Shoppings têm 3º trimestre de recuperação, mas desafios seguem

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Iguatemi Florianópolis (divulgação)

Os números recentes divulgados pela indústria de shopping centers mostram um início da retomada. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), as vendas no fim de outubro atingiram 82% do volume do mesmo mês de 2019.

Os resultados das companhias de capital aberto do setor referentes aos terceiro trimestre de 2020 já mostravam também uma recuperação.

Por isso, o clima é otimista entre empresários, que já acreditam em vendas de final de ano nos níveis do ano passado. No entanto, a volta do comércio ao normal ainda enfrentará alguns desafios.

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O primeiro deles é um possível desabastecimento no comércio. Isso porque as indústrias ainda não retomaram a normalidade de produção. Além disso, tiveram alguns insumos aumentados durante a pandemia, o que poderá dificultar a rápida normalização.

O outro risco é o aumento do número de casos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, desfavorecendo tanto o movimento nas lojas como confraternizações e viagens. As recentes notícias sobre vacinas são animadoras, mas não chegarão a tempo.

A seguir, confira os resultados do terceiro trimestre das administradoras de shopping centers do Brasil.

Aliansce Sonae (ALSO3)

A Aliansce Sonae encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 24,1 milhões, face prejuízo de R$ 104,2 no mesmo período de 2019.

Em relação à liquidez, a posição de caixa da companhia foi de R$1,3 bilhão no período, e a relação dívida líquida/EBITDA foi de 1,3 vezes. Segundo relatório, apesar de contemplar os efeitos da pandemia, a geração de caixa operacional foi suficiente para cobrir despesas e amortizações de financiamentos.

A receita líquida da Aliansce Sonae foi de R$138,6 milhões no 3T20. Isso significa uma redução de 38% face o 3T19. No entanto, o valor do último trimestre já apresentou crescimento em relação ao 2T20.

Nesse sentido, a companhia conseguiu reduzir em 20% os custos e em 25,5% as despesas administrativas e gerais. Isso contribuiu para o NOI de R$98,7 milhões e EBITDA ajustado de R$78,6 milhões (excluindo o ajuste de aluguel linear).

Nos próximos trimestres, espera-se uma recuperação adicional NOI. Isso por causa da maior atividade nos shoppings e da redução da inadimplência.

Segundo a Eleven Financial Research, os resultados da companhia mostraram uma recuperação de vendas acima da média dos pares. Isso porque os shoppings da rede são descentralizados, e as regiões Norte e Nordeste foram as que tiveram melhor desempenho.

A Eleven destaca ainda a taxa de ocupação de 94,8% e a recuperação das vendas da Aliansce, que foi de 69% em relação ao mesmo período de 2019. De acordo com seus analistas, foi um desempenho superior ao de seus pares.

Por último, acreditam que, para o quarto trimestre de 2021, ocorra destaque na retomada dos shoppings do Sul e Sudeste, que estão mais atrasados em relação à média. Com isso, reafirmam a recomendação de compra da ALSO3, com preço-alvo de R$ 37,00.

BR Malls (BRML3)

A administradora de shoppings BR Malls apresentou lucro liquido ajustado de R$ 37,5 milhões no terceiro trimestre de 2020. Isso representa uma redução de 80% frente ao mesmo período do ano passado.

Por sua vez, a receita líquida foi de R$ 207,7 milhões, frente a R$ 328,995 milhões em 2019. Segundo relatório, a queda foi motivada pelas restrições do comércio e pela linearização dos contratos de aluguel.

A dívida líquida foi de R$ 2,4 milhões ao final do terceiro trimestre de 2020, representando aumento de 12% face o segundo trimestre. Isso significa uma relação dívida Líquida / EBITDA de 3,9 vezes. No entanto, a companhia conseguiu reduzir os custos e despesas gerais no período, na proporção de, respectivamente, 30,5% e 24,2%. Ao final do período, a posição de caixa era de R$ 930,2 milhões, 25,7% acima do terceiro trimestre de 2019.

Segundo o relatório, o índice SSS 2020×2019 tem crescido todos os meses desde o pior momento em abril, quando as vendas foram de apenas 1,5% em relação à 2019. Por fim, no final de outubro, a Fitch reafirmou o rating nacional da BR Malls em AAA. Segundo a agência, entre outros fatores, a avaliação considera a estrutura de capital da companhia e a adequada posição de liquidez.

De acordo com relatório do BB Investimentos, o desempenho da companhia para o terceiro trimestre de 2020 pode ser considerado misto. O motivo foi a limitação das atividades, causada pelos impactos da pandemia.

Além disso, segundo o BB, o cenário atual exige cautela, pois a recuperação será gradual. Também esperam observar uma redução de inadimplência e aumento das vendas no quarto trimestre, impulsionada pelos eventos de fim de ano. Por isso, manteve a recomendação de compra com preço-alvo de R$ 13,30 ao final de 2021.

