Roberto D’Avila analisa primeiro dia de palestras da Money Week

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Money Week

O jornalista Roberto D’Avila foi o convidado para analisar as palestras do primeiro dia de Money Week Cenários 2022, que contou com Sérgio Moro e Michel Temer como convidados. Confira a seguir os principais pontos levantados por ele.

Roberto D’Avila afirma decepção com palestra do Moro

“Fiquei decepcionado com a palestra do Moro, porque não descobri nenhuma ideia nova, nenhuma criatividade. Ele diz que as políticas públicas têm que ser consistentes, que a inflação precisa diminuir, que o Brasil pode ser líder na questão ambiental, que a corrupção continua grave, tudo o que todo mundo sabe”, avalia.

“Eu acho que o Moro vai para o Senado, não para a presidência. Acho que ele não está preparado para ser presidente. Já pensou ele negociando com o Congresso?”, questiona. “É um risco para o país ser governado por alguém que, enquanto juiz, esteve em conluio com promotores, o que vimos na Lava-Jato”, pontuou. E complementou: “Moro não disse também se era contra a reeleição, uma das grandes questões hoje em dia”.

Temer: “Goste ou não, ele é muito preparado”

Já quanto a Michel Temer, D’Avila lembrou da experiência do ex-presidente. “O Temer é o Temer que todos conhecemos. Foi três vezes presidente da Câmara dos Deputados, imagina o preparo e a força política que ele tem. Ele é realmente um animal político. Você, goste ou não dele, percebe, na forma como ele estrutura o discurso, que é preparado”, afirma.

Roberto D’Avila prevê tensão para 2022

“O ano de 2022 vai ser difícil e não precisa ser nenhum mago para prever isso”, ele diz. “Existe uma desarmonia que está arruinando o país e isso precisa acabar. Não se faz política de maneira medíocre e vulgar, como vem sendo feita atualmente”, pontua.

“Eu enxergo sempre a vida com otimismo, todos queremos mudar e fazer um país melhor. É um ano que vai ter muita mentira, muita fake news. Se você me perguntar se vai ter uma terceira via, eu respondo que acho difícil. O quadro está polarizado e acho que teremos mesmo uma disputa entre Lula e Bolsonaro”, avalia. “Mas vamos sair dessa, a democracia é a única solução”, finaliza.

Quem é Roberto D’Avila?

O gaúcho Roberto D’Avila, 72 anos, jornalista que, além de atuar como empresário, é apresentador e diretor-geral de seu programa televisivo de entrevistas Conexão Roberto D’Avila, atualmente transmitido pela TB Brasil. Ele é também apresentador do programa Roberto D’Avila, da Globonews.

Bacharel em Direito, D’Avila é formado pela Universidade de São Paulo (USP) e em História pela Universidade de Paris.

Na política, entre diversos cargos importantes, D’Avila foi vice-prefeito do Rio de Janeiro, de 1988 a 1992, e Deputado Federal Constituinte.

Ele iniciou na vida partidária em 1984, pelo PDT, sendo deputado, presidente da Sub-Comissão de Relações Internacionais da Câmara dos Deputados e Membro da Comissão de Ciência e Tecnologia entre 1986 e 1990.

Foi vice-prefeito entre 1988 e 1992 do Rio de Janeiro na gestão de Marcello Alencar.

No estado do Rio de Janeiro foi secretário de Turismo, Esportes e Cultura, em 1989; secretário de Meio Ambiente e Projetos Especiais; presidente do Comitê do Meio Ambiente – Conema; presidente do Conselho Administrativo do Controle de Fundos para o Meio Ambiente; presidente do Comitê para a Defesa Ambiental da Costa; representante no Conselho Nacional do meio ambiente – Conama; responsável pela Conferência das Nações Unidas para o meio Ambiente e Desenvolvimento – Unced, de 1990 a 1994.