EconomiaNotícias

Retrospectiva 2018: os fatos que marcaram a economia

O grande destaque do ano foi a greve dos caminhoneiros por conta do aumento no preço do diesel, considerada a maior greve registrada em mais de 20 anos no país.

Avalie este artigo!

Ao longo de 2018, os brasileiros puderam observar uma lenta recuperação da economia. No mês de maio, a greve dos caminhoneiros fez com que o país parasse e isso afetou o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) e da produção.

Neste ano, o dólar e a bolsa também sofreram diversas oscilações motivadas por fatores externos e internos. Alguns exemplos são as eleições que ocorreram em outubro e a guerra comercial travada entre duas superpotências mundiais: EUA e China.

Confira os fatos que marcaram 2018 no cenário econômico:

  1. Greve dos caminhoneiros

A maior greve registrada em mais de 20 anos ocorreu no final do mês de maio desse ano. Essa foi a greve dos caminhoneiros, que parou o país por cerca de 10 dias e teve como sua principal motivação a insatisfação da categoria com os frequentes aumentos no preço do diesel. Na ocasião, milhares de caminhoneiros cruzaram os braços e bloquearam as principais rodovias do país, fato que provocou uma crise de desabastecimento tanto de alimentos quanto de combustível em todo o território nacional.


Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil


CAMINHONEIROS 1024x683 - Retrospectiva 2018: os fatos que marcaram a economia
Crédito da imagem: Rodolfo Buhrer

Após diversas reuniões com o governo, as associações e entidades da classe não chegaram a um acordo. A liberação das estradas só ocorreu após comboios do Exército, da Polícia Militar, da PRF e até da Força Aérea começarem a realizar a escolta de caminhões. Como uma forma de fazer com que os caminhoneiros voltassem ao trabalho, o governo ofereceu uma redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel, o que seria bancado por um subsídio.

Os dias de greve fizeram com que a economia do país se retraísse. Dados do Ministério da Fazenda apontam que a greve custou ao país cerca de R$ 15 bilhões, que significam 0,2% do PIB brasileiro.

Após o fim do movimento, o governo também passou a tabelar os fretes rodoviários. Uma liminar do STF (Supremo Tribunal Federal), publicada em dezembro, suspendeu a cobrança de multas aos que descumpria a tabela, contudo, tal decisão foi revertida alguns dias depois de sua publicação.

  1. Saída do presidente da Petrobras e preço da gasolina

Depois da greve dos caminhoneiros, o diesel passou a contar com um subsídio do governo, contudo, a gasolina continuou com o seu preço liberado. A greve também acabou promovendo a saída do então presidente da Petrobras, Pedro Parente. Assim, a estatal passou a ser comandada por Ivan Monteiro.

Petrobras 1 777x437 - Retrospectiva 2018: os fatos que marcaram a economia
Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Em setembro, a Petrobras anunciou uma medida que mudou a política de preços dos combustíveis. A estatal, que é detentora do monopólio do refino de combustíveis no país, passou a promover a revisão dos preços nas refinarias somente a cada 15 dias, diferentemente do que acontecia antes com os reajustes diários.

No fim do mês de setembro, o preço do petróleo no cenário internacional também começou a cair, contudo, esse recuo não está sendo repassado aos consumidores de uma forma integral.

  1. Produto Interno Bruto

inflacao 1024x768 - Retrospectiva 2018: os fatos que marcaram a economia
Crédito da imagem: Reprodução/Internet

A greve dos caminhoneiros, apesar de travar o país no fim de maio, não é considerada como a única responsável pela lenta recuperação econômica do Brasil. Diversas outras incertezas externas como a guerra comercial travada entre a China e os EUA, a emergência de uma coalizão eurocética na Itália, a indecisão acerca da saída do Reino Unido do bloco da União Europeia e as tensões que envolveram o processo eleitoral no Brasil acabaram por reduzir ainda mais as expectativas de crescimento do PIB brasileiro.

Inicialmente, a previsão de crescimento do país caiu para 1,6%. Já nas últimas semanas de 2018, dados do Banco Central reduziram ainda mais essa projeção, que atingiu o patamar de apenas 1,3%, o que é a metade da meta que foi inicialmente estimada para o ano.

  1. Aviação

aviacao dadossetor 1024x548 - Retrospectiva 2018: os fatos que marcaram a economia
Crédito da imagem: Reprodução/Internet

2018 também foi um ano complicado para o setor de aviação civil no Brasil. Sem dinheiro para pagar o leasing (aluguel) de seus aviões e pressionada pela alta do dólar, a Avianca acabou entrando com um pedido de recuperação judicial. Em reação a esse cenário, o governo brasileiro editou uma medida provisória e passou a liberar 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas que operam no Brasil. Antes, os estrangeiros poderiam possuir até 20% do capital de uma companhia aérea nacional.

