Renúncia de Bolsonaro é rejeitada por 59% da população, diz Datafolha

Paulo Amaral
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Crédito: Isac Nóbrega/PR

A renúncia do presidente Jair Bolsonaro em meio à pandemia de coronavírus não é vista com bons olhos por mais da metade da população brasileira.

Foi isso o que publicou neste domingo (5) o jornal Folha de S.Paulo, com base nos dados colhidos em pesquisa do Datafolha realizada entre os dias 1 e 3 de abril.

De acordo com o Datafolha, 59% dos 1511 entrevistados disseram não desejar a renúncia de Bolsonaro em meio à crise.

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Os favoráveis ao presidente deixar o cargo somaram 37%, enquanto 4% dos entrevistados “não souberam dizer” o que pensam em relação ao assunto.

A maior parte da população que apoia uma possível renúncia pertence ao público jovem. De acordo com o Datafolha, esse percentual é de 44%. As mulheres também marcaram posição, com 42%, enquanto os que têm ensino fundamental (40%) e os com renda mínima superior a 10 salários mínimos (39%) formam outros grupos de descontentes.

A rejeição à renúncia é maior entre quem ganha entre 5 e 10 salários mínimos (69%), homens (65%) e quem recebe entre 2 e 5 salários mínimos por mês (64%).

A região Nordeste é a que apresentou maior número de apoiadores à renúncia (47%) contra 49% contrários à ideia que já está rodeando algumas rodas de conversa na oposição.

A região Sul, conhecida por ser mais bolsonarista, segundo a Folha, tem 28% de apoio à renúncia. Norte e Centro-Oeste registraram 30%, enquanto no Sudeste a porcentagem foi de 37%.

A renúncia

O assunto envolvendo uma possível renúncia de Jair Bolsonaro começou a ser ventilado depois que o presidente entrou em rota de colisão com o Ministério da Saúde e com os governadores em relação às atitudes envolvendo o coronavírus.

Os ex-presidenciáveis Fernando Haddad, Ciro Gomes e Guilherme Boulos, todos ligados à esquerda, lançaram um manifesto pedindo a saída do presidente por meio de renúncia.

Bolsonaro, durante participação no programa Pingos nos Is, da Jovem Pan, negou que tenha pensado em deixar o cargo.

“Da minha parte, a palavra renúncia não existe. Eu fico até feliz por estar na frente em um problema grande como esse. Fico pensando como estaria o outro, que ficou em segundo lugar, no meu lugar aqui”, disparou, em recado enviado para o petista Haddad.

Gestão da crise

O Datafolha apontou que somente 33% dos entrevistados consideram a atuação de Bolsonaro no combate ao coronavírus “boa ou ótima”, mas 52% destes consideram que o presidente tem condições de seguir liderando o País.

A pesquisa mostrou que 44% dos entrevistados perderam a confiança em Bolsonaro por conta da crise, enquanto 4% não souberam ou não quiseram responder.

A maioria esmagadora dos que pensam que Bolsonaro perdeu totalmente as condições de governar o País é da classe estudantil (57%).

Para contrastar, o empresariado segue em peso considerando que o presidente ainda tem totais condições de gerir a crise: 62%.

Quando o coronavírus é citado como fator decisivo para sua governança, os números deixam tal posição ainda mais clara.

Os que declaram não ter medo da doença, como o próprio Bolsonaro, somam 66% de apoio. Entre os que temem um pouco a Covid-19 Bolsonaro é apoiado por 57%, enquanto somente 38% ficam na retaguarda do presidente entre os que temem bastante o coronavírus.

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