Renda fixa tem maior captação desde 2006; fundos de ações tem pior saldo desde janeiro

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.
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Crédito: Crédito: Pixabay

O mês de setembro foi bastante turbulento para os investidores devido ao cenário de crise política no Brasil e algumas baixas no mercado internacional, como a ameaça de boicote da chinesa Evergrande. Tudo isso contribuiu para que o nono mês do ano tivesse um resultado negativo na Bolsa. 

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de ações tiveram mais saques do que depósitos no mês de setembro. O saldo foi uma captação líquida negativa de R$ 3 bilhões – o pior desempenho mensal desde janeiro, quando os depósitos líquidos tinham ficado negativos em R$ 23,1 bilhões. 

Vale destacar que o Ibovespa apresentou uma queda de 6,57% no mês passado, a maior queda desde o início da pandemia em março de 2020. Haja vista que os resultados da B3 nos meses agosto, julho e junho tiveram variação negativa também, com 3,14%, 3,17% e 1,15%, respectivamente.

Em setembro, somente três subclasses de fundo de ações conseguiram fechar o mês com um saldo positivo. Foram as ações focadas em dividendos, as fechados e aquelas com investimento no exterior.

Apesar do mês passado ter sido negativo para investimentos em fundos de ações, o acumulado do ano de 2021 ainda é positivo. De acordo com a Anbima, os depósitos líquidos já registram R$ 7,8 bilhões.

Além dos fundos de ações, os multimercados também enfrentaram dificuldades. Essa modalidade encerrou setembro com saques líquidos de R$ 13,4 bilhões. A última vez que essa classe havia registrado captação líquida negativa foi em abril de 2020, quando os saques acumularam R$ 10,6 bilhões.

Outro investimento que contou com mais saques do que depósitos foram os fundos de previdência. A Anbima aponta que os depósitos líquidos nessa classe ficaram negativos em R$ 2,9 bilhões. Mesmo com o resultado negativo de setembro, o acumulado do ano seguem com as captações líquidas positivas, com um valor somado de R$ 5,1 bilhões.

Quem ficou no azul?

O Ibovespa fechou o mês de setembro com uma desvalorização acima de 6%. Em contrapartida, o dólar valorizou  5,36%, o maior crescimento desde janeiro deste ano (5,53%). Com isso, os fundos cambiais cresceram exponencialmente, somando R$ 171,7 milhões em setembro, valor bem maior do que o registrado no mês anterior, que foi de R$ 18,1 milhões. Em 2021, as captações líquidas chegam a R$ 991,5 milhões.

Enquanto que os fundos cambiais foram impulsionados pelo dólar, o crescimento da taxa de juros contribuiu para a renda fixa. A Anbima aponta uma captação líquida de R$ 34,9 bilhões. Apesar deste número ser grande, ele ainda é inferior aos R$ 40,9 bilhões de agosto deste ano. 

Ao longo do ano, a renda fixa acumula depósitos líquidos de R$ 237,2 bilhões,  maior valor já registrado desde 2006.

Os fundos de participação (FIPs) e de investimento em direitos creditórios (FIDCs) também fecharam setembro no azul. Eles receberam  captações líquidas de R$ 414 milhões e de R$ 3,9 bilhões, respectivamente. 

No acumulado do ano, os depósitos líquidos dos FIPs estão negativos em R$ 8,7 bilhões, enquanto os dos FIDCs estão positivos em R$ 64,2 bilhões.

Outro investimento da renda variável que terminou com um saldo positivo foi os ETFs. Conforme o relatório da Anbima, em setembro os índices receberam captações de R$ 2,1 bilhões. 

No acumulado de 2021, os recursos já somam captações líquidas de R$ 6,7 bilhões. Se continuar neste ritmo, os investimentos devem  bater os R$ 10 bilhões, número conquistado em 2019 antes do período pandêmico. 

Rentabilidade

Em relação à rentabilidade, foram os responsáveis pelo melhor resultado do mês de setembro. De acordo com a Anbima, este fundo conseguiu uma média de valorização de 5,18%.

Depois dos fundos cambiais, as maiores rentabilidades vieram dos fundos de renda fixa com dívida externa, com rentabilidade de 4,56% no mês. Na prática, esses fundos investem no mínimo 80% do patrimônio líquido em títulos da dívida externa de responsabilidade da União.