Renda fixa: busca por CDB com liquidez diária cresce em abril

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Em meio à pandemia mundial e à crise política no Brasil, a procura por Certificados de Depósitos Bancários (CDB) de liquidez diária teve um aumento expressivo.

Segundo um levantamento feito pelo App Renda Fixa, a busca por este tipo de CDB em abril representou 34,5% do total de buscas por CDBs.

Um mês antes, este tipo representava apenas 25% do total. Os CDBs de liquidez diária podem ser vendidos todos os dias.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

O levantamento, divulgado com exclusividade para o site Eu Quero Investir, leva em consideração mais de um milhão de buscas mensais dos investidores.

De acordo com o CEO da plataforma de busca e comparação, Francis Wagner, isso ocorreu devido às incertezas econômicas geradas pela pandemia.

“As pessoas têm se preocupado mais em manter a liquidez para algum tipo de emergência como redução nas receitas ou até mesmo um possível desemprego”, afirma.

Segundo ele, muitos investidores têm também se antecipado à uma possível recessão.

CDB lidera ranking de buscas

Durante o mês de abril, os CDBs foram os ativos mais buscados pelos usuários da plataforma. O ranking inclui ativos de renda fixa e fundos de investimento.

A liderança não é uma novidade, já que ests títulos já lideravam o ranking nos meses anteriores.

A novidade foi o crescimento das buscas por fundos de ações no mês passado. Este tipo de investimento ficava em terceiro lugar na lista da plataforma, mas chegou ao segundo lugar em abril.

De acordo com Wagner, a procura maior por fundo de ações reflete o maior apetite dos investidores por investimentos em bolsa devido à forte queda registrada em março.

Ele destaca que alguns fundos de ações chegaram a cair mais de 50% em março.

Vale lembrar que o Ibovespa caiu 30% em março, maior queda mensal em 22 anos.

“Muitas pessoas têm procurado aproveitar essas oscilações na bolsa, o que justifica a alta procura
por fundos de ações”, destaca o especialista.

Confira a lista:

As debêntures também subiram no ranking, chegando ao oitavo lugar, depois de passarem dois meses na décima posição. O motivo, segundo Wagner, foi a melhora nas taxas oferecidas por este tipo de ativo.

Em março, houve um movimento de saída de investidores neste mercado, e isso elevou as taxas oferecidas. Com isso, a atratividade aumentou.

Além disso, outra mudança em abril foi a queda do item P2P, modalidade peer-to-peer. Nesta operação, uma pessoa obtém empréstimo via startups que une tomadores de créditos com investidores.

Segundo o porta-voz, a queda se deve à maior incerteza envolvendo o cenário econômico.