Renda Fixa

Renda Fixa e Taxa de Juro

Renda Fixa e Taxa de Juro
5 de 2 votos

Juros, FII, Debêntures, Tesouro Direto.

O mercado de investimentos nacional possui vários ativos que sofrem influencia da taxa de juro, ou do juro futuro.
Dentre deles podemos citar, letras do tesouro com juro prefixado, fundos imobiliários e as debêntures.

Tesouro Direto.

As letras do tesouro podem gerar até uma grande surpresa para muitos, uma vez que os investidores iniciantes pensam que as letras tem um rendimento equivalente a um CDB.
Todo dia valorizando um pouco, independente do cenário econômico.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Mas ai que muitos se enganam. As letras do tesouro que possuem em seu rendimento o juro prefixado sofrem influencia da taxa de juro.

Momentos em que existe a perspectiva de aumento da mesma, as letras podem começar a desvalorizar o valor do principal e aumentar a taxa prefixada.

O mesmo pode acontecer caso a situação seja inversa, a taxa de juro está caindo, então o valor do principal sobe e a taxa prefixada cai.

Debêntures.

Esse movimento pode ser visto em outros investimentos, como as debêntures.

Negociadas na bolsa de valores, as debêntures em grande parte possuem seus rendimentos atrelados a algum índice de inflação mais juro prefixado.

Quando a taxa de juro começa a subir, é natural que o valor da debênture caia, uma vez que a mesma terá mais dificuldade de ser negociada no mercado.

Entre 2012 e 2013 a taxa de juro estava na casa dos 7,25%, um momento onde muitas debêntures foram lançadas com rendimentos de 3% de juro prefixado.

Algo que hoje é muito inferior a títulos de mais segurança, como o tesouro direto, e de maior liquidez também. Tais debentures tiveram os valores do principal bem descontado.

Exemplo – (ECOV-DEB22).

Para exemplificar da melhor forma, iremos pegar os valores das Debêntures da Ecovias, ECOV-DEB22.

O Titulo foi lançado em 2013 com vencimento para 15/04/2024, com rendimento atrelado ao IPCA mais 4,28% ao ano.

O valor inicial do mesmo era de R$ 1.000,00.
A debênture realizou pagamentos anuais do juro (iniciou em 15/04/2014).
A Amortização também era anual, a partir de 15/04/2022.

Em primeiro de abril de 2016 essas debêntures estavam com o PU de R$ 1.308,46.

Alias você sabe o que é PU?

PU é abreviação para Preço Unitário, no caso do exemplo, significa o valor nominal do titulo acrescido do juro.

Então, o valor nominal do titulo, que seria o valor do principal acrescido das correções pela inflação (IPCA) é de R$ 1.257,05, mais o juro, que acumulou no período R$ 51,41, totalizando os R$ 1.308,46.

Conclusão, o PU é valor corrigido pelo rendimento indexado ao titulo, sem levar em consideração as movimentações do mercado.

É como ver a sua aplicação em CDB indexado ao CDI crescendo todo o dia.

Até esse ponto acredito que tudo tenha ficado claro, porém, se você quiser liquidar a sua posição em tal debênture?

Você devolve para a empresa emissora?
Não, você terá que negociar na bolsa, como as ações ou fundos imobiliários.

Mas nesse caso, o valor de PU não será parâmetro para sua negociação e sim a marcação a mercado.

Vamos simular uma venda dessa debenture em primeiro de abril/2016.

Já sabemos que o valor de PU é R$ 1.308,46.
O valor de mercado para o mesmo titulo estava em R$ 1.051,01, um desconto de quase 20%!

Explicação para isso é fácil: o titulo paga ao investidor IPCA mais juro de 4,28%.

Vamos comparar com a uma letra IPCA do tesouro com vencimento em 2024: a mesma estava pagando IPCA mais juro de 6,52%.

Levando em consideração o risco da Ecovias (emissora da debenture) contra o Tesouro Nacional, é muito mais garantindo investir em letras do tesouro.

Vale ressaltar que existem debêntures que foram lançadas no ao passado e estava pagando valores superiores aos 8% ao ano de juro prefixado, além do IPCA por exemplo.

Esse tipo de ativo acabou ficando valorizado, pois na grande maioria das vezes possuía uma data de vencimento acima dos 10 anos e ainda podem contar com o fator de serem patrocinadas, ou seja, isentos de IR.

Gostaria de fazer uma observação, devido ao mercado de debêntures ser menos liquido, é necessário fazer um bom estudo na hora de investir nos mesmos.

