Fed reforça: “Gravidade e rapidez da crise são as maiores desde a 2ª Guerra”

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Novo relatório do Federal Reserve – Fed -, o Banco Central dos Estados Unidos, divulgado nesta sexta (12) voltou a alertar para a gravidade da crise econômica imposta pela pandemia de coronavírus.

Dúvidas sobre como investir? Consulte nosso Simulador de Investimentos

O relatório reafirmou que o Fed tinha sublinhado na quarta, quando anunciou que manterá as taxas de juros perto do zero: seguirá nesse patamar “até que haja confiança que a economia resistiu ao Covid-19”.

Mas a autoridade monetária assumiu um tom mais pessimista do que o mercado vinha sustentando até há poucos pregões.

Segundo Jerome Powell, presidente do Banco Central norte-americano, “essa é a maior crise desde a 2ª Guerra”.

O relatório causou impacto no mercado financeiro.

Reação do mercado

“Os mercados acionários americanos abriram com força e disposição para recuperar as perdas da véspera, mas há muita volatilidade nesta tarde e dois índices operam no negativo”, analisa Márcia Pinheiro, do serciço Bom dia Mercado, do Telegram.

“Há preocupações latentes com o estado da economia americana. Pesaram algumas declarações do presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, sobre a questão fiscal nos EUA. mas a maior força negativa veio da divulgação do relatório do Fed”.

O documento volta a citar as preocupações com os impactos da pandemia para a economia, destacando o alto nível de incertezas.

O índice Dow Jones subia 0,19%, mas o S&P 500 caía 0,07% e o Nasdaq recuava 0,35%.

Com a perda de fôlego em NY, o Ibovespa acentua a baixa e cai 3,31% aos 91.547,60 pontos, e o dólar também corre atrás do feriado e opera em forte alta. Sobe 3,00%, a R$ 5,0836 no mercado à vista.

Taxa de desemprego

O efeito mais sentido é em relação aos empregos. O Fed destacou que mais de 20 milhões de pessoas já perderam o emprego nos Estaodos Unidos desde o início da pandemia.

“Desde fevereiro, os empregadores cortaram 20 milhões de empregos das folhas de pagamentos, revertendo quase dez anos de ganhos do mercado de trabalho”, diz o comunicado.

“Os empregos podem demorar para retornar e para os trabalhadores das indústrias de serviços que foram significativamente afetados – viagens e restaurantes, por exemplo – algumas perdas de emprego podem ser permanentes”, conclui.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos alcançou 14,7% em abril, mas caiu um pouco no fechamento de maio, apontando 13,3%. Apesar da queda, segue “ainda muito elevada” segundo a leitura do Fed.

Fuga de capitais

O documento, que será apresentando ao Congresso americano na próxima semana, mostrou que a fuga de capitais dos emergentes ocorreu por causa da busca por ativos seguros e líquidos.

Os benefícios de se ter um assessor de investimentos

“Há confiança reduzida na capacidade de alguns governos conterem a crise da saúde, além da incerteza sobre a perspectiva das finanças públicas e comércio global”.

fed-saint-louis-eua

Bolsas de países emergentes

Segundo o Bom Dia Mercado, serviço do Telegram, chamou a atenção no boletim o fato de as bolsas de alguns países emergentes, como Brasil e México, não estarem com bom desempenho.

“Enquanto as bolsas na Ásia se recuperaram parcialmente, índices acionários no Brasil e no México tiveram desempenhos inferiores se comparados a outros mercados emergentes”, destacou parte do comunicado.

O Fed citou ainda que “o peso mexicano e o real se desvalorizaram cerca de 16% e 30%, respectivamente, em parte por causa dos preços menores das commodities”.

Planilha de Açõesbaixe e faça sua análise para investir

Decisão sobre juros

O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, anunciou, na última  (10), que vai manter as taxas de juros entre 0,10% e 0,25%.

A decisão do FOMC (Federal Open Market Committee, ou Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed) foi tomada de maneira unânime.

O FOMC informou que projeta juros perto de 0,10% pelo menos até o fim de 2022.

A pandemia do coronavírus, que fez o governo americano injetar trilhões na economia, é o motivo principal que norteou a determinação do Fed.

A crise, lembrou o comitê, paralisou setores da indústria e comércio e seus efeitos recaíram “fortemente” sobre o “crescimento, a inflação e o emprego no curto prazo”.

Projeções

Em virtude do impacto na pandemia, o comitê estima, para este ano, recuo de 6,5% no PIB.

Mas a autoridade monetária prevê crescimento do PIB de 5% em 2021 e de 3,5% em 2022.

A instituição declarou que vai manter ritmo de compras de títulos do Tesouro a US$ 80 bilhões por mês — esse valor, segundo o comitê, poderá ter elevação de acordo com critério da instituição.

O Fed afirma que espera inflação de 0,80% este ano. Para 2021, a projeção é de 1,6%; e de 1,7% em 2022 – o que mantém a meta abaixo de de 2%.

