Ipea: renda dos trabalhadores se recupera, mas há espaço de melhoria

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.
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Crédito: Créditos: Agência Brasil/Tânia Rego

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre os rendimentos dos trabalhadores mostra que a renda habitual dos brasileiros apresentou uma queda de 6,6%, durante a pandemia. No entanto, a pesquisa mostrou que ainda há espaço para melhorias.

A renda efetiva, por exemplo, cresceu apenas 0,9% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período de 2020, que registrou o pior momento do mercado de trabalho na pandemia. O levantamento da pesquisa foi divulgado nesta sexta-feira (17). 

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A leve recuperação dos empregos no Brasil diminuiu o impacto negativo na massa salarial real habitual. Visto que, no segundo trimestre deste ano, o declínio dos rendimentos habituais foi de 1,7% (somando R$ 215,5 bilhões).

E o aumento da renda efetiva foi de 6,1% na comparação com os dados do ano passado, totalizando R$ R$ 215,1 bilhões.

Ipea: impacto maior com autônomos

Os trabalhadores autônomos tiveram o maior impacto em suas rendas, com um acréscimo de 19,5% na renda efetiva. Já a habitual apresentou um aumento de 76%. 

Os trabalhadores com carteira do setor privado tiveram aumento de 2% na renda efetiva, enquanto para os trabalhadores sem carteira, a alta foi de 6,9%. 

De acordo com o relatório, o Nordeste foi a mais afetada pela segunda onda da pandemia. Esta região registrou queda de 2,6% na renda efetiva. Em relação ao corte por gênero, o crescimento da renda efetiva das mulheres (+1,40%) foi superior ao dos homens (+0,48%), no mesmo período. 

O relatório do Ipea indica que parte do comportamento da renda do trabalho no biênio 2020 e 2021 foi gerado por um movimento sociológico denominado efeito composição.

É a elevação da habitual média que é realizada pelo fato de que a perda de ocupações se concentrou nas profissões com menor remuneração. Além dos empregados sem carteira assinada e, principalmente, trabalhadores autônomos, de forma que permaneceram ocupados aqueles com renda relativamente mais alta. 

Com o retorno dos trabalhadores informais e autônomos, o rendimento habitual médio foi se reduzindo. A diminuição do aumento da renda habitual e da renda efetiva é um indício do retorno à normalidade no mercado de trabalho.

Mesmo com um grande número de pessoas sem renda do trabalho, houve uma leve queda nesse percentual: e 29,3% para 28,5%, que revela uma lenta recuperação no nível de ocupação ao patamar anterior à pandemia. Além disso, houve também um aumento na proporção de domicílios na faixa de renda mais baixa e uma diminuição da proporção nas demais faixas.

Renda dos jovens é a mais afetada

A renda dos jovens, de 25 a 39 anos, foi a mais afetada pela pandemia, com um recuo de 3,2% nos rendimentos efetivos reais médios. Por outro lado, os rendimentos dos ocupados com mais de 60 anos aumentaram 1,3%, influenciados pela alta proporção de trabalhadores por conta própria nessa faixa etária. 

Já em relação ao grau de escolaridade, as recuperações da renda efetiva foram generalizadas, sendo mais intensa para os trabalhadores com menor escolaridade.

A análise apontou forte queda nas horas efetivamente trabalhadas que alcançaram apenas 78% das horas habituais, o que representa uma jornada semanal média efetiva de 30,7 horas. O impacto foi maior entre os trabalhadores por conta própria (73%) e entre trabalhadores do setor público informal (72%).

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