Rumores sobre possível saída de Guedes rondaram o Planalto

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil/Fabio Rodrigues Pozzebom

Ainda que o presidente Jair Bolsonaro, durante cerimônia realizada ontem (18) no Palácio do Planalto, tenha defendido e garantido que o ministro da Economia Paulo Guedes permanece até o fim do governo, rumores sobre uma eventual saída do ministro voltaram a circular.

De acordo com relato publicado no Congresso em Foco, após uma reunião às portas fechadas com o presidente Jair Bolsonaro, Paulo Guedes deixou o Palácio ainda como ministro. Segundo a reportagem, o ministro ouviu apelos do presidente e dos ministros Augusto Heleno (GSI) e Luiz Eduardo Ramos, para que permaneça no governo. Guedes estava inclinado a entregar o cargo.

Posterior a reunião com Jair Bolsonaro, Guedes se reuniu com Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, e com Rodrigo Maia (DEM-RJ), informa o Congresso em Foco. Na pauta, o foco do governo federal para 2020: as reformas tributária e administrativa. Ambas consideradas pelo ministro Gudes como cruciais para fazer o Brasil voltar a crescer de maneira sólida e ver parte de suas estruturas modernizadas.

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Probabilidade baixa

Divulgado na noite de ontem (18), análise da consultoria Arko Advice chama a atenção para os “rumores” de que Paulo Guedes andaria “muito insatisfeito com o apoio que recebe do Palácio do Planalto para as suas agendas de reformas”. E que, por conta disso, estaria disposto a deixar o cargo.

Porém, o relatório da Arko Advice atenta para o fato de que Guedes e Bolsonaro, ainda que possuam algumas divergências, o governo como um todo e o presidente Jair Bolsonaro sabem que “Guedes é essencial para a estabilidade e perspectivas econômicas”.

Fontes da consultoria que são próximas da equipe econômica e do Palácio afirmam que, o pedido de demissão de Paulo Guedes é, neste momento, algo remoto. Isso vai ao encontro das declarações de Bolsonaro em defesa de Guedes e afirmando que ele permanece até o fim do governo.

Declarações polêmicas

O ministro Paulo Guedes se tornou, novamente, alvo da oposição e de setores da sociedade contrários à sua política liberal de reformas, quando declarou que alguns servidores públicos se tornam, com o tempo, parasitas do sistema. Mal tinha esfriado essa declaração, o ministro, ao falar sobre a alta do dólar, declarou que a moeda americana baixa tinha provocado uma bagunça e que até domésticas estava indo à Disney.

A oposição ao governo Bolsonaro aproveitou as declarações do ministro para pedir a sua cabeça e até mesmo parlamentares que apoiam a agenda do ministro declararam que ele “exagerou” nas declarações. O ruído fez com que o ministro pedisse desculpas e de que tinha sido mal interpretado.

Porém, a tensão em torno do ministro da Economia não para por aí: O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um pedido de impeachment de Guedes. A alegação? Conflitos de interesses entre as atividades privadas e públicas do ministro. A petição foi protocolada pelo deputado Paulo Ramos (PDT-RJ).

Não restam tensões em torno do nome de Paulo Guedes, seja pela sua postura histriônica, seja pela sua agenda econômica de reformas, divulgada desde 2018 pelo então candidato Jair Bolsonaro.

Desde a eleição presidencial Bolsonaro tem depositado em Guedes parte considerável do sucesso de seu governo e sabe que, perder o ministro pode ser muito ruim para o seu governo e a para o sucesso da agenda de reformas estruturais que prometeu enquanto pleiteante à presidência da República.