Relatório mostra que menos da metade dos brasileiros consegue levantar dinheiro em caso de emergência

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Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

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De acordo com dados do Relatório de Cidadania Financeira, divulgado pelo Banco Central, no ano de 2017, somente 46% da população se declaravam capazes de, caso surja uma emergência, conseguir dinheiro para fazer frente às despesas. Esse percentual inclui as pessoas que se consideram preparados para conseguir no mínimo R$ 1.520 caso ocorra um imprevisto.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Esses dados possuem como fonte a pesquisa denominada Global Findex 2017, promovida pelo Banco Mundial, em que pessoas de todas as partes do mundo são consultadas e respondem se conseguem, em um momento de emergência, obter ao menos 1/20 da renda nacional bruta per capta, que é medida com base na moeda local. Considerando o PIB (Produto Interno Bruto) per capta de 2016, no Brasil esse valor representa R$ 1.520.[/box]

*Percentual da população adulta (maior de 15 anos) para a qual é possível levantar, em caso de emergência, pelo menos 1/20 da Renda Nacional Bruta (RNB) per capita em moeda local. No caso do Brasil, valor de referência é R$ 1.520,30.

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** Exceto países da OCDE

Fonte: Banco Central e Global Findex 2017/Banco Mundial/Estadão

Apesar de alarmante, esses dados revelam uma melhora da situação do Brasil frente a última pesquisa, realizada em 2014, quando esse percentual foi de apenas 35%. Contudo, em um universo que considera 144 economias, a média global é estimada em 54%. Já países com alta renda, esse percentual atinge os 74%. Nessa pesquisa, alguns países, a exemplo de Burkina Faso e Bangladesh, figuram em uma situação mais favorável que a do Brasil, com 57% e 64%, respectivamente.

A situação brasileira piora quando é avaliada a fonte desse dinheiro. Entre aqueles que se dizem aptos a levantar recursos para cobrir imprevistos urgentes, 42% apontaram que podem fazer isso pegando um empréstimo com amigos ou familiares. Somente 14% afirmaram que retirariam esse dinheiro de recursos que foram guardados ao longo do tempo.

[box type=”note” align=”” class=”” width=””]Assim, de cada 100 brasileiros, um total de 46 conseguem obter recursos de emergência, mas 19 deles acabariam recorrendo a amigos e familiares. Somente seis nesse universo é que possuem dinheiro poupado.[/box]

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Situação preocupante

De acordo com Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper, essa situação é preocupante. Ele aponta que os dados divulgados pelo Banco Central mostram uma “confiança em excesso” das pessoas com relação aos imprevistos, algo que é característico dos brasileiros.

Rocha também reconhece que os brasileiros com menor renda têm maiores dificuldades em poupar, contudo, o problema não é limitado a esse grupo de pessoas. Ele também compara o Estado brasileiro ao grupo de cidadãos que possuem zero de capacidade de poupança e aponta que se trata de um “padrão”.

Os dados do Banco Mundial também mostram que, no ano passado, somente 32% dos brasileiros com idade superior a 15 anos possuíam o costume de guardar dinheiro. Um detalhe importante: nesse grupo entraram pessoas que pouparam qualquer quantia em 2017. A média global desse indicador é de 48% e, em países de alta renda, de 73%.

O Banco Central considera em seu relatório o valor da renda das pessoas, mas também destaca que ele não determina se os cidadãos farão uma poupança. Alguns dados como cultura, educação e comunicação também são relevantes nesse sentido.

Poupar como cultura

Para Mauro Calil, educador financeiro, a maior carência do brasileiro, além da poupança, é uma melhor organização financeira e uma cultura de poupar. Para ele, o montante de R$ 1.520 é muito baixo, pois equivale a aproximadamente R$ 127 economizados por mês durante um ano. Segundo Calil, uma grande parcela dos brasileiros conseguiria formar essa reserva de emergência somente poupando o dinheiro que recebem como 13º salário, entretanto, em muitos casos o dinheiro extra acaba sendo direcionado apenas para o consumo.

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Em suas palestras, Calil sempre questiona os participantes sobre o passado, quando ganhavam a metade de seus atuais salários e imaginavam que seriam ricos se ganhassem o dobro. Para ele, o que faz a maioria dessas pessoas não terem se tornado ricas é o fato de terem “esticado o elástico do consumo”.