  1. Dólar

Tanto o mercado de ações quanto o de câmbio passaram por grandes oscilações ao longo de 2018, o que teve como causas influências externas e internas. Uma delas foi a causada pela guerra comercial entre China e EUA, além da política monetária americana, que acabou valorizando o dólar ante às moedas de países emergentes.

A alta dos juros nos EUA também foi decisiva, pois, os investidores que possuem capital aplicado em países emergentes, como é o caso do Brasil, puderam optar pela retirada de recursos do país para investi-lo em títulos do Tesouro Americano, que é considerado um dos papéis mais seguros de todo o mundo. Dessa forma, com um volume de dólares menor disponível no mercado, o preço da moeda sofreu uma forte subida. No dia 19 de dezembro, o Federal Reserve (Banco Central dos EUA), promoveu a quarta elevação nos juros somente neste ano, que deixou a faixa dos 2,25% e atingiu 2,5%, valor que já é considerado o maior patamar desde o ano de 2008.

Qual é o seu perfil do investidor?

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

dolar 1 1024x683 - Retrospectiva 2018: os fatos que marcaram a economia
Crédito da imagem: Reprodução/Internet

No âmbito interno, o preço da moeda americana sofreu muitas oscilações por conta das eleições de outubro. Em meados de setembro, o dólar atingiu o seu pico e chegou a ser cotado em R$ 4,19, o patamar mais alto desde que teve início o Plano Real no Brasil. Depois que as eleições foram definidas, a moeda caiu para R$ 3,64 já no dia 29 de outubro. Contudo, por conta das altas nos juros norte-americanos, no início de dezembro o dólar voltou a ser cotado em R$ 3,90.

  1. Bolsa de Valores

Acoes Guia Completo 1024x696 - Retrospectiva 2018: os fatos que marcaram a economia
Crédito da Imagem: Nilton Fukuda/AE

Os efeitos internos e externos mencionados acima também acabaram afetando o Ibovespa, considerado o principal índice do mercado de ações brasileiro. Um dos piores resultados do indicador foi registrado em 18 de junho, quando o Ibovespa fechou com 69.814 pontos e com baixa de 1,33%. Antes disso, um resultado abaixo dos 70 mil pontos não era registrado desde agosto de 2017. No dia seguinte ao segundo turno das eleições, em 29 de outubro, o Ibovespa atingiu os 83.796 pontos e, além disso, fechou o mês de outubro em 87.423 pontos. Se analisados os 11 primeiros meses de 2018, a valorização do indicador é de 17,15%, pois fechou o mês de novembro em 89.504 pontos.

  1. Inflação e taxa de juros

A inflação mais baixa e a recuperação gradual da economia brasileira fizeram com que a taxa básica de juros (Selic) atingisse o seu menor nível histórico ao longo de 2018. Vale lembrar que o ciclo de cortes que fez com que a Selic atingisse os atuais 6,5% ao ano teve início ainda em outubro de 2016, época em que a taxa caiu 0,25% para 14% ao ano. Tal processo ocorreu até o mês de março de 2018, quando a taxa atingiu o seu mínimo histórico. Nas seis reuniões seguintes, o Copom optou por manter a taxa nesse patamar.

inflacao recorde
Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Ao longo de 2018, a inflação sofreu uma grande pressão por conta dos preços dos combustíveis e da energia elétrica. Contudo, no final do ano, por conta das reduções na cotação do dólar e do preço do petróleo, tanto os preços da gasolina quanto o do botijão de gás apresentaram quedas. Dessa forma, o Banco Central passou a prever que a inflação foi menor do que a esperada anteriormente. Outro fator decisivo para a redução das previsões de inflação no país foi a mudança nas bandeiras tarifárias de energia elétrica.

Nos últimos 12 meses até novembro, o IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumula uma alta de 4,05%. Esse valor é considerado abaixo da meta prevista para 2018, que é de 4,5%. Vale lembrar que a meta de inflação possui limites de 1,5%, ou seja, pode atingir o patamar mínimo de 3% e máximo de 6%. A meta definida para 2019 é de 4,25% e os intervalos de tolerância são de 2,75% e 5,75%. O Banco Central estima que a inflação no país em 2018 deve fechar em 3,7%.

Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

Artigos Relacionados

Close