O comitê diz que prevê, para 2020, taxa de desemprego de 9,3% este ano. Em 2021, esse índice deve ser de 6,5%. Em  2022, o Fed projeta taxa de  5,5%.

Incertezas

Powell repetiu o que disse que na última ata do comitê, em maio: “Usaremos todos os instrumentos para enfrentar a crise.”

Ele lembrou que a queda do PIB no segundo trimestre deve ser a “mais grave já registrada”.

O presidente do Fed reforçou que uma política fiscal mais austera produziria resultados melhores e mais rápidos para a economia.

“A inflação está abaixo da meta por causa da retração do consumo com epidemia”, disse ele.

“É fundamental manter o fluxo de crédito ao mercado. o que o Fed está fazendo isso desde março. Vamos manter o fluxo de compra de ativos ao menos no nível atual”, acrescentou.

Segundo semestre

O presidente do Fed lembrou que, após a crise, “instrumentos emergenciais” serão retirados.

Powell ressaltou que projeções do Fed preveem que os sinais de recuperação da economia começarão a aparecer no segundo semestre de 2020.

“Estamos acompanhando e iremos avaliar os indicadores, mas essa é a tendência”, analisa.

Taxas de desemprego

Ele mencionou a recuperação do emprego. Sublinhou que a recuperação será lenta, mas mostrou otimismo com os últimos dados da economia sobre postos de trabalho.

Em maio, foram abertas 2,5 milhões de vagas nos Estados Unidos, quando a projeção do mercado indicava a perda de 8 milhões de postos de trabalho em maio.

A taxa de desemprego ficou em 13,30%, bem menor do que a aguardada, de 19,50%.

Os dados foram divulgados na última sexta (5) pelo Bureau of Labor Statistics dos EUA.

“Pode levar alguns anos para que algumas pessoas encontrem outro emprego”, disse ele.

“Milhões de pessoas podem, na verdade, não conseguir voltar aos seus antigos empregos nos EUA”, complementou.

Ele precisou a conta: “São 24 milhões de pessoas que precisam voltar ao trabalho. Trata-se de um grande desafio para o país após os efeitos da pandemia.”

fed, reunião FOMC

Recuperação mais lenta

“A mensagem mais realista do Fed frustra as expectativas de recuperação mais rápida da economia americana, que vinham embalando o otimismo dos investidores”, avalia a jornalista Rosa Riscala, do serviço Bom dia Mercado, do Telegram.

“E é isso o que parece estar inibindo uma reação mais forte dos mercados à decisão de manter os juros baixos por longo período de tempo e os estímulos monetários”, completa.

“O investidor global poderá assumir posições mais defensivas diante do quadro econômico projetado pelo Fed, reduzindo a sede que está mostrando por ativos de risco, inclusive nos mercados emergentes”, prevê Riscala.

Decisão frustra mercados

“A decisão frustrou os mercados com uma mensagem mais realista sobre as perspectivas do pós-Covid, que vinham embalando o otimismo dos investidores”, lembra a jornalista.

Powell prevê uma volta à normalidade mais demorada, uma retração “severa” do PIB no segundo trimestre, recuo de 6,5% do crescimento este ano e muitas incertezas no horizonte.

“Até mesmo os dados surpreendentes do payroll em maio, que entusiasmaram pregões, foram relativizados pelo Fed, que acredita em número subestimado do desemprego, em cerca de três pontos porcentuais”, adiciona o BDM.

“O choque de realidade esvaziou a reação positiva inicial e levou as bolsas em NY a devolverem os ganhos. Só o Nasdaq, sustentado pelas ações de tecnologia, manteve o sinal positivo no fechamento, enquanto o dólar perdia valor ante o euro, a libra e o iene”, avalia.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Emergentes

A queda do dólar possibilitou um ajuste nas moedas emergentes – o que não ocorreu com o real.

Após operar na mínima de R$ 4,8406, o dólar voltou a subir até R$ 4,91.

“Nos juros futuros, o contrato mais curto, que projeta a Selic para o final do ano, assumiu cautela, com a pressão do câmbio de volta ao cenário. Os demais contratos fecharam em baixa, mas longe das mínimas”, Rosa Riscala

Última decisão

O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, decidiu, em 29 de abril, manter as taxas de juros entre 0% e 0,25%.

O comitê alegou que “está empenhado em usar toda a sua gama de ferramentas para apoiar a economia dos EUA neste momento desafiador, promovendo assim suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”

“A pandemia do coronavírus causa imensas dificuldades humanas e econômicas”, observou o FOMC.

Declínio da atividade econômica

O comunicado prossegue: “O vírus e as medidas tomadas para proteger a saúde pública estão induzindo acentuados declínios na atividade econômica e um aumento nas perdas de empregos.”

E complementa, mencionando também a crise do petróleo, que fez baixar, no último dia 20, os preços da commodity até o terreno negativo: “A demanda mais fraca e os preços do petróleo significativamente mais baixos estão mantendo a inflação dos preços ao consumidor”.