Sachsida discorda de plano de socorro aprovado na Câmara

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: Sachsida discorda de planos a Estados e Municípios aprovado na Câmara

Secretário de Política Econômica do ministério da Economia, Adolfo Sachsida criticou o plano para Estados e municípios aprovado na Câmara dos Deputados ontem à noite (13).

“Tenho divergências. Quando você garante que Estados vão ter mesmo nível de ICMS do ano passado, São Paulo terá muito mais dinheiro que Piauí. Tá correto isso?”, questionou.

E disse mais: “será que uma transferência per capita não seria superior? Será que transferência por saúde não seria superior?”

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Isso porque da maneira como foi aprovado pelo Congresso, recursos provenientes do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Imposto Sobre Serviço serão redirecionados em maior medida para São Paulo, Estado maior e com muito mais recursos do que todos os outros.

“A transferência tem que ajudar a todos e não ser um instrumento de preservação das desigualdades do país”, frisou.

O secretário concedeu entrevista por videoconferência à XP Investimentos.

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Funcionalismo público

Sachsida também foi enfático ao afirmar que o funcionalismo público deve dar sua cota de contribuição nesse momento de crise.

“Sou servidor e tenho muito orgulho disso, mas tem categorias dentro do funcionalismo que já entram ganhando R$ 15 mil. Será que esta classe não pode ficar sem reajuste por dois anos?”

Para o secretário, se o trabalhador médio teve contrato congelado, antecipação de férias e cortes provisórios no salário, o servidor pode, por período determinado, ficar sem certas regalias.

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Agenda de reformas

De acordo com ele, crises muito sérias como essa fazem cair a qualidade das garantias no ambiente político-econômico.

“Somente retomando as agendas de reformas [no pós-crise], vamos proporcionar ao país uma base sólida. Existe vida após a crise, mas temos que nos preparar para ela”, disse.

Para o secretário, o governo também tem a obrigação de dar os sinais corretos ao mercado. “Temos que ter ajustes além dos econômicos. Precisamos mostrar que somos um povo e um povo unido tem que dar sua contribuição”, declarou.

Manter estrutura produtiva

O secretário explicou que todas as medidas tomadas até então tem por principal objetivo manter as estruturas produtivas do país.

“Precisamos preservar empresas e empregos, principalmente no período de abril, maio e junho”, disse, em referência à expectativa de que a crise leve, em media, mais 90 dias.

Quanto aos recursos injetados na economia, ele disse que é fundamental irrigar o mercado de crédito, mandar dinheiro para os mais pobres e manter as empresas funcionando.

“Porém, não podemos permitir que esse custo transitório se torne permanente”, frisou, acrescentando que o ano de 2020 está comprometido, mas que 2021 está a salvo.

E acrescentou: “temos o pilar macro fiscal que visa manter o teto de gastos preservado. Agora, o déficit primário será reajustado, teremos déficit pior para esse ano, mas é só para esse ano.”

Conforme ele, todas as medidas duram de três a nove meses e estão concentradas em 2020.

Nenhum brasileiro vai ficar para trás

Para Sachsida, nenhum brasileiro vai ficar para trás nesse momento. “Nossa estratégia foi implementar os socorros em ondas, em levas, fazendo com que nosso espaço de tempo se tornasse menor”, disse.

E explicou: “O coronavoucher levou dez dias entre aprovação no Congresso e o início dos pagamentos. Foi rápido e em linha com os manuais de economia modernos”.

O primeiro anúncio do governo foi em 16 de março, quando apresentou o primeiro pacote de R$ 185 bilhões. “Destes, só R$ 28 bilhões afetam o déficit primário”, frisou.

Segundo o secretário, juntando as medidas fiscais e tributárias, o montante injetado na economia chega a quase R$ 1 trilhão.

Coronavoucher

“Maior programa de transferência e renda da história do Brasil, o coronavoucher vai custar R$ 90 bilhões. Um mês desse socorro corresponde a um ano do Bolsa Família”, afirmou.

De acordo com ele, 20 milhões de brasileiros não tinham conta em banco e tiveram que abrir.

Apesar dos avanços, ainda há uma preocupação latente: “fazer o dinheiro chegar onde deve”, declarou, em menção ao empoçamento dos recursos pelos bancos privados.

Isso porque as micro e pequenas empresas estão no sufoco e sem acesso a crédito de forma rápida e simples. As MPEs são as maiores empregadoras do país.

“A questão do crédito para essas empresas nos preocupa. Algumas estão pedindo capital de giro e estão com certa dificuldade”, frisou.