Fundos Imobiliários.

Os fundos imobiliários também podem ser influenciados pela taxa de juro. Havendo o aumento da taxa, o mercado inicia uma correção do valor das cotas, começando uma desvalorização.

Caso aconteça ao contrario, e a taxa de juro comece a cair, então o valor das cotas começa a subir.

As prováveis causas para tal situação no mercado de fundos imobiliários pode ser motivado pelo valor das distribuições.

Algo que influencia, muito, na tomada de decisão na hora de investir.

Nos últimos cinco anos o mercado de FII passou por uma situação que levou o preço do índice IFIX ao “chão”.

Do ano de 2012 a 2013, a taxa Selic estava em ritmo de queda, sofrendo cortes, um atrás do outro, até que chegou aos 7,25% a menor taxa de juro no Brasil desde a criação do real.

Antes tínhamos uma taxa de juro de dois dígitos e fundos imobiliários que tinha suas cotas negociadas a valores, por exemplo, de R$ 100,00 e rendiam R$ 0,83 ao mês (praticamente 10% ao ano).

Esse rendimento é isento de IR e de certa forma era superior ao que um CDB de quase 100% do CDI poderia pagar, sendo assim, era vantajoso tomar risco para investir em uma ativo que poderia distribuir valores isentos de IR e com mesmo, ou melhor rendimento.

No momento em que a taxa de juro começou a cair, o mercado iniciou um processo de “precificar” as cotas.

As vezes pode parecer que o mercado é um ser vivo, ele não é na verdade, tudo funciona como um grande leilão de produtos.

Todos querem o melhor produto, o que mais rende, o de melhor desempenho, e para conseguir o mesmo, é necessário fazer ofertas, e a maior ganha!

Quando a taxa começou a cair, o fundo imobiliário permaneceu pagando o mesmo dividendo.

Ele, por si só não altera os seus pagamentos com relação à taxa de juro. Mas o mercado vai avaliar aquele valor de cota, com o pagamento mensal de maneira diferente.

Quando eu falo mercado, eu falo de você!

Vamos dizer que existe um CDB de 100% do CDI, que seria praticamente 100% da Selic.

Você está investindo com R$ 1.000,00 nele.
Ótimo! Mas a Selic que estava 12% ao ano cai para 10% ao ano.
O seu CDB continua a 100% do CDI, porém, a Selic não é mais 12% é 10%!

O seu rendimento caiu também, certo?
Mas se você estivesse com um FII, que custava no mesmo momento em que você comprou o CDB, os mesmos R$ 1.000,00 e pagava R$ 10,00 ao mês (ou 12% ao ano), você não sofreria danos.

Compreendeu? Isso acontece da mesma forma com Debêntures e letras IPCA, ou prefixadas.
A diferença está só na relação do rendimento.

Os fundos imobiliários distribuem os aluguéis ou juros das letras de financiamento imobiliários, que na grande maioria estão indexadas a alguma taxa de inflação: IPCA ou IGP-M.

Debêntures e Letras IPCA, também estão na grande maioria indexadas à inflação.
Mais um juro prefixado. No caso dos FII o juro prefixado é o aluguel.

A tendência do mercado é levar os preços dos ativos para próximo do valor de investimentos que rendem juro, como CDBs, LCs, etc.

Por isso o valor do principal de tais investimentos tem a tendência de flutuar constantemente.

Podemos reparar nisso vendo as letras IPCA do tesouro, O próprio tesouro suspende a negociação de suas letras devido à volatilidade do mercado de juros.

O programa do Tesouro toma essa medida com o intuito de reduzir grandes distorções de preço que podem vir a acontecer.

Podemos concluir que o mercado, os investidores e grandes “players” vão sempre avaliar os ativos negociados em bolsa, levando vários fatores, dentre deles a taxa de juro.

Sendo assim, não basta simplesmente investir em determinado investimento só porque ele é bom no momento.

É necessário fazer uma analise critica do cenário econômico e tentar assimilar uma estratégia para o médio e longo prazo.

Este Investimento e o seu Perfil de investidor

Antes de investir em Renda Fixa vale entender mais sobre o seu perfil de investidor e se ele comporta este tipo de investimento.

Juliano Custodio

Juliano Custodio é empreendedor digital, apaixonado por tecnologia, investimentos e tudo o que esta mistura pode criar.
É também CEO do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.
Me envie um e-mail: juliano.custodio@euqueroinvestir.com
Ou então uma mensagem por WhatsApp: (47) 9.8859.2799.

Artigos Relacionados

Close