Resumo da semana: inflação e precatórios foram os grandes temas

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O resumo da semana destaca a inflação, que assusta no Brasil e no mundo todo, aumentando as apostas em uma escalada mais rápida dos juros.

Destaque também no Brasil para a aprovação na Câmara dos Deputados da PEC dos Precatórios, que mexeu bastante com o humor do mercado, por conta da ameaça ao teto de gastos. Confira o que foi notícia.

Resumo da semana no Brasil

Inflação em alta

O IPCA, indicador oficial de inflação do país, foi divulgado na quarta-feira (10) pelo IBGE e apontou alta de 1,25% em outubro, a maior para o mês desde 2002, quando o índice foi de 1,31%. Com isso, a alta é de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses.

maior impacto veio da gasolina, que subiu 3,10% em sua sexta alta consecutiva. O combustível acumula alta de 38,29% no ano e de 42,72% nos últimos 12 meses.

Recuo do setor de serviços

O setor de serviços recuou 0,6% na passagem de agosto para setembro e interrompeu uma sequência de cinco meses de altas. A projeção era de alta de 0,5%.

Ainda assim, o setor segue 3,7% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro do ano passado, mas está 8% abaixo do recorde alcançado em novembro de 2014.

Na comparação com setembro de 2020, o ganho é de 11,4%. Em 12 meses, é de 6,8%. A informação é do IBGE.

Varejo também recua

O volume de vendas no varejo também ficou aquém das projeções, com recuo de 1,3% em setembro. A expectativa era por queda de 0,6%. Na comparação com o mesmo período de 2020, a queda é de 5,5%.

Ainda assim, no ano, a alta é de 3,8% e, em 12 meses, de 3,9%.

Apostas para a Selic

Seguem as apostas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece dias 7 e 8 de dezembro. A expectativa maior é por ajuste de 1,5 ponto porcentual, como previu o comitê em sua última ata. Atualmente, a Selic está em 7,75%.

O BTG Pactual (BPAC11) aposta em 1,5 ponto na próxima reunião, mais 1,5 ponto na primeira reunião de 2022 e 1 ponto final, encerrando o ciclo da Selic em 11,75%.

PEC dos Precatórios

No campo político, que vem mexendo bastante com os ativos, a PEC dos Precatórios deve ser apreciada em breve pelo Senado – a estimativa é dias 23 e 24 de novembro. Ela foi aprovada em segundo turno na Câmara dos Deputados esta semana.

Em resumo, a PEC adia o pagamento de dívidas do governo e altera o cálculo da correção do teto de gastos – a regra que limita o aumento dos gastos públicos ano a ano ao ritmo da inflação.

Resumo da semana no exterior

Inflação nos EUA

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) nos Estados Unidos aumentou mais do que o esperado em outubro. O indicador subiu 0,9%, após alta de 0,4% em setembro. O custo do combustível e dos alimentos levou ao maior ganho anual de inflação desde 1990.

Já os preços ao produtor vieram em linha com as estimativas, subindo 0,6% no mês passado.

Pacote de infraestrutura

Foi aprovado na Câmara dos Representantes dos EUA o projeto de US$ 1 trilhão em infraestrutura, que já havia passado pelo Senado em agosto. Agora, só falta a sanção do presidente Joe Biden.

Os recursos serão aplicados principalmente em projetos de transporte, serviços públicos e banda larga, o que deve animar o setor de commodities.

Fronteiras reabertas nos EUA

Os EUA também reabriram esta semana suas fronteiras a visitantes internacionais de mais de 30 países, após 19 meses de proibição devido à pandemia.

São agora exigidos comprovantes de vacinação e testes negativos de Covid.

Xi Jinping: presidente vitalício da China?

Os dirigentes do Partido Comunista Chinês (PCC) aprovaram uma resolução que consolida o poder do presidente Xi Jinping e abre brecha para que ele siga no poder por tempo indeterminado.

Xi Jinping, de 68 anos, deveria deixar o poder no próximo ano. No entanto, a resolução assegura sua permanência como líder do Comitê Central para além do 20º Congresso do Partido Comunista, em novembro de 2022.

A expectativa é que, durante o congresso do ano que vem,  Xi Jinping seja confirmado para um terceiro mandato como presidente, o que lhe daria poder até 2027.

Pelo documento dos dirigentes, Xi Jinping foi alçado ao mesmo patamar de líderes históricos da política chinesa, como Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping, o fundador da República Popular da China e o líder das reformas econômicas no final dos anos de 1970, respectivamente.