Restoque (LLIS3), dona da Dudalina, pede recuperação extrajudicial

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Restoque/Le Lis Blanc/Divulgação

A Restoque (LLIS3), empresa varejista dona das marcas Le Lis Blanc, Dudalina, John John e Rosa Chá, fechou acordo para recuperação extrajudicial. Os impactos decorrentes do coronavírus fizeram com que a companhia fechasse o acordo com bancos e instituições do setor financeiro.

No fato relevante divulgado na noite de quinta-feira (04), a Restoque confirma que a renegociação envolve um valor de R$ 1,436 bilhão em dívidas financeiras. Ou seja, três quintos do que a companhia deve a instituições financeiras. A Planner Trustee é a maior credora listada, com mais de R$ 1 bilhão a reaver.

A empresa cita que os indicadores operacionais vinham apresentando melhora significativa no primeiro trimestre de 2020. Mas “o quadro que se apresentava otimista foi subitamente revertido em função dos impactos da pandemia a partir de meados de março”. O faturamento caiu mais de 95%, segundo a varejista.

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O acordo prevê que a Restoque terá carência de 12 meses a partir da homologação para iniciar o pagamento de juros e o pagamento das parcelas do valor a ser iniciado em junho de 2023. Mais de 70% da dívida vencerá no fim de junho de 2025.

As taxas serão de CDI mais 2,7% e de CDI mais 2,9%. Ou seja, valores próximos do custo financeiro atual da empresa, segundo a Restoque.

O acordo não altera as projeções financeiras entre 2020 a 2025 divulgadas no fato relevante de 18 de maio. O plano está sujeito a homologação e será objeto de ratificação em assembleia geral de acionistas.

 

Pedidos de falência sobem 30%

Os pedidos de falência no país avançaram 30% em maio. O comparativo é com o mês de abril, segundo dados da Boa Vista, empresa de informações de crédito. Mantida a base de comparação, os pedidos de recuperação judicial e as recuperações judiciais deferidas aumentaram 68,6% e 61,5%, respectivamente. Mas as falências decretadas registraram queda de 3,3% na variação mensal.

Na análise acumulada em 12 meses, os pedidos de recuperação judicial apresentaram alta de 3,7%, assim como as recuperações judiciais deferidas (2,4%). No sentido contrário, os pedidos de falência caíram 25% e as falências decretadas 21,6%, mantida a base de comparação.

Segundo os resultados acumulados em 12 meses, ainda se observa a continuidade da tendência de queda nos pedidos de falência. Porém, esse movimento estava atrelado à melhora nas condições econômicas apresentada entre 2017 e o início deste ano.

Agora, com os impactos econômicos causados pelo coronavírus, a tendência é de que as empresas encontrem maiores dificuldades em dar continuidade a esse movimento nos próximos meses, diz a Boa Vista.