Resumo da semana: Covid volta a ameaçar mercados; precatórios seguem em foco

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A semana foi mais curta nos EUA, por conta do feriado de Ação de Graças e da Black Friday. Mas o que roubou a cena na sexta-feira (26) foi mesmo a volta da preocupação com a Covid-19.

Uma nova variante, aparentemente mais resistente e contagiosa, foi detectada na África do Sul. O que provocou o derretimento dos mercados, junto com o valor das commodities. O receio é de novas medidas restritivas, que impactem diretamente no consumo e na cadeia de produção. Ou seja, a retomada econômica volta a ficar ameaçada.

Já no Brasil, o tema da semana foram os precatórios. A PEC deve ser votada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado na próxima terça-feira (30), para daí seguir para votação em plenário. Porém, se o texto for alterado, deverá retornar para a Câmara dos Deputados.

Confira o resumo da semana.

Resumo da semana no exterior

Nova variante do coronavírus

Os cientistas vêm afirmando que a nova variante possui um alto número de mutações, que podem torná-la mais transmissível e permitir que ela não responda às vacinas existentes.

O clima é de cautela, com a ameaça de novas restrições. Diversos países já anunciaram a imposição de barreiras aéreas.

Semana curta nos EUA

As bolsas dos EUA ficam fechadas na quinta-feira (25), por conta do feriado de Ação de Graças. Na sexta (26), funcionaram em horário reduzido, devido à Black Friday.

Dados positivos nos EUA

O PIB americano cresceu acima do projetado (2,1%) e os pedidos de seguro-desemprego caíram ao menor nível desde 1969 (199 mil). Também a renda pessoal subiu 0,5%, quando o mercado esperava 0,2%.

Paralelamente, os dados do Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) apontaram resiliência da atividade. O PMI industrial veio em linha com o consenso: 59,1 pontos, ante 58,4 da leitura anterior. O de serviços ficou em 57 ante prévia de 58,7; o consenso era 59. E o PMI composto, que une indústria e serviços, ficou em 56,7, ante 57,6 anterior.

PMI surpreende na zona do euro

Leitura surpreendentemente positiva do PMI da zona do euro. O PMI industrial foi de 58,6 pontos; o PMI de serviços, de 56,6; e o PMI composto, de 55,8 pontos, todos acima da projeção e da leitura anterior. Vale lembrar que o PMI acima de 50 indica crescimento da atividade.

Chris Williamson, economista-chefe de negócios da IHS Markit afirmou que o resultado surpreendeu os analistas, que esperavam uma desaceleração do indicador.

No entanto, ainda assim, é improvável que o os números de hoje impeçam a zona do euro de sofrer um crescimento mais lento no quarto trimestre de 2021, especialmente porque o aumento de casos de coronavírus ameaça novas interrupções para a economia.

Resumo da semana no Brasil

PEC dos Precatórios

A votação na CCJ do Senado deve acontecer na próxima terça-feira (30), depois de ser adiada. A CCJ tem o poder de barrar o texto antes de ele ir a plenário.

O texto entregue na comissão apresenta o Auxílio Brasil como permanente e não mais temporário. A expectativa é que haja um “fatiamento” da proposta para evitar que ela retorne à votação na Câmara. Se aprovada, a PEC abrirá uma brecha de R$ 106 bilhões no Orçamento de 2022.

Inflação acima da projeção

IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, subiu 1,17% em novembro, a maior variação para este mês desde 2002. No ano, o indicador acumula alta de 9,57% e, em 12 meses, de 10,73%. A projeção era de alta inferior, de 1,14%.

O mercado já vê a inflação oficial (IPCA) a 10,12% em 2021. Para 2022, alta para 4,96%, conforme o Boletim Focus.

Para o PIB, as expectativas são de 4,80% em 2021 e 0,70% em 2022. Vale lembrar que, enquanto o mercado já vê o crescimento de 2022 bem abaixo de 1%, o governo segue apostando em alta de 2,10% para o PIB.

Índices de Confiança

A FGV divulgou na semana seus índices de confiança. O Índice de Confiança da Construção caiu 0,8 ponto em novembro, para 95,3 pontos. Esta é a segunda queda consecutiva.

Confiança do Consumidor caiu 1,4 ponto, para 74,9 pontos. Este é o menor valor desde abril (72,5). O aumento da incerteza econômica decorre da inflação elevada, de uma política monetária restritiva e de maior endividamento das famílias.

EQIR11 na B3

Começou a ser negociado esta semana na B3 o fundo imobiliário EQI Recebíveis Imobiliários FII (EQIR11), da gestora EQI Asset.

O foco da alocação de recursos do fundo são os CRIs (Créditos de Recebíveis Imobiliários), o que possibilita a diversificação através de produtos de renda fixa com taxas de rentabilidade mais previsíveis.

Ao manter a diversidade de ativos na carteira, o fundo mantém uma boa performance, mesmo em momentos de alta de juros. Saiba tudo sobre ele aqui.