ROE mede eficiência das empresas na geração de lucro; entenda como funciona

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

A sigla ROE é muito utilizada na análise das empresas abertas, tanto por analistas quanto por investidores.

ROE é a sigla para o termo em inglês Return on Equity, que significa Retorno sobre o Patrimônio.

Este indicador mostra qual é a eficiência da empresa na hora de gerar lucro a partir dos seus recursos investidos pelos acionistas.

Como é calculado

O Retorno sobre o Patrimônio líquido  é calculado da seguinte forma:

ROE = Lucro líquido/patrimônio líquido x 100

Vale lembrar que o patrimônio líquido é a diferença entre todos os ativos da empresa (caixa, bens e imóveis) menos os passivos (dívidas e obrigações). Estes dados ficam disponíveis nos balanços patrimoniais das empresas.

Ao calcular o ROE, considere o lucro líquido relativo ao ano fiscal completo.

Além disso, considere o valor antes do pagamento dos dividendos aos investidores que possuem ações ordinárias, mas depois dos dividendos pagos para ações preferenciais.

Para entender o ROE

Suponha que duas empresas tenham lucros de R$ 40 milhões neste ano. No entanto, uma delas (empresa A) tem patrimônio líquido de R$ 200 milhões, enquanto a outra (empresa B) tem patrimônio líquido de R$ 400 milhões.

Neste exemplo, a empresa A oferece um retorno sobre o patrimônio líquido bem superior à companhia B.

Ao dividir o lucro pelo patrimônio líquido das duas empresas, verificamos que a empresa A tem ROE de 0,2 ou 20%.

Já a empresa B tem ROE de 0,1 ou 10%.

Em outras palavras, o retorno obtido pela empresa A foi muito mais interessante para os seus acionistas. Isso porque ela foi mais eficaz na hora de gerar dinheiro com os mesmos recursos disponíveis.

É por isso que o mercado enxerga o ROE como um indicador de eficiência de gestão das empresas, mostrando se a empresa está utilizando bem os recursos dos acionistas para gerar bons retornos.

Você pode analisar o comportamento do ROE ao longo do tempo para verificar como a empresa está se comportando em diferentes ce cenários.

Os analistas também usam a Selic como um parâmetro na hora de analisar o ROE. Isso porque a Selic indica o custo de oportunidade da companhia. Em outras palavras, o quanto seu dinheiro poderia render em outras aplicações financeiras.

Vale lembrar que este indicador não deve ser usado isoladamente, e que existem muitas métricas que mostram a eficiência das companhias.

Diferenças setoriais

Outro cuidado a tomar é comparar ROEs de empresas do mesmo setor. Afinal, podem ocorrer discrepâncias ao comparar empresas que atuam em áreas muito diferentes.

Por exemplo, uma empresa pode ter muitos ativos e dívidas no balanço e um lucro líquido relativamente baixo. Segundo a Investorpedia, o ROE de uma empresa de serviços básicos (como energia e saneamento, por exemplo) pode ser de 10% ou menos.

Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia ou serviços podem ter contas menores no balanço frente ao lucro. Isso pode significar ROE de 18% ou mais para estes setores.

Uma boa forma de analisar o ROE é buscar as empresas que tenha este indicador acima da média do seu setor.

Ao mesmo tempo, é bom tomar cuidado quando você identifica uma empresa com ROE muito alto.

Isso pode significar que o lucro líquido está elevado em relação ao patrimônio, o que é positivo.

No entanto, também pode indicar que a empresa tem um patrimônio muito baixo, o que pode sinalizar riscos.

Outro cuidado ao analisar o ROE é verificar o tamanho da dívida. Isso porque uma empresa com elevado endividamento pode ampliar seu ROE, já que o patrimônio líquido representa ativos menos dívida.