Resumo da semana: ata do Fomc e inflação foram o centro do debate

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Em resumo, a semana chega ao fim tendo como grande ponto de atenção a ata da última reunião do comitê de política monetária dos Estados Unidos, o Fomc.

A sinalização é que a retirada de estímulos da economia – atualmente em US$ 120 bilhões mensais – comece já em meados de novembro e siga até o meio do ano que vem. O resultado será menos liquidez pelos quatro cantos do mundo.

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Mas a inflação também segue como ponto de atenção. Ela está se revelando mais duradoura do que o esperado, e não só pelo Federal Reserve (Fed), banco central americano.

O avanço nos preços do petróleo e do gás natural vem pressionando ainda mais os preços. E as projeções de crescimento apontam para uma desaceleração global.

Confira o que mais foi destaque.

Resumo da semana no exterior

Tapering em novembro

O Federal Reserve afirmou que pode começar em meados de novembro um processo gradual de redução de estímulos (tapering), que pode gerar uma diminuição mensal de US$ 10 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 5 bilhões em títulos lastreados em hipotecas – atualmente, as cifras são de US$ 80 bilhões e US$ 40 bilhões, respectivamente, somando US$ 120 bilhões mensais.

O Fed também admitiu estar preocupado com a inflação, que já dura mais do que o previsto.

Inflação nos EUA

Falando em inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) veio acima da projeção: 0,4%, ante expectativa de 0,3%.

E o  Índice de Preços ao Produtor (IPP) dos EUA subiu 0,5%, pouco abaixo da expectativa de 0,6%.

Bom humor com balanços

Apesar de todas as preocupações já aqui descritas, os mercados fecharam a semana com bom humor, estimulados por balanços positivos no terceiro trimestre.

Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup e Goldman Sachs foram alguns dos nomes que reportaram resultados acima do esperado.

Crise na cadeia de produção

A Apple afirmou que pretende cortar as metas de produção do iPhone 13 em até 10 milhões de unidades neste ano, devido à escassez de semicondutores. Até então, a gigante havia passado sem danos pela crise, o que aponta que os problemas de oferta estão piorando em escala global.

Resumo da semana no Brasil

FMI reduz projeções para o PIB

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu um pouco a projeção do crescimento do Brasil para 2021, de 5,3% da estimativa de julho, para 5,2%. Para 2022, a revisão foi maior: 1,9% para 1,5%.

Já pelo Boletim Focus, que capta as expectativas do mercado, o PIB de 2021 deve ficar em 5,04%.

Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, aponta PIB de 4,7% em 2021.

Mais sobre o PIB

Ainda sobre o mesmo tema, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador recuou 0,15% em agosto.

A força do setor de serviços

volume de serviços em agosto avançou 0,5%, ante 1,1% de julho, mas dentro da expectativa do mercado. Na comparação com agosto de 2020, a alta é de 16,7%. No ano, de 11,5%.

Esta é a quinta taxa positiva seguida e o setor já se encontra 4,6% acima do patamar pré-pandemia. Vale lembrar que este é o setor que tem maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O dado divulgado nesta semana complementa a série de indicadores do IBGE, sendo que, em agosto, a produção industrial recuou 0,7% e o volume do varejo caiu 3,1%.

O bom desempenho do setor de serviços decorre da reabertura pós-vacinação. Ainda na semana, o Brasil atingiu a marca de 100 milhões de habitantes completamente imunizados contra Covid-19.

Inflação recua

Também foi divulgado o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), da FGV, que caiu 0,31% em outubro, ante recuo de 0,37% em setembro. No ano, a alta é de 16,08% e, em 12 meses, de 22,53%. Novamente, o minério de ferro, com queda de 19,46%, responde por boa parte do resultado.

IGP-10 é uma das versões do IGP, mas com levantamento de preços feito em um recorte de tempo diferente (do dia 11 do mês anterior até o dia 10 do mês atual).

Tensões seguem em Brasília

Ainda no radar do investidor segue a novela sem fim do Auxílio Brasil e da prorrogação do Auxílio Emergencial, que lançam novamente dúvidas quanto ao respeito ao teto de gastos.

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