Renda fixa não é tão fixa assim: entenda por que títulos oscilam

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Crédito: Divulgação

Na hora de investir, muitas pessoas escolhem títulos de renda fixa por pensar que este tipo de aplicação não sofre oscilações. 

Na prática, não é assim que funciona. A renda fixa não é tão “fixa” como o nome sugere.

Confira como funciona este mercado:

O que significa renda fixa, afinal

Quando você escuta falar de um investimento de renda fixa, é importante que saiba exatamente o que isso quer dizer. 

A renda fixa significa que o porcentual de rendimento de uma aplicação é combinado com você na hora da compra. Geralmente, este porcentual está atrelado a uma taxa de referência que já existe na economia.

Na data do vencimento do título, vai receber o retorno de acordo com o que foi acordado na hora da compra.

Para entender

Alguns exemplos: existem títulos de renda fixa que oscilam conforme a inflação. 

Por exemplo, um título de renda fixa com vencimento em 2025 que acompanha a taxa de inflação (IPCA) e te dá um adicional de 5%. 

Isso significa que quando 2025 chegar, você vai receber exatamente a variação do IPCA no período mais 5%. Ok, você não tem como saber quanto a inflação vai variar.

Mas pelo menos você saber que o título vai andar junto com a inflação.

Da mesma forma, existem muitos títulos de renda fixa atrelados ao CDI, indicador que anda junto com a taxa básica de juros. Neste caso, ao final do prazo de vencimento, você vai receber um porcentual do CDI do período.

Quando você ouve falar que um CDB paga 100% do CDI, por exemplo, significa que a rentabilidade vai ser igual ao CDI do período. Se for mais de 100% do CDI, significa que a rentabilidade vai ser maior que o CDI.

Mas também oscila

Quando dizemos que a renda fixa não é tão fixa assim, significa que ela também pode variar. A variação ocorre somente para quem vende o título antes do vencimento.

Para entender, é importante explicar que existe um mercado secundário dos títulos de renda fixa.

Neste mercado, os investidores podem comprar e vender todos os dias, e as taxas vão variar conforme as expectativas que existem no mercado.

Quando o investidor compra um título, ele vai perceber que este título oscila todos os dias. 

Imagine o caso de um investidor que tem um título pré-fixado que rende IPCA mais 4%.

Se hoje este título estiver sendo negociado no mercado por IPCA mais 5%, o papel sofre uma desvalorização.

Já quando o mercado está negociando o mesmo título a IPCA mais 3%, o papel sofre uma valorização.

Esta marcação a mercado é o que deixa alguns investidores nervosos. O Tesouro Direto, por exemplo, é marcado a mercado diariamente, mas você também vê este fenômeno com clareza nas debêntures e fundos de investimetnos que investem nestes tipos de ativos.

O segredo para não sofrer com a oscilação é ficar com o título até o seu vencimento.

Assim, a rentabilidade continuará a ser IPCA mais 4%, neste exemplo. Não importa o quanto ele mudou de valor ao longo do caminho.

Pós-fixados dão menos dor de cabeça

Os títulos pós-fixados atrelados às taxas de juros não costumam dar tanta dor de cabeça.

Isso porque o valor aplicado é atualizado todos os dias pela Selic ou pela taxa DI. Desta forma, os preços vão aumentando um pouquinho a cada dia. Este é o caso do Tesouro Selic, por exemplo. 

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Renda variável

Em contrapartida à renda fixa, a renda variável não dá ao investidor nenhuma referência de quanto será a rentabilidade. Não há acordo sobre o retorno, e por isso os riscos são muito maiores.

Ao mesmo tempo, a chance de obter uma rentabilidade elevada também existe. Por isso muita gente investe em renda variável.

Um exemplo mais conhecido de renda variável são as ações das empresas listadas na bolsa de valores.

Moedas estrangeiras, commodities e fundos de índice são outros exemplos de ativos de renda variável. Ali moram grandes riscos, com chance de grandes retornos e grandes perdas.

É por isso que investidores conservadores deixam a maior parte do seu patrimônio alocado em renda fixa, e apenas uma pequena parcela em renda variável.