Rússia e Arábia Saudita estão próximos de acordo sobre corte na produção de petróleo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e outros países exportadores de petróleo mantiveram conversas nessa quinta-feira (9) para tentar encerrar a guerra de preços do petróleo, iniciada no mês passado, e controlar o mercado produtor durante a pandemia do Covid-19.

A Rússia e a Arábia Saudita, que não se entenderam nessa questão em todas as reuniões prévias, chegando a deflagrar uma crise no começo de março, derrubando bolsas pelo mundo todo, dizem agora que estão “muito, muito próximas” de chegar a um acordo para estabilizar o mercado de petróleo, por meio de cortes na produção.

A afirmação é do CEO do Fundo de Investimento Direto da Rússia, Kirill Dmitriev. Os detalhes desse acordo ainda não estão definidos. A expectativa que tal acordo dure pelo menos dois anos.

“Acho que todo o mercado entende que esse acordo é importante e trará muita estabilidade ao mercado, e estamos muito próximos”, disse à CNBC nessa quinta-feira.

Probabilidade alta de acordo

O site Sputnik conseguiu a informação que a maioria dos países da Opep+ concordou com cotas como parte de planos conjuntos para reduzir a produção.

“Até agora, tudo está indo muito bem. A maioria dos países deu seu consentimento inicial à alocação de cotas proposta pelo Comitê de Monitoramento da Opep+. No momento, se não houver discordâncias imprevistas, a probabilidade de assinar um acordo final é alta”, disse a fonte.

Duas propostas

Há na mesa duas propostas para a redução da produção. Uma indica queda de 10 milhões de barris por dia (bpd), e outra, 11 milhões de bpd. Entretanto, fontes disseram à Reuters que os participantes estavam considerando cortar a produção em até 20 milhões de barris por dia.

O ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, quer que todos os principais produtores participassem do esforço da Opep+ para tentar estabilizar os mercados globais de petróleo.

O preço tem caído muito com a falta de demanda, por conta da pandemia, sem que a produção tenha sido afetada.

“São necessárias medidas imediatas e oportunas, e precisamos unir forças com todos os países produtores de petróleo para alterar a situação associada à superprodução significativa de petróleo no mundo”, disse o ministro.

O ministro também elogiou a participação de representantes do Canadá, Noruega, Argentina, Trinidad e Tobago, Egito, Colômbia, Indonésia, Chade, Equador e outros não-membros da Opep. A Rússia quer incluí-los no acordo sobre cortes de produção.

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“Consideramos apropriado aumentar o número de países que podem participar de um esforço conjunto para estabilizar a situação no mundo. E hoje novamente saudamos aqui a participação de nossos colegas que não participaram anteriormente”, disse.

Rússia faz as contas

A Rússia estima que a oferta exceda a demanda em 10 a 15 milhões de barris por dia, e que esses números possam crescer devido à contínua desaceleração econômica após a pandemia de coronavírus.

“Estamos alarmados com o crescimento das reservas comerciais de petróleo e a possibilidade de encher completamente as instalações de armazenamento de petróleo. Isso pode levar a sérias conseqüências para a indústria e para economia mundial como um todo”, disse Novak.

Os preços do petróleo subiram na quinta-feira (9), com Brent e WTI saltando de 8,5 a 10%.

As quedas, porém, são para níveis mais baixos desde o final dos anos 90, quando não se conseguiu chegar a um acordo sobre cortes de produção.

A queda nos preços já levou à falência de pelo menos um dos principais produtores de xisto dos EUA, enquanto a Rússia e a Arábia Saudita ficaram mergulhando em seus fundos soberanos para enfrentar a crise.

Com informações da Reuters e da Sputnik.

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