Renegociação de dívidas já chega a R$ 200 bi, segundo Febraban

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Portal Guará

Os bancos brasileiros receberam, nas últimas semanas, uma ‘avalanche’ de 2 milhões de pedidos de renegociação de dívidas, que já contabiliza um montante da ordem de R$ 200 bilhões.

De acordo com o site da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que divulgou a informação, as renegociações incluem, sobretudo, carência de dois a três meses no vencimento das parcelas de diversos tipos de crédito (pessoal, imobiliário, aquisição de veículos) e para capital de giro.

Levantamento parcial

A iniciativa consta de levantamento parcial realizado junto ao Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, segundo a entidade.

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Outra decisão importante, anunciada pela federação, diz respeito à antecipação do repasse dos recursos do governo, que disponibilizará crédito para financiar a folha de pagamento de pequenas e médias empresas com faturamento até R$ 10 milhões.

MP de R$ 40 bi

O anúncio precedeu, em dois dias, a edição da Medida Provisória (MP) que cria uma linha de R$ 40 bilhões – R$ 6 bilhões de recursos próprios dos bancos – com essa finalidade, o que deverá beneficiar cerca de 1,4 milhão de empresas e 12,2 milhões de trabalhadores.

Esses recursos serão concedidos à taxa fixa de 3,75% ao ano, sem qualquer spread adicional para as empresas e sem qualquer custo para os empregados, esclarece a nota da federação.

Mudanças regulatórias

Ao ressaltar que “os bancos estão totalmente sensibilizados com a necessidade de os recursos chegarem rapidamente na ponta, que são as pessoas físicas e das empresas”, a Febraban destaca a importância de mudanças regulatórias para o reforço da liquidez.

Entre as medidas, além da liberação dos compulsórios, a entidade destaca  a iniciativa do BC, de incentivar a compra de Letra Financeira Garantida (LFG).

‘Válvula de liquidez’

Na verdade, o compulsório funciona como ‘válvula’ da autoridade monetária para regular a liquidez do sistema financeiro. Quanto mais baixa for a taxa do compulsório retido pelos bancos, maior o volume de recursos oferecidos pelos bancos. Quanto maior a taxa, menor a quantidade oferecida.

Os compulsórios abrangem, na verdade, vários tipos de depósitos (depósitos à vista; depósitos a prazo; depósitos em caderneta de poupança; exigibilidade adicional (que inclui um adicional dos três anteriores), bem como recursos de depósitos e garantias Realizadas.

Ansiedade e gradualismo

Mesmo reconhecendo “a ansiedade de diversos setores”, a entidade observa que a crise atual difere muito da ocorrida em 2008, pois “não há hoje empoçamento de liquidez, mas aumento substancial da demanda por recursos líquidos”.

Margem estreita

Mais adiante, a federação admite que “a saída das linhas de crédito dos bancos internacionais estreitou ainda mais a liquidez do sistema”.

Grandes repactuam

Para o desafio de garantir a liquidez, a federação destaca “a repactuação de diversas operações com grandes empresas, que demandaram volumes expressivos de recursos”.

Renovação de crédito

Já nos primeiros dias da crise provocada pela covid-19, no mês passado, a Febraban anunciou a renovação de operações de crédito para pessoas físicas, além de micro e pequenas empresas.

Saiba o que foi negociado por parte de cada instituição financeira:

Caixa Econômica Federal: 1 milhão de pedidos em contratos habitacionais, com oferta de R﹩111 bilhões em créditos e carências de até 90 dias. Na linha Caixa Hospitais, foram disponibilizados R$ 5 bilhões para este ano.

Bradesco: 635 mil pedidos, que representam 1.036.000 contratos.

Banco do Brasil: 200 mil pedidos, em valor equivalente a R﹩60 bilhões.

Santander: 80,9 mil pedidos, em valor equivalente a R﹩11 bilhões.

Itaú: 302,3 mil pedidos, com saldo de R﹩ 12,1 bilhões e parcelas já prorrogadas em valor financeiro de R﹩ 679 milhões.