Resumo semanal de mercado

Em uma semana que tinha tudo para ser marcada “apenas” pelo início do acordo entre americanos e chineses em Xangai e a “super-quarta”, que determinou novos cortes na taxa de juros, por aqui e nos EUA, a notícia de maior impacto acabou sendo mesmo o tuíte bomba do presidente americano Donald Trump, que derreteu os mercados ao redor do mundo. Chegaremos lá.

Filipe Teixeira
Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.Me envie um e-mail: filipe.teixeira@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (51) 98128-5585 Instagram: filipe_st

Crédito: Crédito da imagem: Anthony Behar/Sipa USA/AP

Reunião em Xangai

A pauta principal do encontro entre negociadores chineses e norte-americanos em Xangai, ficou em torno da compra de produtos agrícolas, transferência de tecnologia e propriedade intelectual. As delegações prometeram se encontrar novamente em setembro, desta vez nos EUA.

O ministério do comércio da China publicou em nota que ambos os lados mantiveram “trocas afáveis, altamente eficientes, construtivas e profundas sobre importantes assuntos de interesse mútuo nos dois dias de conversas em Xangai”.

O tom político da declaração, ignorou por completo as cutucadas de Donald Trump em sua conta oficial no Twitter, acusando os chineses de não cumprirem com acordos firmados, antes do embarque da delegação americana.

Mas o “melhor” ainda estava por vir…

Acariciou com uma mão e bateu com a outra

Na quarta-feira, o Federal Reserve cortou os juros em 25 pontos para o patamar entre 2,00% e 2,25%, conforme apostas do mercado. No entanto, a decisão não foi unânime, Esther George (Kansas) e Eric Rosengren (Boston) votaram pela manutenção dos juros.

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A falta de consenso indicou o grau de incerteza quanto ao cenário global. No mercado interno, os dados apontam para recuperação do consumo e fortalecimento do mercado de trabalho.

O que nos leva concluir que o FED balizou sua decisão diante do contexto de desaceleração da economia mundial e a tendência de inflação baixa, dando claros sinais de que a velocidade e o tamanho deste ciclo dependerão de dados futuros, que indiquem uma evolução do cenário econômico.

Não parecendo sensato no momento, definir um norte.

“Aqui tem coragem”

Crédito imagem: Agência O Globo

Por aqui, Roberto Campos Neto atendeu os anseios do mercado e anunciou o corte de 50 pontos na Selic, que ao chegar aos 6%, o menor patamar em 23 anos, abre espaço para especulações de que o ajuste possa ser ainda maior, se considerarmos que ainda restam mais 3 reuniões até o final do ano.

Como a decisão foi anunciada após o fechamento do mercado, o otimismo da bolsa brasileira só pôde ser dimensionado na quinta-feira.

E tudo parecia ir muito bem na república das bananas: O ibov subia acima dos 2% quando Donald Trump entrou em cena.

Não contavam com a sua astúcia!

Jerome Powell não contava com a astúcia de Donald Trump, que não esperou sequer 24h para ameaçar a China (através de sua conta oficial no Twitter) com uma nova sobretaxa de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses, já a partir de 1º de setembro.

Crédito da imagem: Qilai Shen/Getty Images

Foi o bastante para virar todos os mercados:

As bolsas de NY passaram a renovar mínimas atrás de mínimas, o dólar passou a operar em forte alta contra todas as moedas de países emergentes.

Por aqui, a moeda americana disparou para R$ 3,88 e o Ibov, que surfava o Copom e o corte de 50 pontos nos juro, subindo acima dos 2% no dia, reduziu seus ganhos, perdendo os 103 mil pontos.

O trunfo de Powell é a duração de seu mandato de 4 anos a frente do FED, que vai até fevereiro de 2022, um conforto que Trump não tem, visto que seu mandato se encerra ao final de 2020. Mas a pergunta que fica é: Alguém, seja o presidente do FED ou os chineses, é páreo para Trump?

Quais setores podem se beneficiar com a queda da Selic?

Alguns setores, podem se beneficiar no curto, médio prazo com o novo ciclo de corte nos juros: Ainda que diminua o spread dos bancos, o setor financeiro pode ser beneficiado, uma vez que a Selic mais baixa, possibilita uma maior concessão de crédito.

shopping center

Esta concessão de crédito costuma beneficiar diretamente o setor imobiliário, uma vez que os custos de financiamento para construtores e compradores tendem a cair. O setor de shoppings também deve se beneficiar bem como o setor de varejo como um todo.

É importante salientar que somente o corte por si só, não será responsável pela retomada da atividade econômica. O ciclo de cortes é apenas mais uma medida de estímulo, que somada às reformas estruturais, austeridade nas contas públicas, liberação do FGTS, agenda de privatizações e etc, permitirão criar um novo cenário, onde o Brasil deixará de ser “prisioneiro da armadilha de baixo crescimento”, como defende o ministro Paulo Guedes.

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