Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3) têm preço-alvo elevado por UBS

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Sabesp (SBSP3)

Após a aprovação do novo marco legal do saneamento, o Banco UBS elevou o preço-alvo de Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3).

A Sabesp segue sendo a favorita do setor para o banco suíço. Dessa forma, UBS reforça a recomendação de compra da Sabesp privatizada. Assim o preço-alvo passou de R$ 98 para R$ 117,00.

Enquanto isso, o preço-alvo da Copasa privatizada passou de R$ 87,00 para R$ 100,00.

Marco histórico

Na visão da XP a aprovação do projeto de lei é um marco histórico e o setor tem uma grande oportunidade para os investidores e pode ser uma alavanca para a recuperação econômica do Brasil.

Isso porque deverá permitir um ciclo de investimentos de centenas de bilhões de reais em saneamento.

O novo marco legal do saneamento teve 11 trechos vetados da nova lei. A XP analisou os vetos que considera mais importantes ao projeto, bem como possíveis desdobramentos futuros e implicações para as empresas do setor.

Veto à indenizações

O artigo 14 previa à indenização de investimentos vinculados e bens reversíveis e não depreciados realizados por empresas estatais por municípios que não dessem anuência a processos de privatização destas empresas e que assumissem a prestação de serviços de saneamento.

A XP vê impacto negativo associado a este veto, pois a restituição de investimentos não depreciados em caso de reversão do advento do termo contratual já é prevista pela lei das concessões.

Além disso, o Marco do Saneamento também realiza alteração na Lei 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, incluindo agora o Paragrafo 5º, que afirma que a transferência de serviços de um prestador para outro será condicionada à prévia indenização de investimentos não amortizados ou depreciados.

“Com a aprovação, acreditamos que os investidores irão agora estão de olho nos governos de Minas Gerais e São Paulo, pois ambos os estados já declararam a possibilidade de privatizar suas empresas estatais de saneamento” diz o Banco UBS em relatório.

Contratos sem licitação

Também foi vetado o artigo que permitia a contração ou renovação de contratos sem processo de licitação. Este veto causou controvérsia no meio político, pois tira as companhias estatais da zona de conforto.

Apesar do burburinho, na visão do UBS dificilmente este veto será revogado, uma vez que deve ser votado pelo congresso, exigindo uma maioria geral (257 deputados e 41 senadores).

Inicialmente, conforme a XP, o veto tem uma implicação negativa para estatais de saneamento que possuem contratos com municípios relevantes com prazo relativamente curto.

Mas, o pode desencadear um movimento de verdadeira transformação do setor de saneamento ao acelerar a competição com o setor privado na prestação de serviços e incentivar diversos governos estaduais a contemplar a possibilidade de privatização de suas companhias estatais.

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Diferenciação

A XP também destacou o veto do artigo 20 que diferenciava o tratamento entre atividades de abastecimento de água e esgotamento sanitário e outros serviços em saneamento básico, como gestão de resíduos sólidos.

Para a XP este veto permite que exista uma competição saudável e a atração de investimentos para a prestação de serviços de saneamento em todas as suas frentes.

Sabesp

O UBS acredita que o governador de São Paulo tem todas as ferramentas para privatizar a Sabesp e isso pode ser
anunciado em um futuro próximo, como também divulgado na imprensa.

Na opinião do UBS, o processo de privatização da Sabesp pode ser mais rápido e fácil.

De acordo com a UBS, se o governador prosseguir com o processo de privatização, é possível que a empresa tenha que se concentrar apenas nas 20 principais cidades, que representam 75,5% da receita total.

Além disso, foi observado que 15 dos prefeitos dessas cidades são do mesmo partido político que o governador de São Paulo.

Se a grande cidade concordar com a privatização (ou renova a concessão que permite a privatização), os pequenos concedentes provavelmente teriam fazer o mesmo, porque a grande cidade, em muitos casos, subsidia a tarifa.

Copasa

De acordo com o UBS, a privatização da Copasa poderia ser mais desafiadora. Isso porque requerer alteração da constituição de Minas Gerais ou aprovação da venda em público referendo.

Conforme o UBS, o governo de Minas Gerais está avançando com o processo de privatização mais rápido que o de São Paulo.

A Copasa anunciou que o Conselho de Privatização de Minas Gerais da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (SEDE) autorizou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a realizar consultas de mercado visando a contratação de serviços técnicos e um serviço de auditoria externa independente necessário para estruturar e implementar o processo de privatização da COPASA.

Copasa

 

Proposta de privatização somente em 2021

Conforme a XP, propostas de privatização de Sabesp e Copasa devem ser apresentadas somente no próximo ano.

Primeiramente, por se tratar de um tema muito sensível, não devem ser apresentas antes das eleições deste ano.

Além disso, a XP acredita que as propostas serão divulgadas após os processos de revisões tarifárias em 2021, devido à grande importância destes processos para se avaliar o valor destas companhias.