Robô, ou, investimento automatizado: Como funciona?

Um robô no mercado financeiro é um software programado para executar comandos, sob determinadas circunstâncias.

Denys Wiese
Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro. Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com

Crédito: Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By cookelma

Exemplo bem simples:

“Toda a vez que a Petrobras cair 5% da sua máxima diária, compre 1.000”. *Esse é um comando facilmente programável em qualquer robô.

Outro exemplo, um pouco mais complexo:

“Quando a diferença de preço entre petr4 e petr3 chegar em 10%, compre 1.000 petr4 e venda 1000 petr3”. *Esse é um outro comando que pode ser facilmente programado.

Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By cookelma

Para que serve um robô?

Os mercados e os preços dos ativos podem oscilar rapidamente, e de forma muito brusca. A utilidade de um robô é a sua capacidade e velocidade de reação. Imagine que por alguns segundos a diferença entre petr4 e petr3 chegou a 10%, e logo voltou para um patamar inferior. A mão humana, nesse caso hipotético, não seria capaz de colocar duas ordens (em algum sistema de negociação, como por exemplo, um home broker) de modo a montar essa posição em tempo hábil.

Parece exagero, mas algumas situações do mercado e de preço dos ativos pode durar segundos ou menos.

O exemplo acima foi em cima da velocidade de reação. Mas tem mais…

Um robô (ou mais robôs) podem ser programados de modo que o ser humano não precise ficar olhando para a tela do computador. Imagine que você programe um robô para executar uma ordem de compra de ação, e a venda de outra ação, toda a vez que a diferença entre elas chegar a 0,10%. Veja, como essa diferença de 0,10% entre elas é pouca coisa, em um único dia seriam emitidas milhares de ordens de compra e de venda. Existem robôs que emitem mais de 30 mil ordens em um único dia.

Então, um robô é útil não somente pela sua velocidade de reação, mas também, pelo enorme número de ordens que ele pode emitir.

Agora, a pergunta que você deve estar se fazendo é: como um robô pode dar dinheiro?

A busca por padrões

Os robôs são programados para capturar padrões de comportamento de preço dos ativos.

Para exemplificar, observe o gráfico da razão ITUB4/ITSA4 (em outras palavras, o preço de ITUB4 – Itau Unibanco PN – dividido pelo preço da ITSA – Itaúsa PN):

Acima, temos um gráfico de 10min (cada barra corresponde a 10min), onde identifiquei um padrão, desde o dia 08/02/19: a relação entre os dois ativos está em um canal lateralizado entre 2,85 e 2,83. Esse é o padrão vigente!

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Oportunidades de operação (exemplos) para robôs:

  • Toda vez que a relação estiver em 2,82 (um centavo abaixo de 2,83 para dar mais margem de lucro) compre itub4 e venda itsa4. Realizar o lucro da operação quando a relação chegar em 2,84; stopar a operação se a relação chegar em 2,80.
  • Toda vez que a relação estiver em 2,86 (um centavo acima de 2,85, para dar mais margem de lucro) venda itub4 e compre itsa4. Realizar o lucro da operação quando a relação chegar em 2,84; stopar a operação se a relação chegar em 2,88.

Pensem que padrões desse tipo existem aos milhares, em mercados de todo o mundo. E é importante anotar que os padrões não duram para sempre, eles mudam. E, por isso, a capacidade de um padrão dar lucro ao investidor é por tempo limitado. Vejam como, no exemplo acima, a diferença entre os papéis oscila em um percentual pequeno (de 2,82 para 2,85). Por isso, é importante a velocidade em execução das ordens (também por isso, é importante aqui o uso do robô).

Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By duallogic

O importante até aqui é entedermos o seguinte:

  • O analista ou operador de robô identifica padrões.
  • Verifica se esse padrão é aplicável e em testes do passado (back testing) se dá lucro.
  • Programa o robô e bota rodar.
  • Faz verificações se o robô está dando lucro ao mesmo passa que verifica se os padrões se mantém ou se mudaram.

Distorções

No exemplo anterior, há risco na operação. O padrão pode mudar, e a gente perder dinheiro.

Mas, existem situações, chamadas distorções, em que não há risco. Imagine, por exemplo, que o preço do dólar, frente ao real, está R$ 3,75. Que o preço do euro, frente ao real, esteja R$ 4,40. E que o preço do euro, frente ao dólar, esteja USD 1,2.

Se eu comprar um euro por R$ 4,40, e vender esse mesmo euro por USD 1,2, terei em mãos USD 1,2.

Na sequência, vendo USD 1,2 pelo preço do dólar (frente ao real) por 1,20 x 3,75 = R$ 4,50. Ou seja, na simples troca de moedas eu consegui lucrar 0,10 centavos de real.

Essa situação de mercado, em que temos oportunidades de lucro sem risco, é chamada de arbitragem, ou, uma simples distorção de mercado.

Essas situações acontecem várias vezes, em vários mercados no mundo inteiro, por uma série de fatores. Nesse sentido, os robôs são os únicos capazes de capturar tais distorções, com consistência. Não custa lembrar que, esse tipo de distorção (sem risco) desaparece rapidamente do mercado, pois os robôs entram em operação de modo a trazer os preços de volta a normalidade (sem distorção).

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By iLexx

Como investir por robôs?

Se você é um gestor, um analista, ou, um investidor mais sofisticado que consegue identificar padrões confiáveis no mercado, pode contratar algum software-robô, programá-lo e usá-lo como fonte de lucro.

Porém, a ideia aqui é falar com o investidor normal, não profissional, que não tem acesso e nem conhecimento suficiente para ele mesmo usar esse tipo de ferramenta.

Para o investidor normal, o investimento pode se dar através de Fundos Multimercados Quantitativos.

Os fundos quantitativos são exemplos de fundos que utilizam robôs em suas estratégias. O que torna um fundo bom é a capacidade que o gestor tem em identificar esses padrões, e a capacidade de “produzir” padrões (e testá-los) em escala suficiente, de modo a compensar a rapidez com que tais padrões somem do mercado. Em outras palavras, um bom gestor quantitativo deve ter uma equipe grande e preparada para produzir modelos em escala e que dêem lucro.

Como um bom exemplo de fundo quantitativo, cito o Visia Zarathustra FIC FIM, fundo recém aberto à negociação na plataforma da XP Investimentos.

Vejam o histórico de resultados desse fundo:

Esse fundo apresenta histórico consistente anual acima de 150% do CDI, sendo que em alguns anos ultrapassa 200% do CDI. Observe que o fundo possui alta volatilidade, se classificando como fundo agressivo: existem meses que a rentabilidade pode ir de -9% como em maio de 2017, a +7%, como em janeiro de 2016 e julho de 2017.

Por hoje é isso pessoal!