Saiba como o investidor deve agir em tempos de crise

Rebeca Torres
null

Crédito: Tumisu / Pixabay

Em tempos de crise como a do coronavírus, é muito importante saber como lidar da melhor maneira com as finanças. Assim, para explicar melhor como o investidor deve agir em momentos como o que estamos vivendo atualmente, o Portal Eu Quero Investir entrevistou dois especialistas, sendo eles: Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV EAESP e André Fernandes, professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Em termos financeiros, como a crise vem afetando sua vida e negócios de maneira geral

Sobre o tema, Fábio Gallo explicou: “A crise está afetando todo mundo e muito fortemente, tanto na perspectiva pessoal, em que a renda de todo mundo está caindo, quanto nos investimentos, em que a bolsa de valores fica parecendo um ”ataque cardíaco” diariamente, sempre sofrendo oscilações”.

Como o investidor deve agir em tempos de crise

Já quando o assunto foi como o investidor deve agir em tempos de crise, Gallo deixou claro que: “Primeiro vamos analisar no ponto de vista em geral, das famílias. Eu sempre digo que a palavra de ordem deve ser organização. Nesse momento, você tem que ser muito mais firme nisso, muito mais organizado. Ou seja, literalmente, firmar o seu orçamento familiar, contar moedas pra saber quanto você tem no banco, quanto você tem pra entrar e saber bem quanto você pode contar de dinheiro.

“Depois você vai pegar suas despesas todas e controlar de forma muito absoluta, pois, não é momento de ficar gastando, comprando ou aproveitando que a internet está com duzentas milhões de ofertas. Já que tá todo mundo meio parado, a internet está ofertando tudo. É hora de você controlar de forma bastante firme, ser bastante zeloso com suas contas”, esclareceu.

”E do lado de investidor, a melhor alternativa é jogar parado agora, porque fazer loucuras e querer ficar trocando de posição ou escutando esses magos do mercado que ficam falando um monte de coisas que não batem na ponta do lápis, você tem que ter calma, principalmente se você tiver no mercado de renda variável, estiver em ações etc, não é hora de sair da posição, lembrar que você perdendo agora, você está tendo perda econômica e se você vender suas ações, você realiza essa perda e passa a ter uma perda financeira. Então, ficar querendo trocar de posição agora é a pior coisa do mundo”, finalizou.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Enquanto a opinião de André Fernandes foi a seguinte: “Em tempos de incerteza, como da crise atual, o investidor tende a se tornar mais avesso ao risco, isto é, procura alternativas de investimentos que sejam mais seguras, menos expostas às oscilações da economia”.

Conselhos e dicas para quem está pensando em realizar algum investimento nessa época de crise

Quando questionado sobre os conselhos e dicas que daria para quem és tá pensando em realizar algum investimento nessa época de crise, Fábio respondeu: “O primeiro conselho que eu daria, é o de pensar muito bem, estabelecer os seus objetivos, não é porque estamos nessa crise que você só vai pensar no curto prazo, ao contrário, pense nos seus objetivos. Procure casar os prazos que você tem pra usar aquele dinheiro, se é o dinheiro de uma reserva de emergência, se é um dinheiro pensando em algo pro seu futuro, como por exemplo, comprar casa ou a escola dos filhos mais pra frente, ou seja, primeiro pensar nisso, pra depois você pensar nas alternativas que o mercado te oferece”.

E a premissa de André foi: “Depende do grau de aversão ao risco do indivíduo e de seus objetivos (para qual fim se destina o investimento, qual o prazo pelo qual se pretende manter o dinheiro aplicado, por exemplo). Se a perspectiva for de prazo mais longo (superior a um ano) e o indivíduo tiver disposição para acompanhar os investimentos mais de perto, pode ser uma boa hora para comprar ações de empresas que tenham um bom potencial de crescimento e de valorização ao longo do tempo”.

