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Roberto Castello Branco aceita convite de Paulo Guedes para presidir a Petrobras

O indicado para o cargo possui uma ampla experiência econômica e defende a privatização da Petrobras e de outras estatais.

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Crédito da imagem: Reinaldo Canato (FolhaPress)

Foi confirmada pela assessoria de Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, a informação de que o economista Roberto Castello Branco será o novo presidente da Petrobras.

Já a companhia, por sua vez, alega que ainda não recebeu qualquer comunicação oficial da parte do governo de transição e que aguarda a oficialização da indicação de Castello Branco para adotar os trâmites internos pertinentes à mudança. De acordo com a estatal, essa indicação deve se submeter aos processos de governança corporativa da companhia, que incluem análises de conformidade e integridade. Além disso, a indicação de Castello Branco ainda depende de apreciação pelo Comitê de Indicação, Remuneração e Sucessão e de deliberação por parte do Conselho de Administração.

O atual presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, informou que deixará a estatal no dia 1º de janeiro de 2019. Monteiro se tornou presidente da companhia no último mês de junho, quando houve a saída de Pedro Parente que, atualmente, encontra-se no comando da BRF. Parente deixou o cargo na Petrobras logo após a greve dos caminhoneiros, em maio.

Resultados

Em 2018, a Petrobras fechou o último trimestre com um lucro líquido de R$ 6,664 bilhões. Esse resultado, apesar de se tratar de uma cifra alta, representa uma queda de 34% quando comparado ao semestre anterior. Contudo, se comparado ao mesmo período de 2017, o lucro é 25 vezes maior.

No acumulado deste ano vigente, o lucro líquido da companhia é estimado em R$ 23,6 bilhões, o que já é considerado o melhor resultado para esse período desde o ano de 2011. Além disso, segundo a própria Petrobras, o resultado representa um crescimento de 371% na comparação com os primeiros nove meses do ano passado.

Até a última sexta-feira (16/11), as ações preferenciais da companhia acumulavam uma alta de 60,86%, já as ações ordinárias subiram 66,44%.

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A equipe econômica de Bolsonaro

Além de Castello Branco, alguns nomes já foram indicados por Jair Bolsonaro para áreas importantes da economia do país. Entre eles, o destaque vai para Roberto Campos Neto, que recentemente foi indicado para a presidência do Banco Central e Joaquim Levy, indicado para presidir o BNDES.

Quem é Roberto Castello Branco

O escolhido para presidir a Petrobras é detentor de um amplo currículo e uma vasta experiência em assuntos econômicos. Considerado um crítico quanto à intervenção do Estado na economia, ele defende a realização de privatizações, não somente da própria Petrobras, mas também de outras companhias estatais.

Castello Branco possui pós-doutorado pela Universidade de Chicago, considerada o berço do neoliberalismo econômico. No Brasil, já ocupou cargos de direção dentro do Banco Central e na companhia mineradora Vale. Também já foi membro do Conselho de Administração da Petrobras e atualmente é diretor do Centro de Estudos em Crescimento e Desenvolvimento Econômico da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Após a saída de Pedro Parente da direção da Petrobras, em junho desse ano, Castello Branco redigiu um artigo para a Folha de S. Paulo em que defendeu ser inaceitável a manutenção das centenas de milhões de dólares investidos em empresas estatais que atuam em atividades que poderiam ser realizadas pela iniciativa privada.

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Crédito da imagem: Divulgação FGV

A indicação de Castello Branco para membro do Conselho de Administração da petroleira ocorreu em 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), contudo, não ficou muito tempo no cargo, pois o deixou no ano seguinte.

Castello Branco também já atuou como professor na FGV e foi presidente executivo do grupo IBMEC (entre 1981 e 1984). Foi também nessa época que ele se tornou amigo de Paulo Guedes, que é um dos precursores da instituição de ensino.

De 1985 em diante, Castello Branco ocupou um cargo no Banco Central e, posteriormente, se tornou diretor de várias instituições financeiras. Em 1999, assumiu o cargo de economista chefe da atual Vale, cargo no qual permaneceu durante 15 anos. Ele também atuou no Conselho Diretor de diversas entidades ligadas aos mercados de capitais, comércio internacional, mineração e investimento direto estrangeiro.

Quando era membro do Conselho Executivo da Petrobras, Castello Branco criticou a política econômica adotada no Brasil para assuntos que envolvem óleo e petróleo. Ele mesmo apoia a privatização da companhia e fez afirma que o país precisa que várias empresas privadas possam competir no mercado de combustíveis. Contudo, ele mesmo reconhece que a principal forma de diferenciação nos preços do diesel entre os países envolve impostos e subsídios.

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Crédito da imagem: Agência Reuters

Em seu artigo para a Folha de S. Paulo, Castello Banco também fez críticas a “desenvolvimentismo” do BNDES e apontou que esse fato gerou excessos na oferta de fretes rodoviários que, de acordo com o economista, foi o fato que gerou a greve dos caminhoneiros em maio desse ano.

O atual presidente da Petrobras chegou a ser cotado para permanecer no cargo durante o próximo ano, contudo recusou a oferta e aguarda a nomeação formal de Castello Branco para deixar a companhia.

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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