar na bolsa devido às recentes quedas e, desta forma, elevar de forma equivocada a parte das ações em seu portfólio”.

Eliane Tanabe: “Mantenha a calma e analise a situação financeira como um todo. Peça ajuda de um Planejador Financeiro Pessoal. É preciso colocar os “pés no chão” e encarar o período com responsabilidade e coerência. Recursos financeiros devem ser preservados para dar assistência em casos de emergências como redução drástica de renda, custos imprevistos com saúde e manutenção de custo de vida básica. Se possível projetar os fluxos de entradas e saídas para os próximos meses a fim de prever como a vida financeira se comportará e pensar em como minimizar possíveis impactos previamente”.

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