Resumo da semana: ata do Fed e payroll foram destaque

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O resumo da semana destaca a ata do Fomc, que apontou que os juros devem subir nos Estados Unidos antes do previsto: possivelmente em março, quando, anteriormente, acreditava-se que ele viria no final do primeiro semestre.

O mercado de trabalho americano também teve relevância, com divulgação de dados contraditórios, mas que confirmam a retomada do emprego e abrem espaço para o tom mais duro do Fed.

Já no Brasil, a semana teve revisão do PIB de 2022 para baixo – para o BTG Pactual (BPAC11), ele deve ser de 0% este ano. E o país voltou a se alarmar com a Covid, agora enfrentando aumento expressivo de número de casos pela variante ômicron.

Confira o que foi destaque em nosso resumo da semana.

Resumo da semana no exterior

De olho nos juros dos EUA

Os mercados reagiram negativamente ao tom hawkish da ata do Federal Reserve (Fed), que apontou uma subida de juros mais cedo do que o esperado e uma redução do balanço patrimonial do Fed, ou seja, a instituição vai começar a se desfazer da quantidade de títulos que detém (o total é de US$ 8,3 trilhões em títulos do Tesouro e lastreados em hipotecas).

Para o Fed, a inflação não é mais transitória e segue elevada. Paralelamente, os dados econômicos apontam uma retomada da economia, sem perspectiva de grande impacto da ômicron, e o mercado de trabalho se aproxima do objetivo, demandando uma normalização da política monetária de maneira antecipada.

O BTG Pactual (BPAC11) aposta em quatro subidas de juros ao longo de 2022, começando com 0,25 ponto porcentual em março, logo após a reunião do Federal Reserve (Fed).

Mercado de trabalho nos EUA

O payroll, folha de pagamentos oficial não-agrícola dos EUA, decepcionou, com a criação de 199 mil vagas em dezembro, ante estimativa de 447 mil empregos. Ainda assim, a taxa de desemprego veio positiva: ficou em 3,9%, quando o mercado aguardava 4,1%.

A pesquisa ADP, considerada uma prévia do payroll, trouxe na semana a criação de 807 mil vagas no setor privado, bem acima das expectativas de 400 mil.

E os novos pedidos de seguro-desemprego mantiveram a tendência observada nas últimas semanas, no nível pré-pandemia e próximo ao patamar mais baixo da série histórica, apesar de terem vindo acima da projeção.

Com dados positivos, é reforçada a tese de que os juros nos EUA devem subir em março.

Ômicron: mais transmissível, mas menos letal

Os mercados globais também acompanham a evolução da Covid-19, com aumento expressivo de casos, mas, aparentemente, menor letalidade, o que traz certo alívio.

No Brasil, foi confirmada a primeira morte em decorrência da variante, em Goiás.

Resumo da semana no Brasil

PIB estagnado em 2022
Pesquisa do jornal Valor com 105 instituições financeiras e consultorias mostra que a expectativa de crescimento no país é de apenas 0,4% em 2022, sendo que 26 casas projetam contração e 13, estagnação.

É o caso do BTG Pactual (BPAC11), que revisou sua estimativa de 0,4% para 0%.

Pressão dos servidores federais por aumento

O movimento dos servidores por aumento de salário, que já começa a causar transtornos no Porto de Santos e em fronteiras, foi destaque. Vale lembrar que o ano é eleitoral e tal pressão por reajustes aumenta os riscos fiscais.