Renda fixa: Títulos prefixados de médio prazo são aposta da Persevera

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

O cenário para investimentos em renda fixa ficou mais desafiador com a queda da Selic, e este contexto deve se acentuar nos próximos meses, já que a taxa deve voltar a cair. Diante deste cenário, muitos investidores partem para investimentos em bolsa, mas nem sempre esta é a única saída.

No momento, é possível encontrar títulos prefixados de médio prazo com bons retornos. Isso porque a percepção de risco dos investidores em relação ao Brasil tem aumentado a cada dia, elevando os prêmios pagos por este tipo de ativo.

Por esta razão, a Persevera Asset Management está apostando nos títulos prefixados de médio prazo para melhorar os retornos dos seus clientes.

Segundo o sócio fundador e CIO da Persevera, Guilherme Abbud, a melhor opção para os investidores atualmente não é a bolsa de valores, mas a renda fixa de prazos médios. “Entre bolsa e renda fixa, a gente prefere renda fixa mais longa porque ela vai gerar bastante ganhos com menos risco que a bolsa”, afirmou em entrevista exclusiva ao site Eu Quero Investir.

Entre os ativos atrelados à inflação com taxa prefixada e os ativos prefixados, a preferência da gestora é pelos prefixados. Isso porque a inflação atualmente está em baixa. Ou seja, no Tesouro Direto a gestora prefere o Tesouro Prefixado ao Tesouro IPCA +.

Novo paradigma na renda fixa

A forte queda da taxa básica de juros trouxe uma realidade tão diferente para o investidor brasileiro que Abbud prefere não tratar mais o CDI como renda fixa.

Em sua visão, os investimentos pós fixados que acompanham o CDI devem ser encarados como “cash”. Ou seja, dinheiro com alta liquidez que deve estar na reserva de emergência dos investidores.

De acordo com o especialista, os investimentos em renda fixa na prática são os prefixados e os atrelados à inflação.

Prefixados de médio prazo

Embora a Selic esteja caindo, os prefixados não tiveram o mesmo comportamento. Por isso, a gestora tem aplicado recursos dos clientes em títulos prefixados de médio prazo. Ou seja, prazos de três a cinco anos.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

O objetivo é ganhar com o retorno destes investimentos, e depois aplicar em títulos prefixados de longo prazo.

De acordo com Abbud, a opção tem sido não aplicar primeiro em títulos de prazo muito longo (10 anos) devido à baixa visibilidade do momento. “A gente prefere aplicar no médio prazo, ganhar dinheiro e depois, quando as questões estiverem mais claras, com menos pânico e dogmas no mercado, dá para ganhar dinheiro no prazo mais longo”, explica.

Sem medo do desequilíbrio fiscal

O grande temor do mercado neste momento é de que ocorra um aumento no desequilíbrio fiscal brasileiro. Ou seja, que o governo aumente muito os seus gastos sem aumentar as receitas.

Isso poderia fazer com que a economia perdesse o rumo e poderia até mesmo levar a um cenário de inflação. É este medo que tem elevado o retorno da renda fixa de prazos mais longos.

No entanto, esta não é a visão de Abbud. “Não temos este medo”, afirma. Isso porque ele acredita que a expansão dos gastos não será permanente. Por isso, não deve causar um aumento da dívida pública.

Desta forma, ele acredita que não haverá aumento da inflação no futuro. Isso protege os investimentos nos prefixados. Vale explicar que o investidor se dá mal com ativos prefixados quando a inflação sobe e o Banco Central aumenta os juros.

De acordo com o especialista, a queda na atividade econômica vai derrubar ainda mais a inflação. Além disso, o aumento dos gastos do governo deve ser temporário.

“Por isso, não vemos os prefixados longos com tanto risco assim. Achamos que existe um excesso de preocupação do mercado, e portanto, uma oportunidade”, explica.

Analisando o problema da dívida pública

Na contramão de muitos profissionais do mercado financeiro, o sócio diretor da Persevera avalia que a ameaça da dívida pública não é tão grande assim.

Além dos fatores citados acima, ele avalia que existem duas diferenças importantes entre o período de 2014 a 2016 e a realidade atual. “Naquela época, o governo era muito gastador e pagava uma taxa de juros alta pela dívida”, destaca.

Em contrapartida, o governo atual tem uma atitude mais austera quanto aos gastos públicos, e as despesas só aumentaram de forma pontual por causa da crise.

Outra mudança, segundo o especialista, foi a forte queda na taxa de juros no Brasil nos últimos cinco anos. Isso reduziu o custo da dívida pública. Segundo ele, o custo médio da dívida líquida chegou a 19% no meio da década passada, mas agora está perto de 7%, podendo cair para 5%.

“País com dívida alta mas juros baixos não quebra. Este é o caso do Japão, por exemplo”, afirma. Abbud avalia que o mercado está acostumado a olhar para a relação entre gastos e receitas, mas esquece de considerar o custo da dívida. “Se olharmos as duas partes da equação, não é algo tão preocupante”, disse.