Em relatório BC vê inflação a 5% no ano e reduz projeção do PIB para 3,60%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Freepik

Em seu Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central aumentou a estimativa de inflação para 2021 de 3,4% (estimado em dezembro do ano passado) para 5%. Com isso, o indicador ficaria acima do centro da meta para o ano (3,75%), mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual (para cima ou para baixo).

Para o Banco Central, a inflação ao consumidor situou-se acima do esperado no trimestre encerrado em fevereiro. O que se explica pela elevação no preço de commodities internacionais, especialmente pelo efeito sobre o preço dos combustíveis.

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Para 2022 e 2023, a projeção é de inflação de 3,5%.

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Reprodução/BC

Já a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano foi reduzida de 3,80% para 3,60%.

Repetindo, em grande parte, os pontos apresentados na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – quando justificou a alta da taxa básica de juros, Selic, de 2% para 2,75% -, o documento desta quinta-feira (25) o BC reiterou que o cenário, agora, não exige grau exagerado de estímulo.

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Grau de incerteza ainda é grande quanto ao crescimento

Para o Banco Central, o PIB do quarto trimestre de 2020 foi bom e os números de atividade de janeiro e fevereiro continuam mostrando recuperação.

Entretanto, ainda não há dados que captem os efeitos do recrudescimento da pandemia. E, por isso, a incerteza quanto ao ritmo de crescimento continua elevada, o que justifica a revisão para baixo do PIB.

No entanto, uma possível reversão da atividade econômica decorrente do agravamento da pandemia tenderia a ser “bem menos profunda do que a observada em 2020, e provavelmente seria seguida por rápida recuperação”, especialmente no segundo semestre. “Na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente”, avalia o banco.

Segundo o BC, a recuperação econômica mundial ao longo do ano deve ser mais robusta, repercutindo os novos estímulos fiscais e o avanço da implementação dos programas de imunização contra a Covid-19. O que pode, no entanto, gerar uma alta inflacionária.

“A comunicação de diversos bancos centrais sinalizam que os estímulos monetários terão longa duração, em cenário de ociosidade na economia mundial. No entanto, alguns mercados apresentam aumento na volatilidade em ambiente de maior risco inflacionário nas principais economias. A evolução desse processo de reprecificação de importantes ativos financeiros pode tornar o ambiente para as economias emergentes mais desafiador”, explica o BC.