”Já se a perspectiva for de prazo mais curto, ou o indivíduo não tiver como acompanhar de perto e constantemente suas aplicações, pode ser mais interessante investimento em ativos de renda fixa (CDBs de grandes bancos, fundos de investimento em renda fixa, títulos de tesouro federal, por exemplo), pontuou ele.

Como investidor, qual a perspectiva para o fim e o pós crise do coronavírus

Sobre qual a perspectiva para o fim e o pós crise do coronavírus, Fábio disse que: “Antigamente a gente brincava que essa pergunta era de 1 bilhão de dólares e agora é de 1 trilhão de dólares, que é a quantidade que os EUA está investindo, de 1 trilhão e 300. A perspectiva de fim eu não sei, mas o pós, também é um cenário muito incerto”.

“No mundo de finanças, a gente sabe muito bem lidar com o risco, mas o que é risco? Risco é quando a gente transforma a incerteza em cenários com probabilidade de ocorrer. Hoje, ninguém, consegue ter realmente a certeza do que vai acontecer. Depende muito, muito, de como as oportunidades de se conseguir lidar com a crise, de como os países vão conseguir suportar esse tsunami da saúde, pra gente poder lidar com isso. Uma coisa, chamada de macro economia, mostra que toda essa filosofia de neoliberalismo não vai perdurar. Na minha cabeça, nós vamos ter que descobrir um novo capitalismo e talvez a gente consiga recuperar mais rapidamente do que é o quadro que está se mostrando agora”, frisou ele.

Já segundo André: “Ainda é cedo para prever o fim e a magnitude desta crise, seus efeitos sobre a economia como um todo. O que se pode afirmar é que os impactos não serão pequenos e que devem perdurar por algum tempo, tanto maior quanto menos os governos atuarem no sentido de amenizar a proliferação do vírus”.

Qual a lição que podemos tirar diante da crise mundial causada por essa pandemia

E, por fim, sobre a lição que podemos tirar diante da crise mundial causada por essa pandemia, Fábio foi enfático ao dar sua opinião: “A primeira delas é essa que os modelos econômicos que a gente hoje tem aplicado, eles não são capazes de responder tudo. Que a gente tem que dar muito mais importância às coisas que são “caras” pra vida, que são importantes pra vida humana e entender que nós estamos aprendendo com a pior pedagogia do mundo, que é a pedagogia da dor. Nós estamos vendo que a gente dá valor e faz um monte de coisas que hoje não tem significado. Todo mundo está apavorado nesse momento. O decreto inicial aqui em São Paulo pelo menos, é o de semana que vem a gente retomar e reabrir os negócios e não tem a menor chance disso. Ninguém está falando isso com clareza. Eu acabei de ver o ministro, Mandetta, falando: Olha, vamos ver como a gente passa a semana que vem. A gente tá falando de como vamos sobreviver até a próxima semana.

“Então, essas lições todas estão sendo muito interessantes e as redes de solidariedade que a gente está tendo que criar, a própria oportunidade de trabalhar de uma forma diferente, com internet e dar aulas por internet, de se relacionar com outros meios de comunicação, e aprendendo também o quanto é danoso, por exemplo. O quanto é importante ter uma imprensa séria, que tenha notícias e que leve realmente conteúdo para as pessoas”, destacou ele.

E André concluiu que: “A teoria econômica possui um conceito chamado de “ciclo dos negócios”, que diz que não há economia que cresça de maneira linear e constante ao longo do tempo, sendo natural acontecerem momentos de crescimento, seguidos por momentos de crise e assim sucessivamente. A pandemia pode ser encarada como uma demonstração clara dessa situação”.

”Além disso, essa crise tem nos mostrado que o bem-estar estar de um indivíduo depende do bem-estar estar do próximo, que a saúde de um depende da saúde de todos. Tem nos mostrado que o altruísmo e o pensar no próximo é a melhor maneira de sairmos mais fortalecidos dessa crise”, finalizou.

https://www.euqueroinvestir.com/incerteza-provocada-pela-crise-poe-investidor-local-numa-encruzilhada/