Multiplan (MULT3)

A Multiplan apresentou lucro de R$ 568,7 milhões no terceiro trimestre de 2020, resultado 3,6 vezes maior do que o do mesmo período de 2019. Nesse sentido, o motivo do desempenho histórico foi a venda da Diamond Tower por R$ 519,8 milhões. Já a receita liquida da companhia foi de R$ 1 bilhão, contra R$ 328 milhões no mesmo período do ano passado.

Outro fator que beneficiou o resultado foi o eficiente controle de custos da companhia. Nesse sentido, foram reduzidas despesas de sede e de propriedades na ordem de 55,3%, e também despesas financeiras na proporção de 46,4%. Em relação ao custo financeiro, a redução ocorreu por pré-pagamentos e renegociações de dívidas e pela redução da Selic.

Segundo comunicado da empresa, em outubro as vendas já atingiram a maior marca desde março, na pré-pandemia. Nesse sentido, os volumes alcançaram cerca de 80% comparados ao mesmo mês do ano passado.

Ainda em relação a outubro, dois terços dos shoppings já voltaram a operar com 100% do horário de funcionamento. Além disso, quanto à receita de locação, mais da metade das unidades alcançaram 80% dos níveis de 2019. Nesse caso, cinco delas ultrapassaram a marca de 90%.

De acordo com o BTG Pactual, os resultados do terceiro trimestre foram fracos, mas a expectativa para os próximos meses é favorável. Segundo seus analistas, já era esperado o fraco desempenho, em função das restrições impostas pela pandemia.

Por outro lado, como ponto positivo, o BTG vê que a taxa de vacância aumentou pouco e a inadimplência permanece sob controle. Além disso, as vendas e a receita de aluguéis se recuperam gradualmente.

Dessa forma, a recomendação da instituição é de compra, com preço-alvo de R$ 29 e boas projeções para 2021.

Incorporadora JHSF (JHSF3)

A JHSF encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 176 milhões, alta de 87,4% em relação ao mesmo período de 2019. Nesse período, o Ebitda foi de R$ 216,3 milhões, o que corresponde a um crescimento de 39,5% na comparação do período.

Já a receita líquida atingiu R$ 355,8 milhões, um aumento de 93% sobre 2019.

Em relação à liquidez, a companhia encerrou o trimestre com caixa de R$ 186 milhões, contra dívida líquida de R$ 705,4 milhões em 2019. Os motivos do incremento foram a emissão de R$ 300 milhões em debêntures em abril e o aumento de capital de R$ 379,4 milhões ocorrido em julho.

Uma das estratégias adotadas pela JHSF durante as restrições da pandemia foi o aumento do e-commerce. Nesse sentido, as vendas do CJ Fashion cresceram 145,9% no período, comparadas ao terceiro trimestre de 2019.

Já o CJ Concierge aumentou suas vendas em 77% comparado ao trimestre anterior. Por fim, as transações do Delivery Fasano aumentaram 1.104,3% comparadas ao início de 2020 (quando já consolidada a operação).

Iguatemi (IGTA3)

O Iguatemi apresentou um lucro líquido de R$ 61,5 milhões no terceiro trimestre de 2020. Isso significa uma baixa de 29% face mesmo período de 2019.

Por sua vez, as vendas totais atingiram a cifra foi de R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre de 2020, uma queda de 45% sobre o valor do mesmo período de 2019.

Já o Ebitda alcançou R$ 134,06 milhões no período, uma diminuição de 20,4% face o terceiro trimestre de 2019. Por sua vez, o caixa da companhia era de R$ 1,17 bilhão ao final do trimestre, o que levou a uma relação dívida liquida / Ebitda de 3,11 vezes.

Em relação ao endividamento, o relatório aponta que foi finalizada a emissão de R$ 500 milhões em debêntures em outubro. Segundo a companhia, os recursos serão utilizados para pagar dívidas em 2021 e para reforço de caixa.

De acordo com o BTG Pactual, o fraco resultado já era esperado. Isso porque os shoppings da rede abriram somente 29% do tempo em julho, 56% em agosto e 69% em setembro.

No entanto, na opinião do banco, o principal fator negativo foi a inadimplência, que ficou em 13,4%, percentual acima dos pares. Além disso, a vacância também aumentou 2 pontos percentuais. Dessa forma, o banco manteve a recomendação neutra e o preço-alvo por ação em R$ 44.

Por sua vez, o Safra acredita que os resultados do quarto trimestre devam melhorar. No entanto, ainda sofrerão os impactos negativos de descontos oferecidos a lojistas, que ainda sofrem com a queda das vendas. A instituição mantém o preço-alvo de R$ 48,20.

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