Rússia admite redução em produção diária de petróleo e acordo com Opep

Paulo Amaral
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Crédito: Дмитрий Осипенко/Pixabay

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, abriu caminho para fechar um acordo com a Opep e, com isso, minimizar os efeitos causados pela maior crise do petróleo nos últimos tempos.

Segundo a agência de notícias AFP, o Chefe de Estado da Rússia admitiu “esforços para equilibrar o mercado e reduzir a produção de petróleo” do país.

“De acordo com estimativas preliminares, acho que pode haver uma redução de 10 milhões de barris por dia”, adiantou Putin.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo confirmou que tentará sacramentar o acordo em reunião virtual nesta segunda-feira, 6 de abril.

O entendimento entre Rússia e Arábia Saudita é fundamental para reencontrar o equilíbrio em relação aos preços do petróleo e vem sendo defendido abertamente por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Um anúncio de Trump na sexta-feira, aliás, impulsionou os preços do petróleo e fez com que os mercados mundiais diminuíssem as perdas acumuladas nas últimas semanas.

Até 15 milhões de barris

Em sua conta no Twitter, Trump chegou a projetar que a diminuição na produção de barris de petróleo pode chegar até a 15 milhões diários.

O volume mencionado, segundo estimativas de Jasper Lawler, analista da LCG, “representaria uma redução de 10% na produção mundial”.

“A questão é saber em que proporção a demanda caiu devido às medidas de contenção”, segundo o especialista, que considera que “dez milhões de barris provavelmente ainda são insuficientes”.

Reação na sexta-feira

Os preços do petróleo reagiram na sexta, com o barril do petróleo americano WTI, que ameaçava cair abaixo dos US$ 20, se recuperando 23,8% e avançando para US$ 25,22.

O Brent também se recuperou e teve um avanço de 13,6% para US$ 28,33 o barril com entrega para abril.

Não é exatamente uma recuperação porque os preços do petróleo WTI, por exemplo, despencaram 60% neste ano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir na guerra de preços em curso entre a Arábia Saudita e a Rússia.

“Nós temos muito poder sobre a situação e tentamos achar um denominador comum. Eles estão em uma guerra de preços e de produção e no momento oportuno nós vamos nos envolver”, comentou Trump durante coletiva de imprensa na Casa Branca, informa a CNBC News.

O fracasso da reunião da Opep+ em 5 de março deflagrou a guerra de preços entre Arábia e Rússia. Os russos não aceitaram a proposta saudita de um corte de 1,5 milhão de barris na produção diária.

A Arábia retaliou dois dias depois, com o príncipe-herdeiro do reino, Mohammed Bin Salman (MBS, como é chamado), anunciando descontos de 25% no preço do barril.

MBS ordenou os descontos mesmo com perdas colossais nos preços das ações da estatal petrolífera saudita Aramco, que desabaram na bolsa de valores de Riad.

A Rússia também anunciou descontos, embora menores, e o ministro da Energia disse que o país pode aguentar dez anos de uma guerra de preços com a Arábia.

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